terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Gabriela Canavilhas e as omeletes sem ovos!

Particularmente interessante a nomeação de Gabriela Canavilhas para a Cultura. Que não comentei antes porque, sendo consultora da OPART, me pareceu por bem manter algum pudor, não fosse algum crítico ver no meu comentário uma homenagem mais ou menos velada, com maior ou menor interesse pessoal.
Passados estes meses, já me permito um olhar mais público sobre a nomeação desta mulher, senhora e artista. Hão-de perdoar-me esta mania, mas sinceramente, com honrosas excepções, algumas das últimas nomeações governamentais para a pasta primaram por escolher gente em quem dificilmente se descortina alguma formação, educação, enfim, alguma cultura. Já para não falar na deselegância de gestos, de roupagem e de palavras. Tudo isso, cultura.
Ora, francamente, acho que a Gabriela - nome no feminino do meu pai e que só pode ser de bom auguro - é uma honrosa excepção nessa amálgama da gente que ocupou a mesma pasta anos atrás - e atenção que não me refiro só à ignorância do Pedro Santana Lopes sobre os concertos para violino de Chopin!
Trata-se de alguém com educação, formação, perfil musical. Iniciou os estudos musicais no Conservatório Regional de Ponta Delgada e terminou o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional de Lisboa (na classe do Prof. António Menéres Barbosa). Estudou Música de Câmara com Olga Prats, e posteriormente com Riccardo Brengola, na Accademia Musicale Chigiana (Siena, Itália), onde lhe foi atribuído o Diploma de Mérito em Música de Câmara. É licenciada em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Desde Janeiro de 2007, é membro do Conselho Directivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Entre Novembro de 2003 e Novembro de 2008, foi presidente da Direcção da Orquestra Metropolitana de Lisboa, presidente do Conselho Directivo da Academia Nacional Superior de Orquestra e directora pedagógica do Conservatório Metropolitano de Música de Lisboa e da Escola Profissional Metropolitana. Obteve o 1º prémio em Musica Erudita no Concurso Nacional “Cultura e Desenvolvimento” (Clube Português de Artes e Ideias) e, com o clarinetista Francisco Ribeiro, o 1º prémio na categoria Duos de Piano e Instrumento de Sopro no V Concurso Internacional “Città di Moncalieri” em Turim, Itália. A divulgação da música de câmara tem sido um dos seus principais objectivos, tal como a música vocal e canção de câmara e possui uma discografia que integra sete álbuns (destaque para "Vocalizos", evocação com canções portuguesas e brasileiras, as Sonatas para piano de João Domingos Bomtempo, ou " Song and Piano Pieces de Alfredo Keil"). Tem dedicado especial atenção à música contemporânea e à música portuguesa e contribuído de forma sistemática para a sua divulgação e afirmação.
Depois de tanto falarem sobre as escolhas de Sócrates, alguém quer tentar igualar semelhante currículo nos ministros da cultura dos últimos tempos?
Posso acrescentar: elegante, distinta, de extraordinário bom gosto.
Está, pois, José Socrates, de parabéns! E, estou crente, o Governo e o País também!
Mas esta mulher que nasceu em Moçambique, com raízes nos Açores, tem um papel difícil.
Aos 48 anos, Gabriela Canavilhas é posta perante a sinfonia impossível: "fazer mais com menos é impossível", como dizia o seu antecessor José António Pinto Ribeiro. Em suma: ou convence o PM a aumentar o orçamento para a cultura, ou continua a fazer jus à fama já adquirida de conseguir as maiores proezas nas condições mais impropícias (como quando geria a Orquestra Municipal de Lisboa, antes de, em finais de 2008, ter aceite ser Directora Regional de Cultura dos Açores).
De toda a forma, desejamos-lhe o melhor, Gabriela! Vá em frente! E, já agora, agradecemos-lhe ter aceite o que sabemos que muitos outros recusaram por achar precisamente que nessa pasta as omeletes se têm de fazer mesmo sem ovos!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A nossa alegre casinha!

