domingo, 25 de março de 2012

Certezas, precisam-se!

«Preciso urgentemente de adquirir meia dúzia de valores absolutos, inexpugnáveis e impenetráveis, firmes e surdos como rochedos.
Preciso urgentemente de adquirir certezas, certezas inabaláveis, imensas certezas, montes de certezas, certezas a propósito de tudo e de nada, afirmadas com autoridade, em voz alta para que todos oiçam, com desassombro, com ênfase, com dignidade, acompanhadas de perfurantes censuras no olhar carregado, oblíquo.
Preciso urgentemente de ter razão, de ter imensas razões, montes de razões, de eu próprio me instituir em razão.
Ser razão!
Dar um soco furibundo e convicto no tampo da mesa e espadanar razões nas ventas da assistência.
Preciso urgentemente de ter convicções profundas, argumentos decisivos, ideias feitas à altura das circunstâncias.
Preciso de correr convictamente ao encontro de qualquer coisa, de gritar, de berrar, de ter apoplexias sagradas em defesa dessa coisa.
Preciso de considerar imbecis todos os que tiverem opiniões diferentes da minha, de os mandar, sem rebuço, para o diabo que os carregue, de os prejudicar, sem remorsos, de todas as maneiras possíveis, de lhes tapar a boca, de lhes cortar as frases no meio, de lhes virar as costas ostensivamente.
Preciso de ter amigos da mesma cor, caras unhacas, que me dêem palmadinhas nas costas, que me chamem pá e me façam brindes em almoços de camaradagem.
Preciso de me acocorar à volta da mesa do café, e resolver os problemas sociais entre ruidosos alívios de expectoração.
Preciso de encher o peito e cantar loas, e enrouquecer a dar vivas,
de atirar o chapéu ao ar, de saber de cor as frequências dos emissores.
O que tudo são símbolos e sinais de certezas.
Certezas! Imensas certezas! Montes de certezas! Pirinéus, Urais, Himalaias de certezas!» (António Gedeão)
E preciso disto com urgência!

A Jota do PSD contra os direitos adquiridos - Volta Sá Carneiro!

Ainda que se chamem empreendedores (do PSD), a imagem da JSD no face levantou burburinho. Ostensivamente contra os direitos adquiridos. Nem critico o PSD por isto que Jotas são sempre jotas, com aquela quota de arrogante sapiência que caracteriza os vinte anitos. Admira-me a forma clara como mostram o que pretendem fazer do partido - aquele a que pertenceu Sá Carneiro e que hoje tanto o entristeceria. Sá Carneiro, aquele que elevou a lei a inderrogabilidade dos 13º e 14º mês - Portugal, a viver a mais violenta crise de valores e direitos sociais (com a classe média a desaparecer e a dar lugar a uma nova classe de pobres e os pobres a falecerem sem abrigo) tem uma casta de gente nova que vive e passa ao lado de tudo isto. É uma espécie de betinhos que vive acima da estratosfera da normalidade- Taxa de desemprego a crescer a níveis intimidativos ("oportunidades para todos"). Efeito da precariedade a fragilizar a estrutura de sobrevivência pessoal e familiar a pretexto da "flexibilidade laboral". Desigualdade económica a marcar um novo espaço ("empreendedorismo"). 11% dos trabalhadores a receber salário mínimo (485 euros). Salário médio entre os 700-800 euros. Revogação do despacho que obrigava à recolha dos dados relativos à greve (que nada interessam numa altura em que se prevê maior número de greves e de grevistas). Criminalização do protesto de greve (entrei em estado de choque quando ouvi deputados do PS dizerem, alto e bom som, que o PS não é um partido de protesto!). Adopção de medidas autoritárias e austeritárias de resultados evidentes ("novas soluções"). Bancos a ter acções de salvamento à custa da coisa pública e do nosso bolso, com cidadãos a entregar casas a maior ritmo que a comprá-las!). Destruição do Estado social e consequências à vista na vida dos mais fragilizados. A própria democracia e ideia de coesão democrática a caírem por terra. Temos, enfim, os Jotas. O rosto-espelho do que nos espera. Laranjinhas que se supõem já laranjas, mas que amargam! Amigos laranjas a indignarem-se com esta tropa quanto Sá Carneiro se indignaria!
A imagem já desapareceu do facebook da JSD. Esta veio do Jugular, via facebook do Rui Bebiano. A imagem é a capa da moção da JSD ao congresso do PSD.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Semelhanças e coincidências

