sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O olhar de Miguel Veiga sobre "este" PDS!

"Quem fez o Passos Coelho primeiro-ministro? Uns tipos do piorio, que existem em Portugal. Um é Miguel Relvas, o outro é Marco António. Andaram durante um ano e meio a bater as distritais para angariar votos. A realidade é esta. Quem está no poder é o aparelho [não o PSD], quanto a isso não há dúvida. Encontra algum social-democrata no Governo? Nem um. Estes tipos não têm convicções. Simplesmente não têm uma ética de convicções e, portanto, não têm uma ética de responsabilidade. Querem o poder pelo poder. Estão centralizados, incrustados e vivem num regime de sucessão eterna, quase dinástico, que se torna opressivo e do mais fechado que há. O regime é auto-fágico. Vão-se reproduzindo e é como um panzer. Levam tudo à frente. (...) Vejam o que fizeram à Manuela Ferreira Leite e ao Pacheco Pereira. Todos expurgados, considerados inimigos. Fecharam as portas do partido e ninguém lá entra. (...) Estes que lá estão não são os homens de Estado. São políticos do aviário." - Miguel Veiga (em 1974, ao lado Francisco Sá Carneiro, Magalhães Mota, Pinto Balsemão e outros, foi um dos fundadores do Partido Popular Democrático (hoje PSD))

Portugal, um País nu - nas palavras de Eduardo Lourenço

"Portugal é, neste momento, um país nu. Quer dizer, um país nem nenhum álibi histórico, entrincheirado na sua confinada faixa atlântica, sem possibilidades de sonhar outro sonho que não o seu próprio, caseiro. Nós passámos séculos a fugir de nós mesmos enquanto apenas portugueses. Fuga simultaneamente estelar e criadora que não nos permitiu nunca que nos encontrássemos connosco mesmos. Fomos sempre outros. Essa fuga é agora impossível. Chegou a hora desse encontro secularmente adiado para o qual ninguém sabe até que ponto estamos colectivamente preparados. Uma das tentações que nos espreita é de novo a invenção de mitos, de esquemas orientadores, destinados a superar imaginariamente os obstáculos inevitáveis de o nosso longo passado de irrealismo histórico e político acumulou. A nossa aventura histórica é a de um povo que viveu sempre em bicos de pés, , acima das suas possibilidades reais, esperando tudo de milagres que às vezes aconteciam, de dons sebastiões e de caldos de portaria, a ponto de converter esta existência pícara em segunda natureza. Quando os desastres aconteceram, descobriu-se-les logo o antídoto, criando a especialidade lusitana por excelência de transfigurar os alcáceres-quibires reais em aljubarrotas fictícias. O espaço para estes jogos e miragens históricas desapareceu, sumiu, como dizem os brasileiros, com a supressão dos horizontes quiméricos do nosso pseudo-imperialismo. Encurralados na nossa autêntica realidade, não podemos nem devemos procurar saídas que continuem a ser, como sempre foram as nossas, "portas pintadas na parede". Temos de ajustar-nos ao que realmente somos e podemos para a partir daí construirmos um Portugal possível e não uma quimera. O que somos é considerável e nada desprezível, como nos grandes momentos de realismo e unanimismo pátrio o provámos. E o que podemos, se soubermos adequar os meios de que dispomos à invenção do país possível, permite a esperança de dominar o desafio incomum que a situação actual e a nossa aposta histórica requerem. Mas é perfeitamente inócuo e nocivo recriar sob outra roupagem novos "orgulhosamente sós", ou exaltar-se com o pavor suposto ou efectivo que inspiramos neste momento a um "certo mundo" como demagogos em delírio apregoam." Eduardo Lourenço, Expresso, 03-05-1975

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Maçonaria e o "drama social" actual. Impõe-se Intervir!