A Agência Financeira publicou hoje uma notícia que dá conta que a Remax tem casas em saldo, algumas a 70% do custo previsto. Está claro que se pensa logo na crise imobiliária. E ficamos tristes porque nos lembramos dos casais novos que voltam à casa materna, nos filhos da geração já conhecida como a Geração Canguru (porque o regaço da mãe é a via possível em tempos de crise), nas famílias que se vêem confrontadas com a contingência de mudar de casa maior para uma outra versão XS e noutros fenómenos similares.
Ora, sabem como detesto cultivar tristezas.
Permitam-me que vos anime com notícias em contra-ponto (retiradas do Diário Económico).
É que nem toda a gente é obrigada a fazer face a realidades tão tristes.
Há quem, vivendo em Portugal, por certo não se sente tão português quanto aqueloutros (melhor para eles) e vive num País de Sonho - o Mundo de Oz!
Assim, se o amigo tiver de mudar de casa aqui vão algumas alternativas.
- A Quinta da Gramela, propriedade de 220 hc (onde provavelmente à noite poderá ser privilegiado com o fantasma do Marquês de Pombal que aí viveu), à venda por €14,5 milhões.
- Uma moradia moderna na Quinta da Marinha, Cascais, por €15 milhões, com um grande jardim, várias piscinas, salas e quartos sem conto.
- Várias casinhas por €25 milhões, com mais de mil metros quadrados de área, com piscina, ‘suites' e vista para o mar, localizadas em Cascais, Algarve ou Lisboa (na Quinta do Lago, Quinta da Marinha e Vale do Lobo ou no Pine Cliffs Resort, no Algarve).
- Algumas de €5,5 a €4 milhões, como uma moradia de 450 metros quadrados no Algarve, uma casa com 12 quartos em Lisboa, na Avenida Gago Coutinho e uma em Cascais.
- Por €10 milhões, tem uma moradia no Estoril, na Quinta Patino, com 14 ‘suites' e sala de banquetes, uma casa no Estoril com vista para o mar, dotada com cinco quartos e oito casas de banho, piscina, cinema, biblioteca, adega, garagem e aposentos para os empregados.
Escolha uma de entre estas, escolha e fixe a imagem mentalmente e sonhe com a dita casinha dos seus sonhos. Pense positivamente. Sonhar é o maior impulso humano. E o sonho, afinal, comanda a vida!

Manuela Ferreira Leite e G.W.Bush

Absolutamente brilhante o artigo intitulado "Manuela Ferreira Leite é a George W. Bush da política portuguesa?" de Diogo Moreira 13 de Abril de 2009 Europeias, Legislativas.
Começa por se referir à história do falso blogue de Manuela Ferreira Leite, segundo ele uma tentativa, aparentemente bem sucedida, de angariar visitas e clicks em anúncios, ou seja, de ganhar dinheiro. Compreende o Diogo, como compreende o Paulo Querido, que MFL e o PSD tenham alguma relutância em accionar os mecanismos legais contestatórios adequados - curiosamente eu sou menos compreensiva e não entendo porque não o fazem, tanto mais ponderando as proporções mediáticas que o “segundo regresso” do site obteve. Sendo o site falso induz a notícias falsas. Mas isso parece ser algo que não preocupa nem a Manuela nem o PSD. Provavelmente porque as notícias falsas transmitidas pelo site são melhores do que as oficialmente transmitidas pelo próprio PSD. E quando digo "melhores" quero dizer politicamente com mais repercussão, de maior sucesso. Porque MFL parece estar mal-fadada para a desgraça e vocacionada, de forma exponencial, para a asneira. Daí que o Diogo a compare a GWB.
Não vá o clã familiar, macicamente do PSD, cair-me em cima, note-se que não estou sózinha na crítica à vóvó laranja. Carlos Santos, João Moreira Rato e Tiago Mota Saraiva, convergem também nesta "ideia de que MFL é uma das piores políticas que Portugal já teve".
Há, de facto, uma opinião estranhamente unânime da esquerda à direita de que MFL não nasceu para ser uma líder política. Justificação para essa unanimidade: a história do silêncio (com ferozes críticas por tê-lo feito e por tê-lo quebrado), as histórias das gaffes (seis meses de democracia, comentários supostamente xenófobos, óculos escuros aos jornalistas, etc…), e terminando na novela sobre a escolha do cabeça-de-lista às europeias. Parece ser um novo desporto nacional que motiva os portugueses a congregarem-se em família, à hora do jantar, defronte da TV (optando pela televisão nacional em vez da TV cabo), sentadinhos no sofá, aconchegadinhos, a devorar uma malga de pipocas. A avó acabou por ter serventia familiar. Por ser motivo de harmonia.
À espera da próxima vez em que a Manuela se “enterre”. E a tomar em conta as contínuas tropelias de vóvó Manela e do seu PSD, estamos todos em crer que o “buraco” em MFL está a “cavar” é cada vez mais fundo.
O que talvez explique o primeiro caso do falso blogue. De MFL, dia a dia pior, só se espera sempre pior.
O que nos remete para George W. Bush e para os anos de 2000, mais concretamente para o cenário da eleição presidencial Al Gore/George W. Bush, altura em que este último já era motivo de chacota nacional e internacional, com direito a página inteira da Times, e a risadas despregadas das elites americanas. Todos o achavam pouco inteligente, redondamente incompetente para governar os EUA, e grande parte entendia que Al Gore iria saír em ombros, direitinho à Casa Branca, enquanto que GWB estava condenado à vergonha e à derrota.
E, no entanto, foi o que viu!
Ora, sobre se a Manuela é a George W. Bush da política portuguesa, opinião que fará entrar no delírio muitos dos meus correligionários de esquerda, e muitos dos meus amigos de direita que são os primeiros a admitir que ela não é capaz de governar o país, nem de governar o partido, e que nem sequer diz coisa com coisa, etc… Que melhor ataque político do que ser equiparada a um dos políticos (supostamente) mais incompetentes que desempenhou um cargo de poder?
Mas lembremo-nos de quem ganhou as eleições de 2000 nos EUA? E não esqueçamos de que "Quando se está no fim dum buraco, só se pode ir para cima”. considerem, pois, que fica aqui o "aviso à navegação".
Acautelemo-nos com a face da desgraça, sobretudo, lembremo-nos do seu co-piloto para a desgraça (que um não fica atrás do outro): o Pedro Santana Lopes.
É caso para dizer: Uma Presidente e um Vice-Presidente de mão cheia!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O ordenado do Vitor Constâncio e a taxa de desemprego!

