quarta-feira, 18 de setembro de 2013

DAT ROSA MEL APIBUS - ou como a abelha e a colmeia laboram - uma perspectiva mística breve


“DAT ROSA MEL APIBUS” (A ROSA dá o Mel às Abelhas) proclama a divisa da Irmandade Rosa-Cruz. Uma rosa com sete pétalas, simbolizando, para além da sacralidade do número sete,  as doutrinas secretas e teosóficas de HP Blavatsky. A Rosa domina a cruz de espinhos, em alegoria clara ao signo de Vénus, revelando o triunfo do círculo solar sobre a cruz da matéria. O lema que espelha a forma como nos compete oferecer o conhecimento espiritual e o consolo às almas, dos quais as abelhas são um símbolo venerável.
"A cruz está ferida profusamente rodeada e rosas Quem colocou rosas na cruz? ... E a partir do meio brota uma vida santa dos raios tríplices de um único ponto." - Goethe, Die Geheimnisse (1784-1786)
Eis como, na alquimia, a rosa branca e vermelho são símbolos que ilustram o lunar e o solar, a partir do qual jorra o "precioso sangue cor de rosa" dos fluxos de Cristo-Lapis. E o Shehina, o brilho da sabedoria celestial na terra, retratado na imagem da rosa, e "a recolha de mel" representam a herança dos conhecimentos teosóficos. Eis, igualmente, a evocação da parábola do Cântico dos Cânticos: "Eu sou a rosa de Sharon e o lírio do campo". 
Só a Rosa já é, por si, um símbolo  complexo e ambivalente: a perfeição celestial e a paixão terrena, o tempo do infinito e a eternidade, a vida e a morte, a fertilidade e a virgindade. Podemos ver nela o lótus do Oriente. No simbolismo do coração, a rosa, colocada no centro da cruz, é o ponto de unidade, pelo que, a rosa branca e a rosa vermelha representam a união do fogo e da água, dos opostos, tal como é o quaternário dos elementos. Para os Rosacruzes, a Rosa-cruz é a Rosa Mística, sendo a rosa a luz divina do universo e a cruz uma alusão ao mundo temporal de dor e sacrifício. A rosa faz-se crescer na árvore da vida, em constante regeneração e ressurreição.  Remetendo-nos para a lenda do Graal, as invocações feitas ao coração divino de Jesus,  exaltado como "o templo em que habita a vida do mundo", também surgem representadas por uma rosa, ela mesma a fornalha do amor divino "sempre brilhando no fogo do Espírito Santo". 
A pureza procurada no Graal são as virtudes da vida que procuramos alcançar, entre labirintos e a "Palavra Perdida". 
Herberto Helder (Última Ciência, 1988) fala da sua arte de roseira: " Pratiquei a minha arte de roseira: a fria inclinação das rosas contra os dedos iluminava em baixo as palavras. Abri-as até dentro onde era negro o coração nas cápsulas. Das rosas fundas, da fundura nas palavras. Transfigurei-as. .... Uma frase, uma ferida, uma vida selada."