Comungo das palavras do Past Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), António Arnaut, ao afirmar que não entende o silêncio da maçonaria perante o “drama social que estamos a viver”, defendendo que as ordens maçónicas devem “realmente intervir” contra “este capitalismo opressivo”. Não compreende porque a maçonaria não se recusa ao papel de “cúmplice” e não se manifesta publicamente contra “este capitalismo opressivo”. “Todos aqueles que sentem o povo e a Pátria não podem ficar calados, sob pena de serem cúmplices do drama social que estamos a viver”, disse. O GOL “devia realmente intervir” e condenar publicamente “este capitalismo opressivo”, tal como as restantes ordens maçónicas. “A maçonaria devia ter dito aquilo que disse o Papa Francisco: o neoliberalismo faz os fortes mais fortes, os fracos mais fracos e os excluídos mais excluídos”, complementou. Tanto mais porque “trata-se de uma intervenção no plano dos direitos humanos, da dignidade do homem e da própria defesa da identidade e da soberania da Pátria”, mas a maçonaria tem abdicado desse papel: “devia ter uma palavra e tem estado calada. Devia fazer alguma coisa. Devia realmente utilizar os instrumentos do ofício: a régua e o esquadro, que significam a retidão e a justiça, e o compasso, que significa o livre pensamento e a liberdade”. “Chegámos a este ponto mais por culpa dos socialistas, dos social-democratas e democratas-cristãos do que propriamente dos neoliberais”, acusou o ex-grão-mestre, que denunciou “os que passaram para o neoliberalismo, que se venderam”. Estas são algumas das ideias do seu novo livro “Iluminuras - Adágios, incisões e reflexões”.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Todos os Irmãos, de Todas as Religiões, em Todo Mundo, Unidos!

Nos Vedas, sobre a harmonia das religiões, lê-se: “A Verdade é uma; os sábios a chamam por nomes diversos”. Este sentimento ecuménico que fomenta a união, nos corredores do tempo, de pessoas iluminadas de diferentes religiões, em diferentespartes do mundo, é bem claro na resposta do pensador romano Quintus Aurelius Symmachus a Santo Ambrósio, o dogmático bispo de Milão:“O cerne de tão grande mistério”, que teria dito Symmachus, “jamais poderia ser atingido seguindo-se apenas uma estrada”. E Ibn’Arabi, o grande místico sufi do século XIII, escreveu no Tarjuman al-Ashwaq (A Interpretação do Amor Divino): "Meu coração é capaz de toda forma Clausura para o monge Templo para ídolos Pasto para gazelas A Caaba do devoto As tábuas do Torá O Corão O amor é meu credo Não importa em que direção Ele conduz os meus camelos O Amor ainda será Meu credo e minha fé." Igualmente, Apuleius, o filósofo platónico do século II, tinha a firme convicção de que o Divino era “adorado através do mundo, de diversas maneiras, segundo costumes variáveis e sob múltiplos nomes”. Lembrando, afinal, que "Cada irmão é diferente. Sozinho acoplado a outros sozinhos." (Carlos Drummond de Andrade, in 'Boitempo')

O que não fica em "segredo" do "segredo de (in)Justiça)!