Descobrir as diferenças das “ditaduras das Finanças”

Os politólogos vão reunindo consenso sobre o peso do poder da ala norte do Terreiro do Paço e comparam este poder ao do período 1928-1932, quando Oliveira Salazar assumiu a pasta das finanças para tomar conta das contas públicas. O “fascismo de cátedra” veio acompanhado pela «ditadura financeira» (1928-1932), naquele que foi o mote enunciado na tomada de posse de Salazar: “Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses.”

Pedro Passos Coelho surge, com requintes de marketing político a provar o fado, a saudade, e ate com toques sebastianistas. Para quem via em Sócrates o mancomunado da pátria, este era o rosto da sensatez e da concórdia. Como na vida, também na política, a falta de génio é muito confundida com “sensatez” e a habilidade para estar bem com deus e com o diabo, contrariando o sábio princípio de que “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mateus 6;24), roça de perto a qualidade de cordato (até a oposição é “cordata”, tanto que os deputados socialistas pediram hoje a António José Seguro mais “firmeza”, pedido que, tendo a firme impressão e convicção, ficará em águas de bacalhau). Enganos os dos portugueses quando viram no actual Primeiro Ministro “perfil” de redentor, sendo que este parece mais “rendido” que isso, na companhia de outros de quem se esperaria maior firmeza e que também não estão para ganhar cabelos brancos à conta de “discórdias”.

Os actuais pesos pesados (se bem que o Álvaro vai ficando mais leve, levinho, levezinho), a mando da (dês)governação desta nova ditadura financeira tanto são o ai-jesus da política social-democrata (que me perdoem os sociais democratas que estão mais contra Passos Coelho do que outros menos “firmes”!) como o diabo a sete das hostes do partido da seta para cima.

A coberto do diapasão da troika, ergue-se um novo poder. Mais de 80 anos depois, retoma-se a política do Ministério das Finanças empossado em 1928.

É agora sabido e aceite que as quatro regras de ouro do Governo plagiam as do velho do restelo:

a) Cada ministério compromete-se (com toda a pirâmide competencional e dirigente cheia de dores por conta da Lei dos Compromissos – a Lei nº 8/2012, de 21 de Fevereiro, “Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso” ameaça paralisar ora por inabilidade, ora por incompreensão, ora pela sua genética inaplicabilidade em sectores que exigem uma gestão mais enérgica) a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças, assim numa espécie de guilhotina que colocará, a breve prazo, em estado vegetativo muitos serviços e organismos;

b) Que as medidas tomadas pelos ministérios, com repercussão direta nas receitas ou despesas do Estado, serão antes discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças, sob a sua voz e comando ditatorial;

c) Que o Ministério das Finanças pode opor o seu "veto" a todos os aumentos de despesa corrente ou ordinária, e às despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis, tal como uma eminência parda;

d) Que o Ministério das Finanças se compromete a “colaborar” (quero, posso e mando) com os ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para garantir uma organização segundo critérios uniformes.

Quatro alíneas que não saíram da cabecinha impreparada do Primeiro Ministro mas de António de Oliveira Salazar. Ditas, como verdades absolutas, na sua tomada de posse como ministro das Finanças. Palavras coincidentes, pensamentos semelhantes, acções idênticas.

