sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O Povo condenado aos trabalhos de Sísifo!


«.... Como Sísifo, estamos eternamente condenados a empurrar montanha acima um fardo insuportavelmente pesado para, chegados a cume, resvalarmos de volta ao ponto de partida e recomeçarmos o mesmo percurso. Em cada ciclo particular de esforço, não faltará quem nos assegure que estamos quase a chegar ao final das nossas penas. Porém, uma e outra vez, acabaremos por reconhecer a inutilidade dos sacrifícios. Do modo como as coisas se apresentam, não parece haver lugar para nós dentro do euro.» . Lisboa, 1 de Maio de 2013, OS TRABALHOS DE SÍSIFO, João Pinto e Castro, Economista. Professor Convidado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

domingo, 3 de agosto de 2014

Caros accionistas/capitalistas fala do Director-Geral: visão do José Miguel Silva

«FALA O DIRECTOR-GERAL
 Caros accionistas, a eleição dos nossos candidatos veio demonstrar, uma vez mais, que a democracia funciona e nada temos a temer. Agora é atacar as derradeiras guarnições de mais-valia (como fundos de pensões e monopólios naturais), que a janela desta crise é preciosa, mas não dura, se até o CEO tem limites e o petróleo nos começa a falhar.
 A classe média continua a pernear no tapete rolante da dívida, mas os média têm feito uma excelente cobertura e ninguém desconfia de nada – é dar-lhe toda a corda de esperança que reclama, para que no momento certo o alçapão se abra sem alarde e suavemente nos livremos desta roda de bocas inúteis, que já só atrasa o andamento da economia.
 Resta o problema dos relapsos e dos enraivecidos, que vociferam pelas ruas “não pagamos” e motim.
 Mas são, convenhamos, conduzidos por gatinhos escaldados, sem crédito nem guizos nem projecto coerente. Nada que seduza o coração dos isolados,  como o provam as sondagens e o misto de admiração e inveja que continuamos a despertar nas cobaias.
 Mas nem tudo são rosas, cavalheiros, pois se o clima emocional da populaça é tele-regulável, o mesmo não se pode dizer da frente ecológica, onde poderosas forças de bloqueio se concentram como gases deletérios, esgotamentos, externalidades que ameaçam gravemente o nosso modo de vida. Em poucas palavras: não cabe mais ninguém na ratoeira do progresso industrial.
 Sete mil milhões de bocas engodadas pelo isco do consumo rivalizam por recursos limitados, que pertencem por direito natural aos nossos netos.
 Começou a grande dança de cadeiras, e nunca como hoje a presciência valeu tanto no mercado evolutivo. Felizmente, somos nós quem determina quando a música termina e a corrida começa.
 Temos na mão o queijo, a faca e o conto de fadas da modernidade, temos por nós a confusão do inimigo, o fantasma da desordem, a esperança e o vazio dos desesperados, além da nova lei de segurança interna. Assim, e embora seja cedo para celebrar (pois a história, mesmo de trela ao pescoço, não deixa de ser um animal imprevisível), hão de concordar, cavalheiros, que as coisas estão bem encarreiradas. Todavia, não podemos vacilar.
 O capital unido jamais será vencido! Há que pôr a compaixão na gaveta e no terreno uma vontade de ferro, pois avizinha-se a batalha decisiva desta guerra de classes. E, passada a turbulência, cá estaremos, accionistas do futuro, para herdar a Terra.» José Miguel Silva, Le Monde Diplomatique – Edição Portuguesa, Janeiro 2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

Seguro - O Anjo da Morte!

