quarta-feira, 6 de junho de 2012

Corpo de Deus e o Povo, Suas Pedras Vivas!


Na conhecida expressão de Ortega, a pessoa é ela e as suas circunstâncias. Também a Igreja devia pensar assim. Que mais não é do que os que A compõem e a Sua circunstância. Cada cristão é uma das suas Pedras Vivas, parte da sua Edificação Espiritual (1 Pedro 2:5), a “igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (Atos 20:28).
Corpus Christi, Corpo de Cristo, que celebramos no 60° dia após a Páscoa, começou a ser celebrado há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liège, tendo depois o Papa Urbano IV à Igreja Universal, pela bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios. Chegou até nós lá pelos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. No princípio do sec. XV, com D. João I, a festa era já celebrada com solene procissão, seguindo a recomendação do Código de Direito Canónico (cân. 944) que estipula ao Bispo diocesano que tenha a iniciativa de a organizar; tornando assim público testemunho do amor e do respeito para com a santíssima Eucaristia, "principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo” (cân. 395).
D. José Policarpo e D. Januário Torgal, nos últimos dias, ofereceram pública manifestação de que as festividades não devem ser palavras vâs nem olvidar a “circunstância” em que vivemos hoje, todos, incluindo os crentes, as tais “pedras vivas” e pronunciaram-se sobre esta mesma circunstância.
O primeiro referiu que a atual situação do mundo laboral e a “fragilidade” do setor bancário, apela a um novo equilíbrio nas relações entre a “grande finança” e a economia, consciente de que “a crise principal é a crise do trabalho, que está ligada ao âmago mesmo da crise económico-financeira que a Europa atravessa”, e aludindo às dificuldades de financiamento das empresas perante a “fragilidade da banca europeia” que, do seu ponto de vista, “não está a cumprir uma das suas funções fundamentais, que é apoiar a economia”. No seu entender, “Deu-se, de há uns anos a esta parte, uma alteração nos equilíbrios da sociedade, uma alteração do equilíbrio entre finança e economia: a razão de ser do mercado financeiro é sustentar e desenvolver a economia, senão é simplesmente uma maneira de países e pessoas enriquecerem à custa de juros”, pelo que importa “repensar os dinamismos e o equilíbrio do desenvolvimento da sociedade”. Sobretudo, chamou a atenção para que é preciso “ter noção” das dimensões do fenómeno da pobreza, com a “identificação real” do fenómeno, analisar causas e procurar soluções.
O segundo afirma-se «profundamente chocado» com os agradecimentos de Pedro Passos Coelho à paciência dos portugueses, fustigados pela austeridade, e confessa a sua vontade de pedir ao povo para sair à rua, não para fazer tumultos mas para fazer a democracia. Diz que as ações e as palavras do atual Governo o recordam outros tempos de má memória e que tem vontade de apelar ao povo pra que saia à rua para fazer a democracia, perante um Governo que, na sua opinião, fala do povo português como um «povo amestrado» que «devia estar no Jardim Zoológico».
D. José Policarpo e D. Januário Torgal colocaram-se assim ao lado daqueles que são A verdadeira Igreja, juntando-se ao sentir coletivo dos que formam O Templo, o verdadeiro Templo. Caso para dizer, foi-se a "paciência de santo"!
E a nossa!? "A Praça é do Povo como os Céus são do Condor"! Sinto que já anda por aí!