“Ditadura de doutores” foi a expressão que o presidente do Conselho entendeu própria para qualificar o Estado Novo, consagrada, como formulação doutrinária salazarista, no discurso que proferiu na abertura dos trabalhos do III Congresso da União Nacional que se realizou em Coimbra, no ano crítico para o regime de 1951.

Este doutor “jota” vai pelas mesmas ideias (pensar que no caso do Pedro, entrou para a JSD por causa de um campeonato de cartas no tedioso ano de 1978), mas, “seguramente”, com pouca sapiência e convicção, apesar do brilhante currículo académico ((2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest, SGPS, SA; (2007-2009) Presidente da HLC Tejo,SA; (2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest; (2007-2009) Administrador Não Executivo da Ecoambiente,SA; (2005-2009) Presidente da Ribatejo, SA; (2005-2007) Administrador Não Executivo da Tecnidata SGPS; (2005-2007) Administrador Não Executivo da Adtech, SA; (2004-2006) Director Financeiro da Fomentinvest,SGPS,SA; (2004-2009) Administrador Delegado da Tejo Ambiente, SA; (2004-2006) Administrador Financeiro da HLC Tejo,SA.)

Pedro Passos Coelho vai-nos mostrando (quem não se lembra das mais recentes palavras de Otelo Saraiva de Carvalho?) que " A Democracia é difícil e exigente”. Mas, parafraseando aquele grande social-democrata de quem nos lembramos – neste caso, sim, com saudade – “dela não nos demitimos." (Francisco Sá-Carneiro)

Até porque os portugueses de hoje, como antanho, mantém o sangue na guelra. E, face aos confrontos a que assistimos em dia de greve geral, parece mesmo que a expressão não está de todo desajustada.

