quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Escolha de amizades (selectividade)

Eis como esta senhora não se cansa de nos espantar!
Julgavam-na acabrunhada por causa do vexame eleitoral? Quimeras!
Ora aí está a velha senhora, que, por certo, já influenciada pela idade, pouca memória, tendência para esquecer o inconveniente "a memória selectiva", longe de se lembrar dos mais recentes episódios (Dias Loureiro, António Preto, Helena Lopes da Costa ...) vem erguer-se do pedestal, qual Cardeal Cerejeira do PSD, e acusar, de dedo em riste o Primeiro-Ministro de ser amigo de António Vara.
Seria bom que se lembrasse de quem foi o seu braço direito na campanha, um cavalheiro que dá pelo nome de António Preto.
Em breve histórico de um personagem digno do maior enredo policial, diz-se, por certo mais uma vil mentira, que, nos tempos em que MFL liderava a distrital do partido em Lisboa, pagou as despesas da campanha eleitoral, em 2002, com os €39.956 que recebeu, em notas e moedas "acondicionadas em malas", de um empreiteiro da Amadora, de que não quero citar o nome, não vá presa.
Mas deixo-vos o despacho de encerramento do processo do DCIAP, que é peremptório:'Tais quantias [39 956 euros], em numerário, entregues ao arguido António Preto pelos arguidos Virgílio Sobral Sousa e Jorge Silvério destinaram-se ao pagamento de encargos que o primeiro arguido teve com a sua campanha eleitoral, como candidato à presidência da Comissão Distrital de Lisboa do PSD, incluindo o pagamento, por si, de um número indeterminado de quotas de militantes do PSD que se encontravam em dívida.' Como se sabe, no âmbito deste caso, Preto, Sobral Sousa e Silvério são arguidos e estão acusados de fraude fiscal qualificada. E aguardam o julgamento.
Ora, pode a velha senhora usar como angariador, ama-seca, guarda-costas, mancebo e por aí fora um cavalheiro com tão nobre folha de serviço, já não pode Sócrates dar-se ao luxo de ser amigo de Vara.
A diferença?
Toda.
Sócrates sabe o que faz. MFL ... nem por isso!
Vara é suspeito de aceitar € 10.000 (não vos disse que era um "desconto" impossível para suborno? já os quase €40.000, sim senhor, já enaltecem o magana que com eles se locupteou), Preto, ao que parece, comprovadamente, a julgar pelo despacho, arranjou uns €40.000. Claro que foram direitos para .... sabe-se lá! Diz-se que para o PSD. Será por isso que são melhor empregues, Manelinha.
Foi por estas e por outras que Jorge Lacão veio a terreiro defender o Primeiro, explicando que este «não se considera de alguma maneira vinculado» ao caso Face Oculta. Até porque ela (a Face) continua Oculta!
Disse o ministro dos Assuntos Parlamentares «Ouvimos hoje Manuela Ferreira Leite falar da politização da Justiça, numa tentativa de politizar o funcionamento da Justiça e de condicionar até ao mais alto nível as decisões dos órgãos superiores da Justiça, isso foi totalmente evidente», afirmou.
MFL fez «gravíssimas insinuações», e assim vai empurrando os olhos do povo para fora do PSD, enquanto vai-não-vem os despachos finais acusatórios sobre os seus amigos.
Manelinha, se as pessoas fossem julgadas pelos amigos que têem ... a senhora ficava muito mal na fotografias!
Jorge Lacão explicava que entre Vara e o primeiro-ministro terá havido uma troca de palavras "inteiramente típicas de conversas normais que, numa circunstância, terá tido com um dos seus amigos». Como todos nós, pessoas de bem, faríamos com amigos nossos que fossem vítimas de enredos mal-achados, mal combinádos, mal enredádos,
Não fez Sócrates como é hábito do seu partido que quando algum "camarada" sofre acusações, se não tiveram algo de maior a ganhar com isso, os outros afastam-se como se tivesse lepra (se for um suspeitozinho ... mas se for um homem digno de ser ... suspeito, tudo muda, não é Manela?).
"Jorge Lacão leu uma declaração acusando Manuela Ferreira Leite de ter «insinuado que as decisões da Justiça com relação às escutas envolvendo o primeiro-ministro não são resultado do cumprimento da lei».
«Voltou hoje ao pior da sua tradição como líder do PSD. À baixa política da insinuação e da suspeição», considerou, acrescentando que a líder social-democrata «continua a arrastar o seu partido para os níveis mais baixos de que há memória».
Lacão considerou que Ferreira Leite fez uma «tentativa grosseira de arrastar o senhor primeiro-ministro para justificações públicas em relação a conversas estritamente particulares»."
Defendeu ainda que MFL «não soube compreender o direito de reserva que também assiste a um primeiro-ministro nas suas conversações», o que «é um acto revelador de um desprezo absoluto pelos princípios do Estado de Direito».
«Só pode ter origem numa pessoa que despreza os valores da democracia e do respeito pela lei. De quem já pensou em suspender a democracia por seis meses, não se pode esperar outra coisa», disse."
E disse muito bem.
Manuela, quando a menina se cala tudo fica tão mais fácil para o PSD. Como este partido sofre, meu Deus, entre MFL e PSL, qual deles a maior boca, o maior deboche, o mais desbucado, o mais alarve ... Que bom que é ter olhos que olham mas não vêem, ouvidos que ouvem mas não escutam e puder fazer parte de um partido em que só se canta para cá e para lá (perdoeem-me os que conhecem o carácter alegórico e esotérico da canção!) as pombinhas da Catrina andaram de mão ...
Que as pombinhas são como as malas (as tais cheiinhas) ... voam, voam...
MFL, conclui não tem "autoridade moral» para dar lições de «moralidade pública», porque «não hesitou, por razões de conveniência partidária, em integrar nas listas de candidatos a deputados pessoas sujeitas a acusação formal e processo penal».
Pode não ter autoridade moral ... mas aos velhinhos tudo se permite!
É uma questão de respeito.

