Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Maçonaria e cidadania

‎"O homem é um animal essencialmente político", disse Sócrates. Os tempos que atravessamos exigem de todos os cidadãos uma intervenção activa. Impõe-se a cidadania. Um V.'.G.'.M.'. de uma loja estrangeira que frequentei durante algum tempo explicou-me com os vagares e a experiência de quem vai acima da Mestria que sempre que um cidadão se omite do exercício dessa responsabilidade renuncia aos princípios a que se ajuramentou, a começar pelo da "liberdade" e da "democracia", e, dentro deste, os da normalidade jurídica e institucional. Silenciarmo-nos ante a instalação de interesses como se nada fosse connosco é aceitar que se institua um regime em que ("Primeiro levaram os judeus, Mas não falei, por não ser judeu. Depois, perseguiram os comunistas, Nada disse então, por não ser comunista, Em seguida, castigaram os sindicalistas Decidi não falar, porque não sou sindicalista. Mais tarde, foi a vez dos católicos, Também me calei, por ser protestante. Então, um dia, vieram buscar-me. Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz, Que, em meu nome, se fizesse ouvir." [Poema de Martin Niemoller]) a nossa vez pode chegar. Ainda em 2006-2007, então auditora do Tribunal de Contas, ouvi em surdina hipotecar a obrigação de todos os funcionários com poderes de Justiça "deveriam" vincular-se a uma declaração do género da que o José Cabral. Não fiquei surpreendida. Calar a voz dos instruídos e dos assumem a discussão dentro de Lojas como um direito laboral é uma das primeiras instrumentalizações do silêncio. Por isso, defendo que, nos tempos que correm, o silêncio não serve. Os regimes não democráticos (e não lhes chamo "ditaduras" porque não nos faltam exemplos de supostas "democracias" em que a prepotência impera) instituem-se pelo "poder da força". Resta-nos combater essa "força institucionalizada" com o "poder das ideias". A Maçonaria foi e é escola de livres pensadores, homens a quem os interesses, sejam eles de que índole forem, não resgatam. Os Maçons de hoje são chamados a defender, no dia a dia, na sua vivência em sociedade civil, como os de outrora, os ideais de liberdade, de igualdade e de fraternidade. Assiste-lhes o dever de não renunciar os princípios de "liberdade", de "democracia" e de "república", sob pena de renunciar à própria cidadania. O Maçom está ligado umbilicalmente à ideia da livre cidadania. É-lhe intrínseco o papel de "homem do leme". Só assim a sociedade compreenderá e aceitará a liberdade democrática praticada na nossa vida, como resultado da escolástica "entre colunas"! Esta intrépida defesa pelo ideal democrático, enquanto único regime tolerante de uma Maçonaria aberta, impõe-se como uma "virtude". Dizia ainda aquele G.'.M.'. que o Maçon, enquanto homem, não pode ser um "ignorante político" e que ser-se um "homem livre" é também e ainda, nos tempos que correm, ser-se um político essencialmente livre e de bons costumes. Aquele que, que na sua atuação política (comunitária), propugna pelos ideais de liberdade (democracia plena), igualdade (justiça social) e fraternidade (realização coletiva). E reiterava que sempre que um Maçon enjeite o exercício desses seus deveres, na linguagem de sua Iniciação, comete um perjúrio. E com estas palavras suscito o pensamento de hoje: saibamos ser cidadãos porque foi isso também exactamente o que jurámos!