Ao comentar Provérbios 6:8 – Vá observar a abelha e aprenda como ela é “laboriosa”,” São Clemente de Alexandria acrescenta: “Pois a abelha se serve das flores de um prado inteiro, para com elas fabricar um só mel". "Imitai a prudência das abelhas“, recomenda Teolepto de Filadélfia, citando-as como exemplo na vida espiritual das comunidades monásticas. Um sacramentário gelasiano (do papa Gelásio I, 410-496) faz alusão às extraordinárias qualidades das abelhas que extraem o pólen das flores roçando-as apenas, sem lhes tirar o viço. Elas não dão à luz; mas graças ao trabalho dos seus “lábios” tornam-se mães; assim também o Cristo emana da boca do Pai e da Mãe Divinos. A ela se referem os autores da Idade Média, destacando Bernard de Clairvaux, em que a abelha simboliza o Espírito Santo. E assim chegamos a este símbolo maçónico antigo, raramente usado hoje, mas muito popular no século XIX, o da abelha e da colméia. 
O labirinto da rosa é como a teia da aranha que pode fazer com que a abelha se enrede nos perigos, como nós nos podemos perder ante as dificuldades e os desnortes da vida. E porque procuram as abelhas o Centro? Pelo mesmo motivo que um religioso procura Deus, porque Ele é o Centro e a Circunferência, o Um e o Todo. 
Aqui temos essencialmente o conceito de trabalho, em que a abelha simboliza a indústria e o trabalho, usando a colmeia, como uma estrutura construída (usando a Geometria Sagrada) com lógica e harmonia - um milagre de engenharia natural – da qual retira o bem mais precioso: o alimento espiritual do mel. Assim como a abelha é uma construtora, o maçom labora, por si, mas também contínua e organizadamente. 
Este símbolo maçónico aparece em antigos estandartes e aventais, e no grau de Mestre Maçom dos rituais mais antigos da Nossa Ordem, desde, pelo menos, o início do século XVIII [o catecismo maçónico irlandês datado de 1724 refere-se-lhe: “Uma abelha tem sido, em todas as épocas e nações, o grande hieróglifo da Maçonaria, pois supera todas as outras criaturas vivas na capacidade de criação e de aumentar a sua habitação. Construir parece ser da própria essência ou natureza da abelha”. A renovação dos rituais, a partir de 1813, ignora este símbolo, remetendo-o para o uso em Lojas de Pesquisa, com exceção da Maçonaria Americana, que manteve a sua importância no Ritual. As revisões dos ritos, quando feitas por quem não assimilou todo o seu significante, resulta no "símbolo perdido". Mas a actualidade dos tempos apela, insistentemente, à nossa qualidade de Obreiros na construção de colmeias de que jorre o alimento espiritual de que carecemos. Num tempo em que valores e princípios foram relegados para o esquecimento, lembremo-nos que, também nós, no nosso seio, nos tornámos preguiçosos no labor, e perdemos essa capacidade e necessidade de nos organizarmos para ser produtores vivos da Palavra e da Acção. Talvez tenha sido o apagamento da figura da Abelha-Rainha e o afastamento das mulheres no labor conjunto da Ordem que conviu a quem reviu os ritos. Porém, hoje, a Colmeia só jorrará mel se o trabalho for uno e concertado. Pensemos nisto.  
Dat Rosa Mel Apibus: "A rosa dá o mel das abelhas" depois de gravura de Johann Thedore Debry (m. 1598)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

"Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu a Constituição até hoje?" - Questões colocadas ao Pedro!

"Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu a Constituição até hoje?" 
"Pedro, por falar nesta tua frase, gostava de te deixar algumas questões:
Alguém se lembrou de perguntar a opinião de milhões de portugueses acerca da formação de centenas de especialistas não existentes para aeródromos ausentes, por conta dos amigos?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de eleitores o que achavam da carta de demissão de Victor Gaspar? 
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de eleitores o que pensavam da demissão irrevogavelmente gelatinosa de Paulo Portas? 
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses o que consideravam da trapalhada pestilenta dos esquemas SWAP dos amigos do Governo e de alguns governantes envolvidos? 
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses o que fariam com Maria Luis Albuquerque depois desta mentir descaradamente?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses se pretendiam pagar o resultado da imensa roubalheira do trupe laranja do BPN sem qualquer direito a uma transcrição amiga duma escuta ou relato de conversa suculenta entre politicos ainda no activo?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses se pretendiam salvar o BANIF disfarçando o frete aos teus amigos para o povo não se assustar com um possível BPN "parte 2"?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses qual a sua opinião sobre a privatização da TAP, da RTP, da EDP, dos CTT ou das Águas de Portugal?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses se queriam comprar tanques avariados ou submarinos com brinde e bónus?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de jovens ou seniores se queriam mesmo emigrar?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de jovens licenciados se se sentiam enganados pelo Estado que os estimulou a fazer formação e depois exterminou deliberadamente o mercado de trabalho que os deveria acolher?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de reformados que pagaram todas as obrigações fiscais durante a sua carreira contribuitiva se queriam ser "amputados" na prestação prometida pela Estado?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de pensionistas se ficavam ofendidos caso o Estado fosse mesmo uma "pessoa mentirosa" e "de má-fé"?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de cidadãos se ficavam chocados caso alterassem as regras para pedido de reforma antecipada e anunciassem isso depois de fecharem os balcões onde se poderiam dirigir para a solicitar?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de eleitores que votaram ao longo dos anos num tal de Partido Social Democrata se não achavam que essa designação era publicidade colossalmente enganosa?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de contribuintes se concordavam em tapar o colossal buraco das burlas e fraudes nas contas laranjas do Governo Regional da Madeira?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de contribuintes se queriam sofrer um dos maiores aumentos de carga fiscal do planeta?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de utilizadores do SNS se o queriam extinguir ou reduzir a um sistema de fraca qualidade e mais caro para o utilizador que os serviços privados geridos pelos amigos do teu Governo?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses qual a sua opinião sobre o retalhamento do território nacional a régua e esquadro de acordo com uma carta de interesses de amigos, mecenas ou patronos do teu Governo?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses o que pensavam da venda do BPN em condições absurdamente lesivas para o Estado, a preço de saldo?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de residentes em território nacional se os tribunais das suas regiões ou localidades podiam encerrar sem alternativa próxima?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses se subscreviam ataques ou intimidações a juizes do Tribunal Constitucional?
Alguém se lembrou de perguntar a dezenas de milhares de professores e ao Mário Nogueira se concordam com o destino que lhes impuseste?
Alguém se lembrou de perguntar a milhões de portugueses se querem aguentar durante mais tempo a tua receita funesta de ruína para o presente e destruição para o futuro?!!?" (blog Câmara dos Comuns)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A inconstitucionalidade da "requalificação" - Ainda acreditamos?

O ACÓRDÃO N.º 474/2013 a pontuar mais uma declaração de inconstitucionalidade. O diploma que camuflava despedimentos sobre a dita "requalificação" que podiam finalizar na cessação de contratos, nomeadamente, "a racionalização das receitas do Estado, a necessidade de requalificação e, depois, o cumprimento da estratégia estabelecida" com a troika, configurando "causas novas para um processo de requalificação mas que em confronto com o anterior regime pode conduzir à cessação", o TC entendeu que a garantia da segurança no emprego e a manutenção do emprego é central: por maioria de seis votos em sete, com o conselheiro Cunha Barbosa a não votar favoravelmente a declaração de inconstitucionalidade. Quanto ao outro ponto, relativo ao princípio de protecção de confiança, o conselheiro Sousa Ribeiro afirmou que "quando em 2008 se estabeleceu o regime do contrato de trabalho, havia uma norma de salvaguarda quanto à cessação do contrato de trabalho. Entendeu-se que estava criada uma acção positiva do Estado num ambiente normativo em que as preocupações de racionalização de efectivos já se fazia sentir, o Estado entendeu dar essa garantia. Gerou-se uma confiança reforçada dos trabalhadores (...) e este interesse aqui não estava claramente defendido. Era desproporcionalmente afectada a confiança que legitimamente estes trabalhadores tinham". Aqui, não houve dúvidas, e a opção pelo chumbo foi unânime entre os juízes. Mais uma pedra no sapato nas políticas agressivas do Governo. Ainda acreditamos?

Satisfação pelos males dos funcionários públicos? Acordai!

