domingo, 22 de abril de 2012

Curiosidades da semana

Semana fértil em preocupações e disparates, ainda na ressaca do dia das mentiras e já a deixar-nos preocupados sobre o (ainda) significado de abril.A 17 de Janeiro, pondo fim a uma autêntica maratona (em que tentamos acreditar que “realmente” se negociava alguma coisa de relevo para os trabalhadores), a UGT assinou o acordo de Concertação Social, aquele a que o Álvaro (Santos Pereira) apelidou de acordo "para a competitividade, crescimento e emprego". João Proença veio dar conta da sua indignação por o Governo não estar a cumprir o acordo tripartido (e nós convencidos que ele sabia de antemão que este não era para cumprir!), manifestando a sua indignação pelo desrespeito pela promessa de publicar as portarias de extensão - de acordos coletivos de trabalho – as tais que alargariam as condições de trabalho acordadas entre as estruturas sindicais e patronais aos trabalhadores não sindicalizados ou associados em sindicatos não subscritores e o desrespeito ao acordo por negociar medidas no âmbito do Memorando da 'Troika' que vão contra o acordo de concertação social", a par de nada fazer quanto às prometidas medidas promotoras do crescimento económico e emprego. O João veio para as televisões, em grande algraviada sobre coisas do género: rompo o tratado se não ….., como se o Governo se preocupasse com as suas súbitas indignações e perplexidades, o que Passos Coelho fez questão de deixar claro quando chamou a tal verborreia “uma birra momentânea”. Pior não podia ter sido. Lembra a frase “Todo homem tem seu preço, diz a frase. Não é verdade. Mas para cada homem existe uma isca que ele não consegue deixar de morder." Compreendido? Futuro da Europa e de Portugal a jogar-se em França, nas eleições francesas e em Madrid, na derrocada espanhola e em Washington, no relatório "político" do FMI. Só resta à Europa (tal como a vimos e queremos!) refundar-se ou afundar-se. Numa ou outra hipótese vamos por arrasto. Lamentavelmente, o Governo português não parece ter qualquer ideia sobre ou da política europeia, e seria interessante (ao menos como compensação para os que nele votaram!) dizer-nos o que pensa sobre as repercussões adivinháveis com a pressão de uma Espanha apavorada pelas taxas de juro ascendentes, com a disposição do FMI (aparentemente, de manter uma Europa unida) e de uma França indisponível para entregar o poder à Alemanha. Mas, enfim, limitamo-nos a ser espectadores e intérpretes desta opereta por conta e risco próprios. Rezando, percussores da mesma fé com que Assunção Cristas esperou que chovesse, para que vingue o projeto de paz. Discutida esta semana a indicação de nomes apontados pelos partidos para o Tribunal Constitucional (e talvez fosse interessante aproveitar para recordar que o, também, o Presidente do Tribunal de Contas é nomeado pelo Presidente da República sob proposta do Governo para um mandato de 4 anos (ideologias partidárias à parte, ou talvez não!)), remetendo-nos para a discussão sobre a perigosa partidarização de uma instância que é a réstia de esperança de um povo que se vê trucidado por uma amálgama de leis de mais que duvidosa constitucionalidade, como o são as normas do Orçamento do Estado para 2012 relativas a cortes de subsídio e férias dos funcionários públicos. Mais que relevante manter a independência de julgamento numa época em que o vale tudo tomou conta de uma parte significativa do aparelho administrativo/legislativo. Controversa com as afirmações de Passos Coelho ao Financial Times, em que este sublinhou que "não há garantias" de que, em setembro de 2013, o País possa já recorrer aos mercados como qualquer outro país. Claro que teríamos preferido que o Primeiro tivesse sido claro cá dentro mas postos perante a “verdade” dita em terras estrangeiras para nos dar tempo para interiorizar a triste realidade, está conseguida a sua intenção. Já nos consciencializámos. A Moody's é que não lhe liga nenhuma! Porque será? "O País chegou de facto à bancarrota", disse Paula Teixeira da Cruz. Isto é que é a rapidez do eco! Como diz o povo, “aquele” é sempre o último a saber! Disparate perfeito para o novo regulamento do Hospital de Braga 'Fardamento e regras de conduta dos colaboradores do Hospital de Braga' que dá dicas (admita-se que algumas seriam dispensáveis apenas pala aplicação de elementares regras de bom gosto) sobre maquilhagem, cores de cabelo, tamanho de saltos de sapato, cores de sapatos (clássicos), cintos e meias, tamanho e cor de verniz de unhas, gancho de cabelos e outras preciosidades, convidando os funcionários, colaboradores e prestadores a uma hegemonia de aparato, tipo farda, desprezando a liberdade de cada um em se mostrar ao mundo como lhe aprouve. Num momento em que tudo se joga no País e em que todos os serviços públicos se debatem com a precariedade da força de trabalho e a escassez de recursos haja ainda quem tenha paciência para, entre polémicas sobre o acordo de Concertação Social (que “só” pode paralisar “tudo”) e entre a dependência do futuro da Europa e de Portugal dos resultados da política europeia (ocasos das eleições francesas, soluções da Espanha e “caprichos” dos alemães), pensar no que “fica bem” e no que “cai mal”! Somos ou não gente de pão e circo?!