segunda-feira, 19 de março de 2012

"Ser gente" - por Adão Cruz

adão cruz num artigo que recomendo sobre "SER GENTE"! (Aventar)
«Quando eu era criança, diziam-me os meus pais que eu tinha de fazer tudo para ser gente. Ser gente? Mas o que é ser gente?
Ao ver hoje o que se passa à nossa volta, ao ver a deterioração mental, a total ausência de escrúpulos, o desprezo da honra e da dignidade, a proliferação de criminosos, corruptos e vigaristas de toda a espécie, mais evidentes nos estratos superiores da sociedade e nos sectores da Administração e do empresariado, de onde deveria vir o exemplo e não o assalto miserável a quem trabalha, eu entendo o que os meus pais quereriam dizer, com o ser gente.
Ser gente seria, porventura, ir mais além do que trabalhar com seriedade e honestidade. Ser gente pressuporia a construção de alguma coisa dentro de nós e fora de nós que assenta, a meu ver, em quatro pilares fundamentais:
1 – O pensamento. O pensamento é o suporte mais poderoso e a armadura mais forte do homem, a mágica força da sua criatividade e da sua razão de ser. Sem pensamento o homem não pode ser gente, o homem não passa de um céu brumoso, sem ponta de sol. Por isso o pensamento tem tantos inimigos! São inimigas todas as inúmeras formas de anestesia mental, falsamente lúdicas, falsamente festivaleiras, falsamente religiosas, falsamente futebolísticas, levando a sociedade à ignorância, através de uma espécie de coma vigil que a impede de raciocinar. É inimigo o vazadouro de lixo mental da televisão, com que a sociedade vai enchendo a disquete da sua metacultura. Inimiga a perversão mediática da política, que deveria ser a nobre arte de uma verdadeira democracia participativa, inimiga a política pornografada em degradantes guerras de interesses que escamoteiam os verdadeiros problemas nacionais, inimiga a política atafulhada no maior lamaçal de corrupção de sempre.
2 – O segundo pilar do alto edifício que é ser gente decorre do primeiro e chama-se cultura. Não se trata da cultura do enciclopedismo balofo, somatório de vagos conhecimentos, empilhamento de ideias improdutivas, a cultura-cassete dos tempos de hoje, a cultura-espectáculo, mas sim a cultura do dia-a-dia, a cultura autêntica da dignidade da vida, a cultura irrepreensível do percurso.
3 – O respeito pelos outros constitui o terceiro pilar. Simplesmente, não há respeito pelos outros se não houver respeito por nós próprios. Quem não se respeita a si mesmo não pode respeitar os outros. E quem tem respeito por si próprio não pode ser falso, corrupto, ladrão, indigno, especulador, manipulador de pessoas e ideias, criminoso, traficante e sabujo. O respeito dos outros é o espelho de nós próprios.
4 – O quarto pilar desta edificação é a solidariedade, a solidariedade no seu sentido global, já que a solidariedade pontual, ainda que louvável, não conduz a nada em termos sociais. É o caso da caridade, que não sendo de forma alguma negativa, pode ter, ao contrário do que acontece com a justiça, efeitos nefastos quando pregada como fim em si mesma. O primeiro passo da solidariedade está no entender da indispensabilidade da justiça social e no seu consciente reconhecimento como prioridade das prioridades, a todos os níveis. O segundo passo reside, por parte do cidadão, no cumprimento correcto da lei, no cumprimento escrupuloso e competente dos seus deveres de cidadania, no mais correcto exercício da sua profissão e da missão de que cada um está incumbido. Viver dos outros, implica viver para os outros.
É triste reconhecermos que uma parte dos homens de hoje, dos homens que mandam, dos homens que podem, dos homens que estão à frente de governos e de instituições de alta responsabilidade não são gente, nunca foram gente nem para lá caminham. São verdadeiros exemplares da mediocridade e da ausência de formação e de escrúpulos, a ocupar grandes e rendosos postos, arremedos de gente, excrescências malignas da sociedade, contrafacções da honra e da dignidade, são a parte podre da humanidade. A epidemia de corruptos é disso exemplo, e o que conhecemos é a ponta do iceberg.
A esses, os que se apresentam como cabotinos deste palco da vida, para os que não reconhecem a sua inutilidade e dilatam dia a dia a sua perversidade, e pensam que a roubar é que são grandes e que a viver à grande e à francesa à custa da miséria e do trabalho dos outros é que estão acima do mundo e do homem comum, eu lembro que no seu estômago já não cabe mais nada e nos seus cofres o dinheiro já não passa de entulho. Ainda bem que existe a morte, o único mecanismo democrático da vida.»

domingo, 18 de março de 2012

Passos/Salazar - diferenças procuram-se!

«Diferenças, procuram-se» - a ideia do que são AS CONDIÇÕES DA REFORMA FINANCEIRA.
"Discurso proferido na sala do Conselho de Estado, em 27 de Abril de 1928, no acto da posse de Ministro das Finanças, segundo as notas do jornal Novidades.
SR. PRESIDENTE DO MINISTÉRIO General Vicente de Freitas:
Duas palavras apenas, neste momento que V. Exa., os meus ilustres colegas e tantas pessoas amigas quiseram tornar excepcionalmente solene.
Agradeço a V. Exa. o convite que me fez para sobraçar a pasta das Finanças, firmado no voto unânime do Conselho de Ministros, e as palavras amáveis que me dirigiu. Não tem que agradecer-me ter aceitado o encargo, porque representa para mim tão grande sacrifício que por favor ou amabilidade o não faria a ninguém. Faço-o ao meu País como dever de consciência, friamente, serenamente cumprido.
Não tomaria, apesar de tudo, sobre mim esta pesada tarefa, se não tivesse a certeza de que ao menos poderia ser útil a minha acção, e de que estavam asseguradas as condições dum trabalho eficiente. V. Exa. dá aqui testemunho de que o Conselho de Ministros teve perfeita unanimidade de vistas a este respeito e assentou numa forma de íntima colaboração com o Ministério das Finanças, sacrificando mesmo nalguns casos outros problemas à resolução do problema financeiro, dominante no actual momento. Esse método de trabalho reduziu-se aos quatro pontos seguintes:
a) que cada Ministério se compromete a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças;
b) que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas receitas ou despesas do Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças;
c) que o Ministério das Finanças pode opor o seu «veto» a todos os aumentos de despesa corrente ou ordinária, e ás despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis;
d) que o Ministério das Finanças se compromete a colaborar com os diferentes Ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes.
Estes princípios rígidos, que vão orientar o trabalho comum, mostram a vontade decidida de regularizar por uma vez a nossa vida financeira e com ela a vida económica nacional.
Debalde porém se esperaria que milagrosamente, por efeito de varinha mágica, mudassem as circunstâncias da vida portuguesa. Pouco mesmo se conseguiria se o País não estivesse disposto a todos os sacrifícios necessários e a acompanhar-me com confiança na minha inteligência e na minha honestidade – confiança absoluta mas serena, calma, sem entusiasmos exagerados nem desânimos depressivos. Eu o elucidarei sobre o caminho que penso trilhar, sobre os motivos e a significação de tudo que não seja claro de si próprio; ele terá sempre ao seu dispor todos os elementos necessários ao juízo da situação.
Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar.
A acção do Ministério das Finanças será nestes primeiros tempos quási exclusivamente administrativa, não devendo prestar larga, colaboração ao Diário do Governo. Não se julgue porém que estar calado é o mesmo que estar inactivo."