Ana Drago afirma claramente o que todos sabemos. "Nestes três anos, o PS foi titubeante e fraco." E questiona as políticas do PS. Para além de admitir ter “alguma dificuldade em perceber o que vai ser” o partido rosa.
A afirmação patética de Seguro de que, voluntariamente, se teria anulado em abono de uma falsa podridão que acompanha toda a sua liderança frouxa no PS, é bem demonstrativa da sua incapacidade para gerar outra coisa que não se limite a jogos de bastidores e intrigas de faca e alguidar. Foi assim que chegou ao poder e é assim que insiste em lá se aguentar. Rodeado de um conjunto de inaptos estrategicamente colocados para acenarem as cabeças na hora e no sentido certos, Seguro espelha aquela esquerda arrogante, debilitada, desgarrada da realidade, feita de acomodados e avençados.dependentes. Não há no grupo segurista quem lhe reveja qualquer qualidade de liderança. Seguro é o "coitado", o "coitadinho", burro que carrega trouxa pesada demais feita das pedras que ele próprio escolheu e que, fora da faca, do alguidar e da alcova, não tem nada para dar ao partido nem ao País. Tudo o que havia de mau no Rato, como há nos demais antros de poder, Seguro aproveitou, maximizou, deu carta branca. As sanguessugas que lhe cobriam a pele e chuparam o sangue são já, na sua grande maioria, os mais fieis e visiveis apoiantes de Costa. O Titanic do Rato afunda mas afunda com (a falta de) norte que foi a opção do comandante incapaz que, dado como temporário, dado como o homem do "desenrasca" até Costa se decidir, fez mais estragos no partido do que todos os lideres juntos desde a sua criação. Ao invés de ser o Criador, ele anunciou-se como o anjo da morte, segregando, ostracizando, semeando ódios, recolhendo troféus [e são tantas as cabeças de socialistas de alma que lhe enfeitam o mandato!], cabia-lhe, profetizaram muitos, o papel de lebre a "segurar" as pontas até Costa se decidir. Mas os custos internos foram elevados demais. Seguro tem o toque de midas ao contrário, transformando almas patéticas em bestas e ideias absurdas em bostas. Se era esse o papel que lhe estava pré-destinado? Admite-se que sim. Seguro espelha tudo o que de pior o PS tem e o resultado só podia ser este: um partido que se quer ver livre da lebre que lhe deu tanto jeito para encenar três anos de inércia. Seguro reza o credo e muito terá de pedir perdão, pelas acções e pelas omissões. Mas para que o Titanic do Rato não afunde ainda mais resta-lhe sair airosamente: desarmado, desestruturado, desolado. O PS demorará a curar-se das feridas. Seguro colocou socialistas contra socialistas. Dividiu o partido. Cindiu caciques. Se serviu para alguma coisa? Para "aguentar" o barco quando havia que queimar alguém até o timoneiro esperado se assumir! Resta-lhe sair. Não tem já condições para sair em ombros! Uma larga maioria do partido só quer vê-lo pelas costas. Seguro é a prova viva de um partido que não cumpriu o seu papel de oposição. Fez oposição, sim. Dentro do partido. Que saia. E estou convencida que ou a matilha lhe dá cobertura para se atrever pelo portão da frente ou sairá desajeitado, com aquele ar desajeitado (que ou uma boa medicação disfarçou na aparição deste último fim de semana ou a tal dupla personalidade revelou a tempo) ou lhe resta a porta dos fundos. Inevitável é que saia. A sua presença nos corredores é tão triste quanto isto! Seguro é, hoje, um sem abrigo, no Rato, capeado por uma corja de aburguesados a quem distribuiu burgos mais ou menos recompensadores e que, até ao último tilintar de moedas, se manterá ao seu lado. Redistribuidos os burgos, nada mais resta que um período de três anos na história de um partido que se orgulhava de ser a rosa e que hoje, a ser ainda algo comparativamente floral, não é mais nada que um cacto. Acreditando que há cactos que dão flor. Mas serão já outras rosas. É hora da poda. Que só assim novas rosas salvarão o morto roseiral. O que sucede ao anjo da morte? Como se acomodará o seu exército e se realojará no novo mapa de Costa? Distribuem-se-lhe cargos e favores? Compra-se a sua reunificação? E os socialistas de alma e coração que foram expulsos por ousarem a lucidez e contrariar os impulsos suicidas de Seguro? Continuam à margem de um partido que sempre tiveram como o seu? Quantos partidos socialistas restam neste PS desmembrado? Muitos? Nenhum? Todo o caminho da esquerda alternativa passa pelo futuro PS que venha a sair destas lutas intestinais. O PS não tem condições para ser, no momento, uma alternativa credível à governação, mas continua a exigir-se-lhe que seja o que não foi até agora: uma útil, séria, competente oposição. Somos todos observadores. AM

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Muito há a dizer sobre a alternativa "agenda europeia" de Seguro: é cor-de-rosa!