A quem exulta de satisfação com o aumento do horário na função pública e com o corte nos subsídios, um recadinho: Porque é um facto que essas pessoas (e todos os outros trabalhadores do privado) já sofreram vários cortes no seu rendimento,fosse por via aumento de impostos e corte de subsídios fosse indirectamente por causa das consequências da crise - salários em atraso/salários cortados - lembro que, ainda não está em vigor a última alteração que reduziu a compensação por despedimento para 12 dias, e já se fala em pressões do FMI para cortes nos salários do privado, em cortes no salário mínimo e em cortes nos salários (abaixo do salário mínimo) dos jovens até 24 anos ou em alternativa nos três primeiros anos de contrato. Lembro que a redução de salários baseia-se num relatório com dados viciados, que omite os cortes dos últimos dois anos (27% dos trabalhadores no privado já sofreram cortes no seu vencimento). As pessoas que trabalham no privado e que exultam com os cortes brutais que caem sobre os funcionários públicos que aguardem a sua vez, que está para breve. Assim se fez na na Grécia. Aos cortes no rendimento dos trabalhadores da função pública seguir-se-ão os cortes no rendimento dos trabalhadores do privado. É assim que funciona a desvalorização salarial que o programa de ajustamento pressupõe. Todos sofrerão excepto os que estão no topo da pirâmide. Vítor Gaspar já dizia que os portugueses eram "o melhor povo do mundo". E era exatamente disto que ele falava! Lembrem-se das palavras de Martin Niemoller: " Primeiro vieram ...(até que) Já não restava ninguém para protestar."

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Discurso iniciático - Martinismo





"Mas compreende bem, meu Irmão, uma terceira e última vez to adjuro; compreende bem que o Altruísmo é o único caminho que conduz ao único fim, isto é, a reintegração dos sub-multiplos na Unidade divina; - a única doutrina que fornece o meio, que é a desobstrução dos entraves materiais, para a ascenção através das hierarquias superiores para o astro central da regeneração e da paz. Não esqueças que Adão Universal é um Todo homogéneo, um ser vivo do qual apenas somos os átomos orgânicos e as células constitutivas. Todos vivemos uns nos outros, uns para os outros e fôssemos igualmente salvos (para empregar a linguagem cristã) não cessaríamos de sofrer e de lutar, uma vez que não estivessem salvos, como nós, todos os nossos irmãos. O Egoísmo inteligente conclui pois como concluiu a ciência tradicional: a fraternidade não é pura ilusão, é uma realidade de facto. Quem trabalha para outrem, para si trabalha; quem mata ou fere o seu próximo, fere-se e mata-se; quem ultraja, insulta-se. Que não te aterrorizem estes termos místicos: a alta doutrina nada tem de arbitrário; somos os matemáticos da ontologia, os algebristas da metafísica. Lembra-te, filho da Terra, que a tua ambição suprema deve ser a de reconquistar o Eden Zodiacal, donde não deverias jamais descer e de reentrar enfim na Unidade inefável, fora da qual nada és e no seio da qual nada encontrarás, após trabalhos e tormentos, aquela paz celeste, aquele sono consciente que os Indus conhecem sob o nome de Nirvana: a beatitude Suprema da Omniscência, em Deus." (Discurso iniciático para uma recepção na Ordem Martinista (3º Grau), Maçonaria Iniciática, Code Maçonnique, João Antunes, Livraria Clássica Editora, Edição limitada 236/250)

Crianças da Síria - O Grito!

Crianças na Síria. Onde foi que ficou o coração do homem? "Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexactas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroxima A rosa hereditária A rosa radioactiva Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atómica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada." (Vinícius de Moraes)