sábado, 17 de março de 2012

Diferentes ... e Todos Iguais!

‎«As pessoas são diferentes, como diferentes são as suas culturas.
As pessoas vivem de modos diferentes e as civilizações também diferem.
As pessoas falam em várias línguas. As pessoas são guiadas por diversas religiões.
As pessoas nascem com cores diferentes e muitas tradições influenciam a sua vida, com cores e sombras variadas.
As pessoas vestem-se de modo diferente e adaptam-se ao seu ambiente de forma diferente.
As pessoas exprimem-se de modo diferente, A música, literatura e a arte também reflectem estilos diferentes.
Mas apesar dessas diferenças, todas as pessoas têm em comum um atributo simples: são seres humanos, nada mais, nada menos.
E por mais diferentes que sejam, todas as culturas incluem certos princípios comuns. Nenhuma cultura tolera a exploração de seres humanos.
Nenhuma religião permite que se mate o inocente.
Nenhuma civilização aceita a violência ou o terror.
A brutalidade e a crueldade são horríveis em todas as tradições.
Em suma, estes princípios comuns, que são partilhados por todas as civilizações, reflectem os nosso direitos humanos fundamentais. Esses direitos são muito apreciados e acarinhados por toda a gente, em toda a parte. Assim, a relatividade cultural nunca devia ser usada como pretexto para violar os direitos humanos, uma vez que estes direitos incorporam os valores mais fundamentais das civilizações humanas. É preciso que a Declaração Universal dos Direitos Humanos seja universal, aplicável tanto a Leste como a Oeste. É compatível com toda a fé e religião. Fracassar no respeito pelos direitos humanos só mina a nossa humanidade.
Não destruamos esta verdade fundamental; se o fizermos, os fracos não terão uma alternativa.» (Shirin Ebadi, uma advogada iraniana, activista dos direitos humanos)