Seguro, o alegado lider da oposição, esteve ontem em São Bento a conversar com o alegado primeiro-ministro da Nação, sobre a escolha do português a indigitar para a Comissão Europeia. Foi 1,5 h bem passada. Os scones não estavam no ponto. O café parecia ter surgido dos restos de uma maquineta de cabaret. Mas foi ao Palácio e isso é sempre uma forma interessante de alguém completamente desinteressante começar o dia. Seguro alimenta o desejo de pisar aquelas carpetes já numa outra posição, que, seja ela qual for, jamais será vertical. Não é homem de costas direitas, muitos anos a lamber botas deixam marcas irreversíveis e hoje Seguro tem uma coluna entre a de uma alforreca e a de um caracol. Mas voltando ... à saída da reunião, o alegado secretário-geral do PS dispôs-se a responder às perguntas dos jornalistas. Entre um e outro scone, garantiu que, na linha da sua verticalidade já definida, afirmou que não se discutiram nomes, nem perfis, apenas a definição das «pastas importantes», pelas quais o Governo deveria lutar. Adiantou ainda que foi analisada a «agenda europeia», sem especificar o seu conteúdo. 

Foi um dia em cheio, depois de são bento, seguiu-se a sua aparição diária na televisão, mas sem pastorinhos - esses degladiam-se com os lugarzitos que vão vagando no Parlamento e lá vão rezando para que morra um deputado de vez em quando para a voltinha rotativa da listinha de deputados que ficaram de fora do poleiro se dar, como prometido por Seguro. Caramba, a Isabel Moreira, tinha-se esperança que "aguentasse" uns mesitos mas a pequena tem calibre e não dobra nem cai!. 

Seguro, enfim, para além do café queimado e dos scones mal cozidos, tinha-se prestado a ir a são bento, para se ir acostumando aos ares (nos delírios dele, aquilo é muito medicamento à borla lá em casa!), supostamente teria de ter falado da «agenda europeia». Que ele crê ter sido um livrinho cor-de-rosa que a sua margarida comprou numa viagem a uma terriola lá para os lados dos nuestros hermanos. Miss Swaps rejeitara, na véspera, ao lado dos países do Norte da Europa, a flexibilização das regras do euro. Tinha aqui José Seguro uma oportunidade única para mostrar as ideias que, por certo, serão brilhantes, mas de que ainda não viu amostra do seu tão querido Laboratório de Ideias. Por exemplo, que alianças procuraria fazer na Europa para travar o empobrecimento dos países periféricos? 

Mas Seguro, o bonequinho sempre em pé do PS, preferiu brincar às escondidas -- que é algo que se faz muito pelo Rato! - sem nada dizer sobre nomes, perfis e pastas! Quanto à posição do Governo (assumida pela da Miss Swaps), e que outros paises já classificaram de anti-patrótica, nem uma palavra. Ouve-se sempre de Seguro aquele silêncio ensurdecedor que fere de morte o velho PS reivindicativo! Em que consiste a «agenda europeia» de Seguro? Então não é aquele livrinho cor-de-rosa que margarida, sua empenhada e esforçada esposa, usa para registar um a um os contactos do seu Cordeiro? O tal de Cascais, imposto ao aparelho, por razões que todos entendemos, e muito bem! Agenda cor-de-rosa?! Será o livro de receitas estrategicamente colocado ao lado do fogão pela sua margarida? É muita informação, p****, e o rapaz nunca foi de grande inteligência. Aquilo que fez toda a sua vida foi, como a alforreca e o caracol, moldar-se às "paredes" de encosto! Valeu pelo cafezinho e pelos scones, se bem que não chegam aos calcanhares dos da sua margarida! Está tudo nas receitas da agendinha! Afinal, scone é receita europeia! AM

segunda-feira, 30 de junho de 2014

As perplexidades do mapa judiciário - por José António Barreiros




O José António Barreiros tem sempre a acutilância elegante e destemida de dizer o que tem de ser dito, quando tem de ser dito. Paladino da Justiça, pena é que não se tenha disposto nunca a pagar o preço para ocupar um lugar de poder que lhe permitisse exequibilizar essas suas ideias tão justas daquilo que já não é a Justiça. Mas o apontamento aqui fica, trocado na força daquele enorme abraço.