Ainda em resposta à iniciativa da Procuradoria-Geral da República sobre o segredo de justiça, em que a PGR pretende ouvir os grupos profissionais ligados ao sector judiciário, ao estudo do Direito, à investigação criminal e à comunicação social, a formulação de algumas perguntas foi mal recebida. Pelo questionário - que tem um núcleo-base de perguntas, variando consoante a classe profissional ouvida -, quer-se saber em que circunstâncias deve ser decretado o segredo de justiça e que valores deve proteger, e pedem-se sugestões de medidas para prevenir as infracções. Pelo meio, porém, pergunta-se ao destinatário se "alguma vez teve conhecimento pessoal de uma dessas situações" (de violação de segredo de justiça), se "pode identificar os processos" e "os autores". António Marinho E Pinto disse já que "Os responsáveis pelo processo onde haja violação do segredo de justiça devem ser objecto de averiguação imediatamente. Finalmente alguém toma uma iniciativa para pôr cobro a esta farsa em que está transformada a Justiça, permanentemente a atirar lama para a dignidade das pessoas nos órgãos de informação". Paulo Saragoça da Matta diz que a auditoria da PGR faz lembrar uma velha máxima: "É preciso fazer alguma coisa, para que tudo fique na mesma. Ou seja, haver ou não inquérito é irrelevante para o que é realmente importante: tornar excepcionais as violações de segredo de justiça, até porque já são excepcionais os casos de existência de segredo de justiça". "Tenciono responder, menos àquelas duas perguntas, em que se pedem explicitações relacionadas com a minha vida profissional", diz Ricardo Sá Fernandes. Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas, diz que ainda vai analisar o pedido, mas tem uma certeza: "Não responderei àquelas duas perguntas". "Parece uma caça às bruxas. Em que é que isto vai melhorar a situação da Justiça? E numa altura em que tantas alterações estão em curso na Justiça, isto pode contribuir para criar mais conflitos e desconfiança no sector", comenta Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais.
Ora tudo isto me faz lembrar que "Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..." - Eça de Queiroz, in Os Maias

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sempre a pedagogia dos oprimidos a falar mais alto ---- Escolas públicas, ainda, e Crato.

Relendo A Pedagogia dos Oprimidos, de Paulo Freire ...
Quando Paulo Freire estava no exílio no Chile nos anos 60, estabeleceu o seguinte diálogo com alguns camponeses:
"Depois de alguns momentos de bom debate como um grupo de camponeses o silêncio caiu sobre nós e nos envolveu a todos. O discurso de um deles foi o mesmo. A tradução exacta do discurso do camponês chileno que ouvira naquele fim da tarde.
— Muito bem — disse-lhes eu. — Eu sei. Vocês não sabem. Mas por que é que eu sei e vocês não sabem?
Aceitando o seu discurso, preparei o terreno para minha intervenção. A vivacidade brilhava em todos. De repente a curiosidade se acendeu. A resposta não tardou.
— O senhor sabe porque é doutor. Nós, não.
— Exacto, eu sou doutor. Vocês não. Mas, por que eu sou doutor e vocês não?
— Porque foi à escola?
— Porque seu pai pôde mandar o senhor à escola. O nosso, não.
— E por que os pais de vocês não puderam mandar vocês à escola?
— Porque era camponês?
— É não ter educação, posses, trabalhar de sol a sol sem direitos, sem esperança de um dia melhor.
— E porque ao camponês falta tudo isso?
— Porque Deus quer.
— E quem é Deus?
— É o Pai de nós todos.
— E quem é pai aqui nesta reunião?
Quase todos de mão para cima, disseram que o eram. Olhando o grupo todo em silêncio, fixei-me num deles e perguntei-lhe:
— Quantos filhos você tem?
— Três.
— Você seria capaz de sacrificar dois deles, submetendo-os a sofrimento para que o terceiro estudasse, com vida boa no Recife? Você seria capaz de amar assim?
— Não.
— Se você — disse eu —, homem de carne e osso, não é capaz de fazer uma injustiça dessa, como é possível entender que Deus o faça? Será mesmo que Deus é o fazedor dessa coisa?
Um silêncio diferente, completamente diferente do anterior, um silêncio no qual algo começava a ser partilhado. Em seguida:
— Não. Não é Deus o fazedor de tudo. É o patrão!