O início do ano foi marcado politicamente pela preocupação com o desemprego.
Deu disso nota a mensagem de ano novo de Cavaco Silva, que disse mesmo que, juntamente com a dívida externa, este poderia desencadear uma “situação explosiva”.
Segundo dados divulgados pelo IEFP, a taxa de desemprego em Dezembro aumentou 1,2% face ao mês anterior o que perfaz um total de 523.680 desempregados.
Numa linha de grande coerência, como é seu timbre (?!), o governador do Banco de Portugal (BdP), considerado já um dos mais bem pagos do mundo, Vitor Constâncio - que aufere 17.817 euros (mais do que o governador da Reserva Federal norte-americana) - vai lá perceber-se porquê - candidata-se agora à vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE) e, se ganhar, ganha também um aumento salarial de mais de 3.722 euros, passando a auferir a módica quantia de 21.539.
Ora, deve o próprio achar a situação extraordinariamente justa porque já não recebe aumentos salariais há quatro anos e em 2009 abdicou de um duplo aumento (duas últimas actualizações salariais da função pública), embora tenha já reconhecido que o seu salário é elevado e se tenha mostrado disponível para ganhar menos.
Trata-se, portanto, em suma, de uma remuneração que, em termos anuais, representa um montante bruto de 250.000€.
Para Constâncio, a concretizar-se o sonho, será um aumento de quase 20%.
O que tem isto a ver com desemprego?
A coerência conhecida do Vitor Constâncio, nada mais.

Há quanto tempo não falo de vinhos!