domingo, 15 de abril de 2012

Hino de Jizô (“A Lenda do Sussurro de Sai-no-Kawara”) - riquezas de construção!

Hino de Jizô (“A Lenda do Sussurro de Sai-no-Kawara”).
“Não é desse mundo essa história de tristeza. A história de Sai-no-Kawara, Aos pés da Montanha de Shide; - Não é deste muito este conto; ainda é mais triste de ouvir. Juntos em Sai-no-Kawara são reunidas Crianças de tenra idade na multidão, - Crianças de dois ou três anos, Crianças de quatro ou cinco, crianças com menos de dez anos; Em Sai-no-Kawara elas se reúnem. E a voz de seu desejo de seus pais, A voz do choro de suas mães e de seus pais - Nunca é como a voz do choro das crianças nesse mundo, É um choro tão lamentável de ouvir Que o seu som perfuraria carne e osso. E triste de verdade é a tarefa que executam, - Recolher as pedras do leito do rio, E com elas empilham a torre de orações. Recitando orações pela felicidade do pai, eles empilham a primeira torre; Recitando orações pela felicidade da mãe, eles empilham a segunda torre. Recitando orações para seus irmãs e irmãs, e para todos aqueles amados em casa, eles empilham a terceira torre. Essas, por dia, são suas lamentáveis diversões. Mas sempre que o sol começa a afundar no horizonte, É quando os Oni, os demônios do mundo inferior, aparecem, E dizem a eles – “O que é isso que você faz aqui? Veja! Seus pais ainda vivem no mundo de Shaba Não faça oferendas piedosas ou trabalhos sagrados: Eles não fazem nada além de chorar por você desde a manhã até a noite. Oh! Que vergonha! Ai de mim! Que cruel! Em verdade, a causa da dor que você sofre, É apenas o luto e o pranto de seus pais”. E ainda dizem, “Não nos culpe!” Os demônios derrubam as torres. Eles derrubam as pedras com suas clavas de ferro. Mas vejam só! O professor Jizô aparece. Todo gentil ele vem, e diz para as crianças chorando: - “Não tenham medo, queridos! Nunca sejam temerosos! Pobres pequenas almas, suas vidas foram breves, de fato! Muito cedo vocês foram obrigados a fazer a cansativa viagem para Meido. A longa viagem para a região dos mortos! Acreditem em mim, Eu sou seu pai e sua mãe em Meido, Pai de todas as crianças na região dos mortos!’ E ela dobra a saia de seu brilhante manto sobre elas; Então, graciosamente, ele tem piedade das crianças.
Para aqueles que não podem caminhar ele estende seu forte shakujou, E ele acaricia seus pequenos, leva-os ao seu peito amoroso. Então, graciosamente, ele tem piedade das crianças. Namu Amida Butsu!”

quinta-feira, 12 de abril de 2012

UM PAÍS ADORMECIDO E SEM HIPÓTESES DE RESCALDO

“Precisando um príncipe de saber usar bem o animal, deve tomar como exemplo a raposa e o leão; pois o leão não é capaz de se defender das armadilhas, assim como a raposa não se sabe defender dos lobos. Deve, portanto, ser raposa para conhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos.”, disse Nicolau Maquiavel. A frase aplica-se àquele fenómeno do súbito aparecimento de fortunas ‘ex nihilo’, sem mais nem porquê, por parte de “servidores do Estado” que, em puro espirito de missão, aceitam cargos públicos, muito mal pagos e que só lhe dão dores de cabeça e outras maleitas graves e sem remédio conhecido, amealham desalmadamente (do género, milhares e milhões de vezes multiplicadas pelo que ganham e declaram ao fisco). Claramente estava em causa a inversão do ónus da prova, ao arrepio da presunção constitucional de inocência e de dúvida em favor do arguido,. Não foi, pois, de espantar que o Tribunal Constitucional se pronunciasse pela inconstitucionalidade do diploma. Mas ninguém soube explicar isto ao “povo”! Mais uma vez, Governo (na sua afoita atitude do quero, posso e mando) e Oposição (na sua insipida atitude de “nem por isso”) limitaram-se a fazer alarido duma situação que dá demasiado nas vistas para ser aceite e silenciada.