«À mercê da retórica, o País assistiu à afirmação reiterada de que havia falta de juízes, sobrecarga no trabalho dos que serviam nos tribunais, na necessidade de o Centro de Estudos Judiciários habilitar a Justiça com mais magistrados, mesmo através de meios extraordinários e céleres de formação. Vem agora o "mapa judiciário" e os portugueses assistem à noção exactamente inversa, a de que, afinal, há juízes e procuradores a mais. E ficamos todos perplexos.

Tendo ouvido dizer que, em obediência às regras gerais de legitimação da Justiça, esta deve desempenhar uma função preventiva, sobretudo a penal, para que que, em função do julgamento, a comunidade aprenda que o crime não compensa e se abstenha de fazer o que nos tribunais se condenou, o País assistiu à noção da Casa da Justiça, o tribunal ao pé da porta, os juízes de fora que iam às comarcas, as NUTS, enfim, a Justiça de proximidade e assiste agora ao encerramento de tribunais, a julgamentos que vão ter lugar a dezenas e dezenas de quilómetros do local onde tudo se passou, essa forma da desaforamento encapotado em favor do tribunal de conveniência. E ficamos todos boquiabertos.

Tendo visto os políticos clamarem o imperativo da reforma judiciária e o consequente "mapa judiciário", como condição essencial ditada pela troika porque o País real, o produtivo, o empresarial, estaria bloqueado por causa do mau funcionamento dos tribunais, o País apercebe-se que só quando a troika se foi, enfim, embora, é que o dito "mapa" surge, e, afinal, com isso, estão suspensas as marcações de julgamentos, haverá milhares de processos que vão ser encaixotados, juízes transferidos, magistrados novos que vão ter pegar nos processos desde a estaca zero quando havia outros que já os conheciam de fio a pavio. E ficamos como parvos.

Tendo aprendido a não acreditar em coisa alguma, o País, não quer de nada saber. Problema é o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. E, em matéria de juízes, grave é o que se passa com os árbitros de futebol! O mais que se dane!

Viva, pois, tudo, e viva, por isso, nada! Tanto faz. 

O mapa judiciário, esse, será, assim, apenas um problema de camionagem, com polícias e soldados a alombarem com processos de cá para lá. 

Conclusão: sem os Ministérios da Defesa e da Administração Interna, que seria do Ministério da Justiça? E porque é que, já que de mapas se fala, não se pediu ajuda aos Serviços Cartográficos do Exército, e, ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera, para se decidir o caso de tribunais nas Berlengas, no Farol do Bugio, e sobretudo nas Selvagens?» [publicado há momentos no seu blog "Patalogia Social"]