Quem me conhece sabe que não dispenso o Chão-do-Prado, um cantinho fabuloso, na rota de Bucelas, bem perto da minha quinta entre Bucelas e Arruda.
Um dos motivos, para além da boa disposição da anfitriã, a minha amiga Mafalda, são os Vinhos.
O Chão-do-Prado é a cara da prova dos vinhos das Caves Velhas.
Vou partilhar com vocês os meus recentes eleitos.
Prova Régia Arinto Bucelas 2008 Excepcional Absolutamente excepcional.
Vale D' Algares Guarda Rios Selection 2008 Excepcional.
Companhia das Lezírias Ribatejo 2008 Excepcional 60% de Fernão Pires e 40% de Verdelho oferecem-nos este branco frutado e de uma imensa frescura.
Companhia das Lezírias Verdelho Ribatejo 2008 Excepcional Continuando excepcional, não é a melhor colheita de Verdelho da Companhia das Lezírias.
Dona Ermelinda Palmela 2008 Excepcional Desde a colheita de 2006 que este branco mantém um nível de qualidade superior vindima após vindima. Estagia dois meses em meias pipas de carvalho francês e americano, após fermentação em cubas inox a temperatura controlada. A colheita de 2008 proporciona-nos um vinho muito elegante, harmonioso no casamento das várias castas brancas (Fernão Pires, Arinto, Antão Vaz e Chardonnay) com a madeira, com aromas frescos e sabores frutados a uvas.
Terras do Pó Regional Terras do Sado 2008 Muito Bom/Excepcional Um excelente aproveitamento da casta Fernão Pires, predominante entre os encepamentos brancos da região, proporcionando-nos um vinho branco de perfil internacional moderno: fresco, muito frutado e bastante saboroso na boca.
Vale da Judia Regional Terras do Sado 2008 Excepcional Um vinho branco com carácter vincado pela casta Moscatel de Setúbal.
José Maria da Fonseca Colecção Privada DSF Verdelho 2008 Excepcional Continua a ser o melhor Verdelho produzido em Portugal. Tem melhorado de colheita para colheita desde a vindima de 2006.
Terrenus Regional Alentejano 2008 Excepcional Um branco singular e moderno parcialmente fermentado em barricas de carvalho francês.
Dona Maria Regional Alentejano 2008 Excepcional Entre duas dezenas de vinhos brancos alentejanos, este destacou-se claramente pela sua excepcionalidade.
Onda Nova Verdelho 2008 Excepcional É raro encontrar entre nós vinhos brancos com a delicadeza e o souplesse que este apresenta. A casta é portuguesa, embora esteja a ser promovida mundialmente pelos australianos e pelos espanhóis (Rueda).
Rosés
Melhor do ano - Valle Pradinhos Rosé 2008
Melhor compra do ano - Vida Nova Syrah Aragonês Rosé 2008 Valle Pradinhos Rosé 2008 Excepcional Vinificado a partir de uvas das castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, fermentou em cuba inox a baixa temperatura, permanecendo aí em estágio sobre borras finas até Janeiro do ano seguinte à vindima. Bem equilibrado na sua acidez, claramente de excepcional qualidade. Um prazer imenso.
José Maria da Fonseca Colecção Privada DSF Moscatel Roxo 2008 Excepcional Pelo segundo ano consecutivo a José Maria da Fonseca fez este rosé a partir da casta rara Moscatel Roxo. Está verdadeiramente excepcional e singular pela subtileza aromática, pela cor salmão, pelos sabores secos e intensos à casta.
José Maria da Fonseca Colecção Privada DSF Malbec 2008 Excepcional Designado como clarete, tendo em conta a sua cor de morango maduro. A casta Malbec, que os franceses menosprezaram, foi "ressuscitada" na Argentina, onde a partir dela se fazem tintos de eleição. Este rosé revela-nos a bondade e versatilidade da casta.
Vida Nova Syrah Aragonês Rosé 2008 Excepcional Elaborado a partir das castas Syrah e Aragonês apresentou-se com a cor de morango maduro, aromas intensos a framboesas e morangos com sabores de grande frescura correspondentes.
Aproveitem, passem pelo Chão-do-Prado, digam que vão da minha parte e provem o Colheita Tardia ou o Espumante das Caves Velhas. Ambos soberbos!