Já desiludidos de qualquer sinal válido e credível de esperança para o País, fomos surpreendidos pela mensagem de que Portugal vale a pena para o investimento estrangeiro, a acreditar na mensagem do suplemento do Financial Times. Foi uma lufada de maresia. Foi um perfume primaveril.

O atual primeiro-ministro que bateu e jurou, a lembrar um namoro adolescente, que “jamais” eliminaria os subsídios de férias e de Natal, passou de bestial a besta, aqui lembrando uma daquelas desilusões ao fim de um prolongado período de encantamento (in casu, eleitoral). Foi uma tristeza e estou convicta de que muita gente se tornou descrente na política por causa deste arrazoado de truques e trejeitos linguísticos que recriaram o anedotário político nacional.

Fazendo as contas, um trabalhador que ganhe o salário médio (900 €), recebe líquido cerca de 711 €, descontando 11% para a Segurança Social e uma taxa aproximada de 10% de IRS. Dizem os trabalhadores que ganham pouco. É um facto. Os patrões queixam-se que, para garantirem esse salário, têm de dispor de mais do dobro (aos 900 €, a empresa acrescer mais 23,75% de taxa social única e 1% de seguro, no total de 1123 €). O que significa que o trabalhador não chega a receber metade do que a empresa efetivamente gasta com ele. É um facto! Vivam o desaceleramento e o empreendorismo no papel!

Pedro Nuno Santos, Isabel Moreira, Pedro Alves, Rui Duarte, Duarte Cordeiro e João Galamba podem vir a ser “convidados” a votar a favor do Tratado Orçamental, contrariando os que acreditavam que António José Seguro ia dar abébias à sua híper-cautelosa forma de se gerir, de gerir o PS e de gerir a bancada parlamentar. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém e um líder que é líder tem de pensar no amanhã e nas enormes vantagens de ser “flexível”. O que me lembra uma frase da Agustina Bessa-Luís “ O País não precisa de quem diga o que está errado: precisa de quem saiba o que está certo.”

Porque se devem assumir os Maçons?! O caso actual em França

Francs-maçons, bas les masques!, artigo do Nouvel Observateur

René Ricol invite les membres des obédiences à faire leur "coming out". Un avis partagé par Alain Bauer, Jean-Paul Delevoye et Jean-Michel Quillardet, qui témoignent.

"Le secret permet toutes les manipulations". René Ricol invite les membres des obédiences à faire leur "coming out". BERTRAND GUAY / AFP

Que préconisez-vous donc ?

- La France a deux voies possibles et complémentaires. La première s'appelle l'autorégulation. C'est une transparence à l'américaine : les maçons disent eux-mêmes qu'ils appartiennent à telle ou telle loge. L'autre voie, plus large, prendrait la forme d'une loi imposant à toute personne qui occupe une fonction publique de se déporter sur quelqu'un d'autre lorsqu'elle est en conflit d'intérêts ou lorsqu'une situation risque de limiter son indépendance, ou même l'apparence d'indépendance. Certains pays - l'Italie et le Royaume-Uni - se sont déjà occupés de ce problème. En Angleterre, il a été demandé aux magistrats et aux fonctionnaires de police de déclarer leur appartenance à la maçonnerie. En Italie, être magistrat et franc-maçon a été jugé incompatible. La Cour européenne des Droits de l'Homme a toutefois fixé des limites en remettant en question, en 2007, une loi adoptée par une région italienne qui imposait à chaque candidat à un poste public de déclarer son appartenance à la maçonnerie. Cela a été jugé discriminatoire. Il faut donc tenir compte de cette jurisprudence.

Nombre de maçons tiennent toutefois beaucoup à ce secret, qui peut paraître archaïque.