A humilhação da classe docente - a perspectiva de uma professora emigrada


A humilhação da classe docente, por Isabel Rodrigues, DN Opinião
"Acordei indignada! Não, indignada não é a palavra mais adequada. Talvez, chocada, envergonhada, incrédula, sejam adjectivos mais representativos daquilo que senti numa manhã desta semana, quando, ainda na cama, lia as notícias sobre Portugal. E pergunta o leitor o porquê da minha indignação, se o que abunda no país são vozes de indignação! Passo a explicar. Estou fora do país há cerca de nove meses e como tal faço os possíveis por acompanhar de perto, ou pelo menos o mais perto que me é possível, a situação e assuntos do país. E acreditem que indignação é coisa que não tem faltado quando se trata de ver o que se passa em Portugal.
Mas esta semana foi a gota de água. Pelo menos para mim. Estando atentos e fazendo as contas, pode o leitor pensar que sou mais uma daquelas jovens que seguiu o conselho do nosso primeiro-ministro e emigrou.
Pois bem, não foi bem assim. Emigrei, é certo, até já tinha pensado em fazê-lo anteriormente, mas a realidade é que foi a paixão pelo ensino que me impediu de fazer as malas mais cedo e partir.
Foi preciso uma paixão maior, para me fazer mudar de ideias. As coisas do coração são assim. Já dizia o dito popular que o amor surge quando menos esperamos e leva-nos para onde nunca imaginámos.
E foi desta forma que uma professora de História, com 30 anos, com oito anos de tempo de serviço, veio parar a Oslo.
Agora que já me apresentei, posso explicar o porquê da minha indignação: o estado do ensino em Portugal. Mas sinceramente nem sei muito bem por onde começar.
Pelas políticas economicistas que no início dos últimos anos lectivos têm afastado milhares de docentes das escolas; dos financiamentos públicos às escolas privadas; do atabalhoamento com que o país é brindado todos os inícios de anos lectivos; da precariedade profissional da classe docente, do achincalhamento de que é alvo, da culpabilização dos professores pelos maus resultados dos alunos nos exames; da burocratização que o ensino se tornou, que quase impede o professor de fazer aquilo que realmente gosta e o realiza: ensinar?
Não fartaria pano para mangas, pois qualquer um destes assuntos daria muito que falar. Mas a minha última indignação é mesmo a prova de avaliação de competências que os docentes contratados terão de realizar a 18 de dezembro.
Manobra de encaixe financeiro para uns, humilhação da classe docente para outros. Para mim, uma vergonha nacional sem precedentes.
E atenção, não sou contra qualquer avaliação, desde que esta seja respeitadora e igualitária. Se um professor deve fazer uma prova das suas competências, terão, na minha opinião, todos os outros funcionários públicos de o fazer.
Não passa pela cabeça de ninguém impedir um médico, um enfermeiro, um advogado, um economista, um engenheiro, do exercício das suas funções, para as quais se qualificou, só porque não realiza uma prova de competências.
Parece-me que o Ministro da Educação se está a pôr em cheque quando ele próprio põe em causa a legitimidade e competência das próprias Universidades nesta matéria.
Os professores estudam quatro ou cinco anos para tirar uma licenciatura e mais um ano de estágio pedagógico, com aulas assistidas por orientadores e coordenadores científicos das universidades, e depois surge alguém com a brilhante ideia de dizer que afinal nada disto tem importância e que se têm de dar provas de competência anuais.
Retirar crédito ao cidadão comum, já o português está habituado, mas às Universidades digamos que não é assim tão frequente.
Mas voltemos um pouco atrás. Partindo do pressuposto que a dita prova se realiza a 18 de dezembro.
O que pretende o Ministério da Educação com esta prova? Supostamente melhorar a qualidade do ensino. Mas como melhora se só cerca de 20.000 professores (de cerca de 120.000) irão realizar a prova?
Conhecimentos científicos e pedagógicos não são algo que se avalie de ânimo leve. Gostava apenas que os teóricos da Educação, não falassem e opinassem de realidades que desconhecem com a leviandade com que frequentemente o fazem.