Política e Obras Públicas

O DN-Portugal, de hoje, mostra-nos um artigo interessante sobre a viabilização/defesa de um Governo do bloco central, PS e PSD, em caso de agravamento da actual situação de instabilidade política. Mais uma vez o binómio poder político/obras públicas vale como pauta. Ouviram-se empresários de obras públicas como se se ouvissem gurus financeiros. Todos comungando uma mesma ideia: o que espera o mundo empresarial do PR face a uma eventual "situação explosiva". Parece que uma acção radical, como a dissolução do Parlamento, ninguém a deseja. Ao invés, esperam que Cavaco dê sinais de iniciativas que promovam a estabilidade.
Descobriram, pois, os homens de obras públicas uma das competências (novas?) do PR.
Segundo o presidente da Martifer, Carlos Martins, a chave da estabilidade é o próprio Cavaco. E explica que, como em 2011 há presidenciais, isto constitui "um forte desincentivo a qualquer crise", uma vez que o PR, no seu ver, "vai e deve recandidatar-se" - uma garantia - diz o gestor - de que as coisas, em termos políticos, "correrão bem este ano" .
Ângelo Correia, ex-ministro MAI agora no mundo empresarial, um homem cuja inteligência, sagacidade e visão política admiro profundamente, agora no mundo empresarial, espera que Cavaco continue a exercer "um poder moderador e a influenciar o espectro político para um entendimento" em volta das questões essenciais do País, e a dissolução do Parlamento "Não é desejável, nem correcta, face à recente realização de eleições legislativas".
Luís Filipe Pereira, ex-governante, agora responsável pela Efacec, "faz votos" que a dissolução não aconteça, porque "Não seria a situação mais indicada no momento actual", cabendo a Cavaco "um papel importante", o de "contribuir para que seja encontrada uma solução" de governabilidade.
Ao fim e ao cabo se os factos acabarem por determinar (ou serem causa de pretexto) a dissolução do Parlamento, o prazo-limite de PR vai de Abril a Julho.
Ou seja, confirma que "Ninguém espera, ninguém deseja uma crise política".
Mas, sabe-se igualmente, que, atendendo à guerrilha institucional dos últimos meses, é um facto que essa hipótese pode vir a concretizar-se.
E, nesse cenário, o papel do PR é "garantir o mais rapidamente possível a estabilidade". E essa intervenção, segundo Diogo Vaz Guedes - outro homem por quem nutro admiração - da Somague e da Aquapura, pode passar por uma tentativa de instituir, viabilizar, um governo do bloco central (PS e PSD), por iniciativa presidencial.
Jorge Armindo, da Amorim Turismo, pensa "que a melhor solução para o País é um entendimento entre o PS e PSD.". assim propiciando "condições para a criação de certas reformas: para combater os problemas das empresas, mas também dos trabalhadores e das populações mais carenciadas", porque "a tranquilidade e a paz social" do País "não se faz a discutir 15 euros de aumento de salário mínimo".
Henrique Neto, empresário, embora reconheça que a instabilidade exista e que vai continuar não acredita que o PR se decida pela dissolução do Parlamento ou que a AR promova a queda do Governo com uma moção de censura. Se as previsões do antigo presidente da Iberomoldes estiverem certas - e Pedro Passos Coelho for o próximo líder do PSD -, PSD e PS hão-de chegar a acordo com José Sócrates por quererem partilhar no "banquete" das obras públicas.
Muito bem!
Isto é, dissolver o Parlamento ou promover a queda do Governo depende do interesse de um e de outro ... nas obras públicas.
E ficamos a saber quem decide como, quando e quem governa!

sábado, 2 de janeiro de 2010

A liberdade do Manuel - Um homem justo e perfeito

Não vale definitivamente pintar a manta. Gosto do Manuel Alegre. Admiro-o profundamente.
Ainda há pouco escrevi sobre as elites da política (ou melhor sobre a falta delas!, ou, pelo menos, de uma elite, no sentido de qualificação maior e de preparação maior).
Nada mais apropriado que secundarizar Alegre no seu mais recente comentário sobre a crise e as elites. Diz ele que "São precisos "homens de grande estatura" por causa da crise, a actual crise mundial, "a mais grave do pós-Guerra". Verifica-se agora, ao nível global, a "falência ideológica do modelo neoliberal", 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, que simbolizou, por sua vez, a desagregação da União Soviética e da maioria dos países aliados. E, por isso, ainda também "à escala nacional e europeia, é preciso reinventar soluções de esquerda", disse-o há tempos, aquando de uma reunião do Conselho de Fundadores do Movimento Intervenção e Cidadania (MIC). A resposta à actual crise económica, social e política passaria por "homens de nervos de aço e de grande estatura ideológica".
Em Portugal, segundo o principal rosto do MIC, "ninguém manda calar ninguém. As pessoas, às vezes, é que se calam a si próprias". "Há no país uma tradição de abdicação cívica, para não falar de cobardia", acrescentou. (Sábado, 7 de Fevereiro de 2009 às 17:15)
Ora aqui está um homem livre. Obrigado Manuel Alegre. Pela limpidez da tua voz. Pela ombridade de carácter. Pela liberdade de espírito. Um exemplo de homem justo e perfeito. Lá estarei no Domingo, na FIL, como membro da tua Comissão de Honra! Porque tu honras os portugueses, e, como ontem, no jantar do Mercado da Ribeira, tão eloquentemente o disseste, és capaz de nos devolver a nossa massa atlântica, em suma, reabilitar a esperança perdida!