Biografia de Cavaco no El País

O El Pais acaba de publicar um artigo que pode ser a biografia de Cavaco Silva para o wikipédia. Longo, mas elucidativo!
«Cavaco pierde el amor de Portugal - Las altas pensiones del presidente desatan el descontento social en plena crisis - Por primera vez en la historia de Portugal, hace unos días un grupo de ciudadanos acudió a la Asamblea con un fajo de 40.000 firmas para pedir la dimisión del (hasta ahora) cargo institucional más respetado en este país, el de presidente de la República, una suerte de árbitro elegido en las urnas situado, en teoría, más allá de la pugna partidista del día a día. El actual ocupante del Palacio de Belem es el veterano dirigente conservador Aníbal Cavaco Silva, reelegido hace un año, actualmente en horas bajas en los sondeos, un político particular y sui géneris que combina los discursos doctrinales y aparentemente sesudos con enormes meteduras de pata capaces de desestabilizar por sí solas las instituciones, incluida la suya.
Precisamente el origen del actual descrédito de Cavaco hay que buscarlo en uno de esos patinazos que harán historia: en enero, al entrar en un acto oficial, el presidente de la República portuguesa aseguró, sin que viniera muy a cuento, que con lo que cobraba, “unos 1.300 euros”, no le daba “ni para cubrir los gastos”. Y añadió: “Como saben, yo no cobro sueldo por el cargo que ostento”. Esto último es cierto. Pero la prensa portuguesa tardó poco en revelar que Cavaco reúne varias pensiones de jubilación y que entre todas redondean los 10.000 euros. En un país en que el sueldo mínimo está congelado desde hace dos años en 565 euros, donde el paro trepa ya por encima del 14,5% y las pagas extras de funcionarios y jubilados volaron por orden del Gobierno y de la troika comunitaria, confesarse insolvente con una pensión de 10.000 euros sentó muy mal. Algunos acusaron a Cavaco de no comprender el sufrimiento del pueblo al que representa, otros pidieron una comparecencia oficial. El primer ministro, el conservador Pedro Passos Coelho, del mismo partido que Cavaco, el PSD, se hizo a un lado y algunos ciudadanos, con una sorna muy portuguesa, acudieron al palacio de Belem a regalar monedas de un euro a su presidente en vista de que no llegaba a fin mes.
Cavaco, de 73 años, lo ha sido todo en la vida pública portuguesa desde que en 1980 fuera elegido ministro de Finanzas por Mário de Sá Carneiro. Desde entonces no se ha bajado jamás del coche oficial, incluyendo una década (1986-1996) en que fue primer ministro. Un año antes de su elección, en 1985, se había proclamado líder del PSD en un congreso celebrado en Figueira da Foz y del que salió otra de las frasecitas para la historia: “Yo no tenía intención de que me eligieran. De hecho vine aquí para hacerle el rodaje al Citroën BX”. Ahora tres sondeos ratifican su menguante popularidad. En uno de ellos, publicado el pasado 12 de marzo en Jornal de Negócios y Correo da Manhá, Cavaco cosechaba un insuficiente 6,2 (lo máximo es 20), la nota más baja obtenida desde que fue elegido presidente de la República en 2006. Este récord de opiniones negativas supera al del propio Passos Coelho, personificación de la política de austeridad que sufre el país como medida para salir de la crisis.
¿Es la de Cavaco una caída irrefrenable? El politólogo António Costa Pinto, del Instituto de Ciências Sociais de la Universidad de Lisboa, considera que no. Y recuerda que el cargo neutro y prestigioso de presidente de la República ofrece muchas oportunidades para remontar.
El mandatario se quejó de que no ganaba “ni para cubrir gastos”.
El diario Público, en un artículo aparecido hace unos días, se hacía esta sintomática pregunta: “¿Pueden los presidentes resucitar?”. Algunos antiguos asesores presidenciales respondieron que todo dependerá de la evolución política y, sobre todo, económica, de Portugal. Si la crisis se incrementa y crecen las tensiones sociales, o si el Gobierno se cuartea, Cavaco tendrá oportunidad de acudir en auxilio de un país en peligro y rehabilitar su figura.
Cavaco ha decidido pasar a la ofensiva. Hace unos días atacó al anterior primer ministro, José Sócrates, acusándole de una “falta de lealtad institucional que quedará para siempre en la historia de la democracia portuguesa”.
Mientras, los periódicos portugueses rescatan más viejas frases del locuaz Cavaco. En 1987, siendo primer ministro, en una entrevista en televisión, soltó: “La Bolsa está vendiendo gato por liebre”, causando una automática caída de los valores bursátiles portugueses.»