Ouvi-los-ei com gosto no dia em que, dentro de uma sala de aulas, um deles consiga ensinar um qualquer conteúdo programático a uma turma de 28 alunos desmotivados e com problemas sociais graves (de fome e violência, por exemplo).
Esperam os nossos governantes algum tipo de respeito quando colocam no mesmo texto legislativo, a prova dos professores, lado a lado, com as informações dos testes intermédios e exames nacionais? Estamos a falar do mesmo assunto? Os critérios serão os mesmos?
Esperam algum tipo de respeito, quando a um mês da realização da dita prova, ainda não apresentaram a matriz? O que se pretende com isto? Eu tenho uma resposta: humilhar socialmente a classe docente. Descredibilizá-la perante a opinião pública. Sem margem de manobra para se preparar, a maioria dos professores contratados vai-se espalhar ao comprido, numa prova que vai ser toda ela feita para esse efeito.
E a sociedade em geral, cansada e amargurada como sempre, irá tratar de enxovalhar e dizer "É assim mesmo. Andam lá e nem sabem o que andam a ensinar", esquecendo-se que é isso mesmo que a tutela quer.
E o que se pretende ao colocar professores do quadro a vigiar os seus congéneres precários? Fragmentar a classe. Nem quero imaginar o ambiente de Guerra Fria que se vive nas salas de professores, quando se sabe que "aquele", "aquele" e "aquela" vão/deverão estar do outro lado da barricada a vestir a pele do lobo.
Mesmo partilhando dos medos dos contratados, haverá sempre professores do quadro que, por medo e pressão, irão vigiar a prova.
E, já me esquecia, a cereja em cima do bolo: o professor contratado ainda vai ter de contar os trocos para ir fazer a prova: 20 euros cada prova, 20 euros se se quiser a revisão de prova e 15 euros por cada prova a mais que um professor queira fazer (desgraçados daqueles que possuem habilitações que lhes permitem concorrer a mais do que um grupo de recrutamento).
Parece-me que é dinheiro fácil. Muito fácil até. Vai começar com os professores contratados. Mais ano menos ano estender-se-á aos professores do quadro.
E, ou muito me engano, ou isto será estendido às restantes classes profissionais que trabalham no funcionalismo público, pois é, simultaneamente, dinheiro e despedimento fáceis.
Não se esqueça o leitor que as cobaias de qualquer experiência da tutela na Função Pública têm sido os professores.
Chorei, chorei de raiva e de indignação. Não por mim, que decidi no dia em que fiz as malas para sair do país, não voltar a sentir o que sentia todos os dias 1 de Setembro.
Chorei pelos meus colegas que respeito e a quem estão a destruir e adiar sonhos.
Pelos meus ex-alunos, inseridos num jogo em que mudaram as regras a meio do jogo. Pelas gerações mais novas, que não terão direito a uma Educação como eu e a minha geração tiveram: feita por pessoas com ideais e apaixonadas pelo seu trabalho.
Estão a destruir um sistema de ensino. Um pilar fundamental de qualquer sociedade. Tem as suas lacunas e aspectos negativos, mas sem dúvida um dos melhores.
Não é por acaso que há cada vez mais profissionais de recursos humanos estrangeiros a fazer feiras de emprego em Portugal, para ir buscar profissionais altamente qualificados a custo zero. Mas enfim, é tão bom para as elites governar um país sem massa crítica.
Chorei porque me senti impotente. Por norma sou optimista e costumo ver os aspectos positivos das coisas, mas neste caso a visão já está tão turva... Vejo uma classe docente cansada e desmotivada, sem forças para lutar.
Pior que isso, vejo uma sociedade cada vez mais virada para os seus próprios problemas, sem grandes razões para ser feliz, focada numa quase sobrevivência que facilmente resvala para a indiferença dos problemas dos "outros", que afinal também são tão "nossos"!
A luz ao fundo do túnel vai afunilando e, nesse momento, lembro-me do poema que imortalizou Martin Niemoller:
"Quando os nazis vieram buscar os comunistas, eu fiquei em silêncio; eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu fiquei em silêncio; eu não era um social-democrata.
Quando eles vieram buscar os sindicalistas, eu não disse nada; eu não era um sindicalista.
Quando eles buscaram os judeus, eu fiquei em silêncio; eu não era um judeu.
Quando eles me vieram buscar, já não havia ninguém que pudesse protestar."
E fico profundamente triste."