- C'est historique. Il est vrai qu'il y a eu des épisodes dans le passé où les francs-maçons ont été menacés. Avant la Seconde Guerre mondiale, il y avait des attaques violentes à leur encontre. Ils ont été poursuivis par le régime de Vichy. Cela légitime toujours aux yeux de certains le maintien de la confidentialité. Mais est-ce un bon argument ? Les temps ont changé. Je remarque enfin que ceux qui sont transparents sont gagnants. Prenons un exemple à gauche, Gérard Collomb [maire de Lyon, ndlr], ou un autre à droite, Xavier Bertrand [ministre du Travail, ndlr]. Le fait que l'on connaisse leur appartenance à la maçonnerie ne leur a pas nui. Au contraire.

Pourquoi lancer cet appel maintenant ? De toute évidence, cette tradition de secret de la maçonnerie française vous dérange depuis longtemps...

- L'élément déclencheur pour moi a été un article du "Point" qui me prêtait un rôle qui n'était pas le mien dans l'affaire Veolia [tentative de renversement de l'actuel PDG, Antoine Frérot, pour le remplacer par Jean-Louis Borloo, ndlr] sous prétexte que j'étais franc-maçon, ce que je ne suis évidemment pas. Cela m'a profondément choqué. Tout d'abord, si j'étais franc-maçon, je le dirais. Ensuite, en raison du secret lié à l'appartenance maçonnique, des manipulations d'informations sont faciles, et ce genre d'affirmation peut jeter le doute sur les conditions dans lesquelles j'exerce aujourd'hui mes missions d'intérêt général, ou dans lesquelles j'exercerai à nouveau mon métier d'expert-comptable demain quand je serai de retour à mon cabinet.

Et, comme il faut toujours s'appliquer à soi-même les règles de transparence, aujourd'hui j'affiche plus ouvertement mon engagement chrétien.

Maquiavel e marketing político, ou a falta dele!


Maquiavel e o marketing político, por Luis Nazaré, Jornal de Negócios
«A actual maioria ousou contrariar as regras dos compêndios de gestão estratégica e conseguiu conquistar um invejável posicionamento de mercado. Em campanha, prometeu rigor e esperança. Entregou empobrecimento e desânimo. E o mercado aceita, sem especiais manifestações de desagrado.
Há, no marketing estratégico, um conceito de difícil gestão designado por posicionamento. Trata-se, em síntese, de construir na mente do consumidor uma imagem distintiva do produto que lhe pretendemos vender, capaz de estabelecer uma relação de fidelidade comercial assente na robustez e na estabilidade da oferta de valor. Na política, passa-se o mesmo – tudo se joga na relação entre as expectativas dos eleitores e o produto oferecido pela governação. Pois bem, a actual maioria ousou contrariar as regras dos compêndios de gestão estratégica e conseguiu conquistar um invejável posicionamento de mercado. Em campanha, prometeu rigor e esperança. Entregou empobrecimento e desânimo. E o mercado aceita, sem especiais manifestações de desagrado. Será o dealbar de uma nova teoria de marketing político, adaptada às idiossincrasias nacionais, ou estaremos perante um caso de estudo etéreo, que só um contexto internacional imprevisível consegue explicar?
Na verdade, os portugueses interiorizaram um cenário de desgraça, prestando pouca ou nenhuma atenção às promessas da classe política, cientes de que os bons tempos do consumo e do crédito fácil não regressariam tão cedo. O actual primeiro-ministro negou em campanha que tivesse a intenção de eliminar os subsídios de férias e de Natal? Que importa, se todos sabiam que a sua supressão era certa? Foi mesmo uma gaffe o desencontro verbal entre governantes quanto ao período de carência? Se foi, não produziu quaisquer consequências visíveis – o facto só mereceu destaque nos debates parlamentares e nos comentários rebuscados dos analistas políticos, que o povo já percebeu o filme todo.
É este o invulgar mérito da maioria governamental. Voluntária ou involuntariamente, soube preparar um ambiente de resignação e descrença perante um contexto económico reconhecidamente hostil, umas contas públicas debilitadas e uma Europa pífia. Ao completo arrepio das teses de Maquiavel, vai distribuindo as malvadezes aos bochechos, guardando as boas notícias para mais tarde, de um só fôlego, lá para 2015. Se as houver. Aqui reside o fulcro da questão política. Os portugueses parecem estar disponíveis para mais e mais sacrifícios, conformados com o destino e indiferentes perante um futuro de que nem querem ouvir falar, mas não perderam, como nenhum povo perde, a sua noção dos limites de utilidade. O posicionamento de marketing da actual maioria governamental comporta riscos sérios – os portugueses interiorizaram a austeridade e o empobrecimento, mas dificilmente se reverão num discurso esperançoso, que intuem como táctico e desconforme com a matriz de expectativas negativas que criaram. Entre outras, é esta a dificuldade principal do ministro da Economia.
Além de circunstâncias específicas ao personagem e da emergência da crise financeira mundial, foram exactamente as dissonâncias de posicionamento político que liquidaram Sócrates. Os portugueses viam-no como um dirigente ambicioso, capaz de encetar mudanças e induzir progresso. Enquanto essa percepção durou – com políticas agressivas no domínio da ciência, um élan reformista na Administração Pública, festa nas escolas, expansão das redes viárias e diplomacia económica activa – Sócrates viu a intelligentsia nacional a seus pés e o povo confiante. Quando chegou a crise e foi necessário arrepiar caminho, tudo mudou. O quadro de referência mental dos eleitores – e o da intelligentsia lusitana, esse especialmente volátil – não estava preparado para um discurso de dificuldades. Daí à descoberta de "falhas de carácter" e a desmandos das contas públicas foi um passo. O seguinte foi a lapidação.
Patriota que sou, espero bem que o jogo do posicionamento político reverta a favor do povo e que o FMI, no seu 3º relatório sobre Portugal, se engane ao augurar tempos negros para a nossa economia. Se, por alturas de 2015, se revelar certo, será muito interessante revisitarmos Maquiavel. Caso contrário, recomendo a leitura de um bom manual de marketing estratégico.»