quinta-feira, 26 de junho de 2014

OS VELHOS TAMBÉM SE ABATEM! - Fernando Paulouro Neves


«Às vezes, um verso contém toda a emoção do mundo e impõe um silêncio absoluto de pura exigência de meditação. Essa experiência acontece-nos frequentemente quando lemos aquela arte poética que toca a essencialidade das coisas ou vivemos emoções estéticas tão fundas, porventura aqueles instantes em que Goethe dizia que o tempo devia parar. Um desses versos, que me emocionou, colhi-o na poesia de Jorge Luís Borges e diz: "Por Francis Haslam, que pediu perdão aos seus filhos/ Por morrer tão devagar". É uma metáfora terrível que hoje traduz o universo absurdo que a sociedade impõe aos mais velhos, quando a vida produtiva chega ao fim ou os donos dos países os tornam gradualmente descartáveis.
No mercadorismo social, no deve-haver do poder ultra-liberal, como acontece de forma miserável em Portugal, não há lugar para os idosos - ou, se há, são na maior parte dos casos armazéns antecipadores da morte -, os idosos são um segmento geracional que os detentores do mando, não poucas vezes, acusam (pelo crime de se ter prolongado a esperança de vida) de responsável por desequilíbrios orçamentais.
Lembrei-me do verso de Borges porque a questão dos idosos em Portugal (reformados e pensionistas), gente que viveu e vive, ainda, em muitos casos, uma precariedade humana aviltante, depois de duras vidas de trabalho e de desigualdades sem fim, e faz lembrar aquela caricatura (excessiva, como todas as caricaturas), tão feita de desumanidade: consideram-nos mortos - e gostavam de os ver morrer mais depressa.
Foi também o texto magnífico de José Tolentino Mendonça, no "Expresso", intitulado "A Velhice Ofendida", que me fez voltar à pulsão da escrita em tema tão inquietante e tão presente no quotidiano. O poeta começa lembrar que "nos primeiros quatro meses deste ano foram registados em Portugal 294 suicídios" e que "ocorrem no nosso país mais suicídios do que mortes em acidentes de estrada". E acrescenta: "Mas houve um dado que se cravou completamente na minha cabeça e não me abandona:quem mais é tentado pelo suicídio são os velhos, acima dos 75 anos de idade, com menos defesas perante a solidão, a pobreza ou o sofrimento". José Tolentino Mendonça cita um curioso texto do filósofo Norberto Bobbio, onde o autor, com sarcástica ironia, escreve que "quem elogia a velhice nunca a teve diante dos olhos", para relatar depois a seguinte experiência de Bobbio: "O tempo urge. Eu deveria acelerar os movimentos para chegar a tempo e, em vez disso, vejo-me obrigado, dia após dia, a mover-me cada vez mais devagar. Emprego mais tempo e disponho de menos tempo. Pergunto a mim mesmo, preocupado: será que vou conseguir? Sinto-me compelido pela necessidade... E contudo sou obrigado a marcar o passo, embaraçado nos movimentos, desmemoriado, e portanto obrigado a deter-me para anotar tudo de que preciso em folhas que, no momento oportuno, não encontrarei".
Esta é uma imagem fugaz do drama interior de muitos idosos. Mas depois, nas andanças do dia-a-dia o braço longo do drama estende-se à solidão do abandono, às agressões físicas de que os idosos são vítimas, dentro das quatro paredes de um eufemismo chamado lar, às vidas de miséria que são a linha final de muitos. Os velhos. Como diz José Tolentino Mendonça "ser velho no Portugal contemporâneo não é uma coisa bonita de ser ver".» - Fernando Paulouro Neves

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto, solidariariza-se com os dirigentes intermédios - em causa a saúde dos doentes. Que pena a lei da rolha não ter vingado!

Compreendem agora a importância e a pressa da lei da rolha para o pessoal médico? A administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto, anunciou que todos os dirigentes intermédios daquela estrutura se demitiram. O Conselho de Adminis...tração do CHSJ adianta que "os responsáveis pelas oito unidades intermédias de gestão do CHSJ e os 58 diretores de Serviços clínicos e não clínicos decidiram presentar o seu pedido de demissão", e manifesta-se "solidário com as lideranças intermédias", tendo "reportado esta situação à tutela" e esclarece as razões aduzidas pelos dirigentes para apresentarem a demissão.
A demissão conjunta justifica-se por "a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco", com "a desvalorização do CHSJ e da sua missão no contexto da região e do país" e com "a impossibilidade da implementação do desenvolvimento estratégico do CHSJ", tal como a apontado como motivo para a saída em bloco o "impedimento da ação gestionária do CHSJ e das estruturas intermédias de gestão do Centro Hospitalar, por via da centralização administrativa, no que concerne a políticas de recursos humanos, investimentos, manutenção estrutural, infraestrutural e de equipamentos e compras, que afetará gravemente a prossecução da sua missão e a atividade assistencial, apesar de, reiteradamente, o CHSJ apresentar resultados económico-financeiros positivos e resultados clínicos e assistenciais ao nível dos melhores da Península Ibérica". Ora, não é tão importante pôr uma rolha nestes gajos? Obviamente, falam demais. AM