terça-feira, 30 de julho de 2013

Os swaps e os splashs do Verão do nosso descontentamento

Yes, Minister. A trágico comédia protagozinada pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, num enredo riquissimo de contradições e de omissões, de inverdades, de deformações, de falhas, de deficiências e de lapsos. O I Acto começou há coisa de um mês. Cena swap, ainda a sua vida corria tranquilamente no limbo e no conforto das delegações de competências inerentes ao seu estatuto de secretária de Estado do Tesouro. Aqui ficam as declarações sobre que radicam esta polémica: - 25 de junho - Maria Luís Albuquerque, na primeira audição da comissão de inquérito aos swap. "Quando este Governo entrou em funções, o problema relativo aos 'swap' contratados por empresas públicas já existia, contratados por empresas públicas já existia, tendo mesmo motivado a emissão de dois despachos do anterior Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, em 30 de janeiro de 2009 e 9 de junho de 2011. Apesar disso, na transição de pastas, nada foi referido a respeito desta matéria." "Se tivesse sido alertada no dia 30 de junho era capaz de ter atuado um pouco mais cedo". "Mantenho que não me foi transmitido, que não me foi passado nenhum documento na pasta de transição, mantenho que não foi passada essa informação na reunião com o senhor ex-Secretário de Estado [Costa Pina]. Posso informar o senhor deputado que não estive presente na reunião entre o atual e o anterior Ministro das Finanças e, como tal, sobre essa não posso responder." "Relativamente a esta matéria e para lidar com o problema, não havia nenhum trabalho feito e ele começou do zero, sim. Confirmo isso. Tirando o reporte da informação, que tinha já sido estabelecido na vigência do Governo anterior, tirando o reporte da informação nos relatórios da DGTF [Direção-Geral do Tesouro e Finanças], de facto, nada mais estava feito". "Efetivamente, quando cheguei a estas funções não só não encontrei uma proposta de solução como não encontrei uma referência ao problema." "Na pasta de transição não foi feita qualquer referência ao tema dos derivados. Havia um despacho, o qual não estava também nessa pasta de transição mas que veio ao meu conhecimento depois, que introduz um conjunto de obrigações de reporte." - 29 de junho - - Ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos à Lusa. "Na altura da transição de pastas, eu tive uma reunião num sábado, nas vésperas da tomada de posse do novo Governo, dia 18 de junho, com o atual ministro das Finanças", onde foi transmitida "toda a informação necessária sobre a matéria". "Durante a conversa a dois, o professor Vítor Gaspar interrogou-me sobre esta matéria, porque tinha tido informações quanto a algumas situações que, de facto, mereciam preocupação. E eu sugeri-lhe que, sendo esta uma matéria que estava a ser conduzida pelo secretário de Estado, que aguardássemos pela parte seguinte da reunião, onde todos estaríamos juntos, e o secretário de Estado informá-lo-ia sobre o que estava em curso e o que tinha sido feito. E assim foi". "Foi solicitada informação às empresas, foi solicitada informação à Direção-Geral do Tesouro e das Finanças para ser disponibilizada ao Governo que iria entrar em funções dentro de dias toda a informação necessária sobre a matéria". - 30 de junho - Comunicado do Ministério das Finanças à Lusa. "A questão foi abordada na reunião de transição entre o ex-ministro Teixeira dos Santos e o atual ministro, Vítor Gaspar (e depois no encontro que teve a presença dos secretários de Estado do anterior executivo)". "A questão dos contratos de derivados foi suscitada por iniciativa do atual ministro das Finanças. A motivação era, por um lado, a preocupação com a grandeza das responsabilidades contingentes, com efeito sobre o Orçamento do Estado e, por outro, o conhecimento público da existência destas operações (em particular no Metro do Porto)". "Nas pastas de transição do ministro das Finanças e da secretária de Estado do Tesouro e Finanças não constava um tópico dedicado aos contratos de derivados financeiros nas empresas públicas". "A informação disponível aquando da tomada de posse do atual Executivo dava alguma indicação quanto à dimensão dos riscos orçamentais, mas nada acrescentava sobre as características dos contratos e, sobretudo, não apontava para nenhuma solução". - 01 de julho - Maria Luís Albuquerque no primeiro 'briefing' diário do Governo. "Na pasta de transição entre mim e o então secretário de Estado Carlos Costa Pina esta questão [dos 