domingo, 8 de abril de 2012

Tetelestai!

Jesus Cristo foi crucificado no Calvário (em hebreu, Gólgota, "O Lugar da Caveira"). Muitos de nós procuram na intimidade simbólica e ritualista experimentar essa iniciação frente à caveira, morrendo para o mundo profano e abrindo dentro de nós as portas a esse extraordinário mundo novo. Esta morte, neste lugar concreto, retoma maior significado a acreditar na tradição hebraica (Orígenes, século III), que diz que Adão teria sido sepultado no Lugar da Caveira ou Gólgota, o mesmo local onde Jesus Cristo foi crucificado. Seguindo a profecia, se a humanidade morria com Adão, ela ressuscitaria com Cristo. A caveira de Adão teria sido lavada pelo sangue de Cristo para que todos os filhos de Adão fossem remidos pelo "segundo Adão". O grito proferido do alto da cruz: “Tetelestai" (“está consumado!”). Essa palavra dita nos últimos momentos em que Jesus ofereceu a Sua vida, depois de ter dito: “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu Espírito”, são esclarecedoras quanto ao sentido que o Filho de Deus dava à sua entrega. (Tetelestai era o carimbo colocado sobre o documento de compra de um escravo depois de ser pago todo o preço. Tetelestai era esse registo legal. No primeiro século, pregava-se o documento de acusação de um preso na porta da sua cela. Os crimes de que era acusado e o castigo que lhe tinha sido imposto, estavam descritos nesse documento. Depois do preso ter cumprido a sentença, o documento era retirado da porta, e cancelado pela aposição da palavra tetelestai! O documento era-lhe então entregue, e ninguém podia voltar a acusá-lo dos mesmos crimes). Quando Jesus disse A palavra, queria dizer-nos que “a dívida está quitada”! Lembro que, naquele tempo, a palavra tetelestai era também utilizada nas campanhas militares vitoriosas. Quando um general regressava do campo de batalha, fazia marchar os seus prisioneiros de guerra pelas ruas de Roma e, ao proclamar a sua vitória, gritando: tetelestai… tetelestai. Com este grito de vitória, afirmava que o inimigo tinha sido vencido e que o seu poder havia sido quebrado: Missão terminada!) Foi esta A Sua última palavra antes de expirar na Cruz. Assim Jesus proclamou a Sua vitória sobre o inimigo: Tetelestai!! A obra da cruz foi, é e sempre será completa! Tudo que fazia parte do “tempo antigo” (período antes da Cruz) já passou – “As coisas velhas já passaram…” (2ª Coríntios 5:17). No Gólgota Jesus dividiu os tempos, pondo fim a uma era de maldições, de lei, dogmas, regras religiosas, legalismos farisaicos, acabando com as incertezas e com o medo. Ele abriu-nos as portas do Novo e Vivo Caminho que é a Nova Aliança e trouxe-nos de volta para o Reino. E assim como na visão de Ezequiel, onde um lugar de mortos se tornou um lugar cheio de vida (Ezequiel 37:1-10), o lugar da Caveira, onde Cristo foi morto, se tornou um lugar de renovação para toda a Criação. Paulo disse: “…tudo se fez novo.” (2ª Coríntios 5:17). Recriemo-nos! Reinventemo-nos! Ressuscitemos! Que O Novo Homem tome o lugar do Velho Homem que há em Nós. Vivamos a Páscoa nessa reflexão do que o Mundo exige de Nós. E morramos Nela para nascer de novo!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Hospitaleiro, Tronco da Viúva e Páscoa

“A virtude chamada solidariedade é a união voluntária e a devoção recíproca dos homens.” (Leon Bourgeois) Diz o 22º mandamento: "Com o faminto, reparte o teu pão; aos pobre e forasteiros dá hospitalidade.“
Certo é que o Hospitaleiro - tivesse o Tronco da Viúva força e vigor - tem, nesta altura da Páscoa, um papel precioso. Ir em socorro. Ir em auxílio.
Seria bom que os Ir.'. lembrassem o ensinamento "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21).
A linguagem simbólica do pão e do vinho alude a esse cuidado concreto de alimento material de que o homem carece e de que muitos Ir.'. estão privados.
Cabe a cada um de nós fazer como Melquizedeque e levar pão e vinho à mesa dos mais carenciados. A começar "em casa"!
“Quando vossos filhos vos perguntarem: Que rito é este? Respondereis: é o sacrifício da Páscoa ao Senhor (...).” (Êxodo: 12. 26-28).
Quando Deus disse a Moisés que celebrasse com pão e vinho e, também, ainda, quando, na última Ceia, Jesus comeu com os seus discípulos (Mc 14.12), estava presente aquela maravilhosa cena, na sinagoga de Cafarnaum, por época do banquete de Páscoa, que Jesus aproveitou para relevar a natureza da Sua Eucaristia:"Esforçai-vos, não pelo alimento que se estraga, e sim pelo alimento que permanece até à vida eterna. É este o alimento que o Filho do homem vos dará, porque Deus Pai o marcou com seu selo". (João 6,27). Quando o indagaram sobre a natureza deste alimento eterno, Ele respondeu:"Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim já não terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede." (João 6,35), insistindo:"Eu sou o pão vivo descido do céu. Se alguém comer deste pão viverá para sempre. E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo". (João 6,51) e esclarecendo:"Em verdade, em verdade eu vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Porque minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e eu nele." (João 6,53-56). Cristo partilhava-se assim Todo!
A ideia que nos move quando celebramos a Páscoa é a mesma a que aludimos quando reunimos à volta da mesa e partilhamos o pão e o vinho: "Farás uma mesa de madeira de acácia, cujo comprimento será de dois côvados, a largura de um côvado e aaltura de um côvado e meio. ... Porás sobre essa mesa os pães da proposição, que ficarão constantemente diante de mim." (Êxodo, 25 - 23 e 30) A acácia apela a essa união, a essa fraternidade, a essa dimensão do Todo! A partilha só pode querer significar repartir essa acácia entre mãos. Transformá-la nesse magnífica egrégora (a Cadeia de União retoma aqui Força e Vigor) e converter o símbolo em fraternidade real e efetiva.
Se a mesa do meu Ir.'. não tem pão, não tem vinho, cabe ao Hospitaleiro diligenciar para o milagre dos pães se opere.
O pacto que o Cordeiro de Deus fez connosco ("Selarei com eles um Aliança Eterna..." (Jr 31,39)) foi o de repartir e o de partilhar da sua própria Vida e Morte, tornando-se Ele mesmo a Nossa Mesa.
O hospitaleiro (função em L.'. tão esquecida e menosprezada) assume aqui e agora uma dimensão especial, a de prover, com o Tronco da Viúva, esse pão e esse vinho. A de se tornar a pomba de Cristo, a de ser seu emissário, transportando no bico aquela acácia da solidariedade, que há-de ser o sustento da mesa dos nossos Ir.'..
Ser maçon não é, nesta matéria, uma atitude meramente paliativa, é uma atitude de preocupação, de prevenção e de cuidado.
Que o Hospitaleiro seja o Pão, o Vinho. Que faça do Tronco a mesa farta da Eucaristia. Que seja Amor!