'swap'] não foi suscitada e não consta qualquer documento sobre esta matéria, nem o despacho que o [então] secretário de Estado emitiu com data de 09 de junho de 2011, já depois das eleições". "Aquilo que existia era um pedido de informação às empresas feito através da DGTF e que deveria passar a ser incluída nos relatórios periódicos desta entidade". O Governo começou "a trabalhar do zero". - 11 de julho -Teixeira dos Santos garante, na comissão de inquérito, que na pasta de transição para Vítor Gaspar constava "uma ficha" com os despachos do ex-secretário Costa Pina pedindo relatórios sobre as responsabilidades financeiras das empresas públicas, nomeadamente 'swap'. O documento foi distribuído pelos deputados. A ficha refere-se a uma das obrigações contratualizadas com a 'troika', que exige um relatório com os riscos orçamentais das perdas potenciais associadas às empresas públicas, detalhadas e analisadas. Inclui perdas com 'swaps'. - 23 de julho - Pedro Rodrigues Felício, antigo diretor-geral do Tesouro, na comissão de inquérito. "No dia 29 de junho, mandei um e-mail [a Maria Luís Albuquerque] com o ponto de situação sobre o 'mark-to-market' dos contratos, com o grosso dos valores relativos a quatro empresas, que na altura eram de 1,4 mil milhões de euros". "A 26 de julho foi enviada a primeira versão relativa a 2010, que tinha com detalhe os 144 contratos com perdas potenciais que na altura rondavam os 1,5 mil milhões de euros". "Afinal eram 145 operações. Em 03 agosto foi entregue a lista atualizada para 1,6 mil milhões de euros [de perdas potenciais]". "Se me perguntam se [a informação] tinha os critérios mais tarde definidos como 'swap' especulativos, não tinha. Esses critérios foram estabelecidos entre o IGCP [Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública] e uma entidade contratada pelo IGCP". Ex-secretário do Tesouro e Finanças Costa Pina, na comissão de inquérito, referindo-se ao que falou com Maria Luís Albuquerque na reunião de transição de pastas de 29 de junho de 2011. "Mais foi informada do que havia sido transmitido ao senhor ministro Vítor Gaspar sobre a questão dos IGRF [Instrumentos de Gestão de Risco Financeiro], tendo-lhe sido igualmente sugerido que de imediato chamasse o Diretor-Geral do Tesouro e Finanças, Pedro Felício, para que este lhe apresentasse o estado do trabalho em curso". - 24 de julho - Maria Luís Albuquerque, aos jornalistas, à saída da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças: "Eu continuo a dizer que não minto e que aquilo que disse continua a ser verdade". - 25 de julho - Troa de emails entre Maria Luís Albuquerque e o ex-diretor-geral do Tesouro e Finanças Pedro Felício demonstra que em junho e julho de 2011 a agora ministra das Finanças tinha informação sobre 'swap', assim como de perdas potenciais na ordem de 1,5 mil milhões de euros. O primeiro email faz um ponto de situação sobre o valor a preço de mercado dos contratos 'swap' nas principais empresas (Metro de Lisboa, Metro do Porto, CP e Refer). Na segunda mensagem, Pedro Felício envia à então secretária de Estado do Tesouro e Finanças um anexo com os 'swap' das principais empresas, com detalhe dos bancos e tipo de contrato. O ficheiro Excel contém detalhes de 145 contratos celebrados com 9 empresas públicas e a Parpública, valores, e testes de sensibilidade às variações das taxas de juro. A troca de emails diz respeito aos dias 29 de junho, 18 de julho, 26 de julho e 01 de agosto. - 25 de julho - Maria Luís Albuquerque em entrevista à SIC: "Tenho memória [da receção dos emails]. Continuo a dizer que não menti". Emails eram "insuficientes" para conhecer dimensão do problema. "Tínhamos conhecimento de 146 ou 147 operações e acabaram por ser analisadas mais de 250, porque foi preciso ir à procura do histórico". - Fonte do gabinete do primeiro-ministro declara à Lusa: "O senhor primeiro-ministro mantém toda a confiança na ministra das Finanças" - 26 de julho - Maria Luís Albuquerque na apresentação da reforma do IRC. "Direi apenas que mantenho aquilo que disse, que serão prestados todos os esclarecimentos sobre dúvidas que eventualmente existam e mais tenho a convicção que a comissão parlamentar de inquérito quando concluir os trabalhos e estiver na posse de todos os esclarecimentos não poderá deixar de concluir que a atuação determinada deste governo, que resolveu um problema preexistente, foi correta e completamente adequada." E ainda a procissão vai no adro. Uns nos swap, outros no splash. O triste Verão do nosso descontentamento.