Governo contra desgoverno

O ministro dos Assuntos Parlamentares acusou a líder do PSD de querer «condicionar as decisões» dos órgãos superiores de Justiça e recusou que o primeiro-ministro tenha explicações públicas a dar no âmbito do caso Face Oculta. «Ouvimos hoje Manuela Ferreira Leite falar da politização da Justiça, numa tentativa de politizar o funcionamento da Justiça e de condicionar até ao mais alto nível as decisões dos órgãos superiores da Justiça, isso foi totalmente evidente», afirmou. Jorge Lacão defendeu que o primeiro-ministro «não se considera de alguma maneira vinculado a ter que dar explicações relativamente a conversas que, como ele próprio já referiu, são inteiramente típicas de conversas normais que, numa circunstância, terá tido com um dos seus amigos». Respondendo a perguntas dos jornalistas, o governante acrescentou que «o primeiro-ministro nem sabe do que pode estar em causa em relação àquilo que tem vindo na comunicação social» e «respeita as regras de funcionamento da Justiça». JL leu uma declaração acusando MFL de ter «insinuado que as decisões da Justiça com relação às escutas envolvendo o primeiro-ministro não são resultado do cumprimento da lei».
«Voltou hoje ao pior da sua tradição como líder do PSD. À baixa política da insinuação e da suspeição», considerou, acrescentando que a líder social-democrata «continua a arrastar o seu partido para os níveis mais baixos de que há memória». JL considerou que MFL fez uma «tentativa grosseira de arrastar o senhor primeiro-ministro para justificações públicas em relação a conversas estritamente particulares».
É que, meu caro JL, quem não governa, desgoverna!

Ferreira Leite exige que Sócrates esclareça escutas

Para o ministro dos Assuntos Parlamentares, Ferreira Leite «não soube compreender o direito de reserva que também assiste a um primeiro-ministro nas suas conversações», o que «é um acto revelador de um desprezo absoluto pelos princípios do Estado de Direito».

«Só pode ter origem numa pessoa que despreza os valores da democracia e do respeito pela lei. De quem já pensou em suspender a democracia por seis meses, não se pode esperar outra coisa», disse.

Lacão acrescentou que Ferreira Leite não tem «autoridade moral» para dar lições de «moralidade pública», porque «não hesitou, por razões de conveniência partidária, em integrar nas listas de candidatos a deputados pessoas sujeitas a acusação formal e processo penal».

Para Jorge Lacão, a declaração da líder do PSD só é compreensível «à luz da frustração imposta pela derrota eleitoral» e de alguém que «prossegue uma linha política mesquinha, baseada na suspeição».

domingo, 8 de novembro de 2009

O homem e a palavra MARAVILHOSO!

Há palavras com sexo, ou palavras de um só sexo.
Pense-se na palavra “M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O”.
Pode um heterossexual ser MARAVILHOSO?
Pode usar a palavra MARAVILHOSO?
Diz-se que esta é uma das “palavras reveladoras”. Palavras que por si só dizem muito mais do que um discurso de mil outras. Outra "maravilhosas" serão, por exemplo, "querida”, “Paris”, “jamais”, “divino”.
Para os homens hetero, socialmente, imitando Paula Bobone, deixo um registo do mau emprego da palavra maravilhoso:
Primeiro - Sério! Evite usar a palavra o máximo possível. Evite-a. Fuja dela como de uma ex-mulher ou da sogra ...
Eventuais exceções:
1. Quando se referir a nós, mulheres, e a partes dos nossos corpos, ao relato das nossas proezas, pode dizer. Ex.: “A A. é maravilhosa!”, ou “O corpo da A. é maravilhoso!”, ou ainda “Declama poesia maravilhosamente"!”. Note-se não estava a pensar propriamente nas unhas ou nos cabelos (se não esclarecer bem isto, inverte-se o efeito, por exemplo, se um homem diz, "tem umas unhas maravilhosas", pensa-se: ou é parvo ou "e que mal terá o resto?";
2. Quando se referir a instrumentos musicais. Ex.: “A Fender Stratocaster é maravilhosa!” - esta é divinal, admitam!;
3. Quando se referir a lances desportivos, às jogadas, aos golões, pode dizer: O passe do Ronaldo foi maravilhosa!? Já não fica lá muito bem, pois não?
4. Sábado. Almoço em casa da sogra (esta surte efeito e cria ambiente...). Pode sempre dizer: “Dona Maria, o seu creme de aspargos é maravilhoso!”.
5 – Nunca pronuncie a palavra em questão separando as sílabas e frisando cada uma delas. Nunca diga "A Fernanda é MA-RA-VI-LHO-SA!” ou “Dona Maria, o seu creme de aspargos é MA-RA-VI-LHO-SO!” ou ainda “O passe do Ronaldo foi MA-RA-VI-LHO-SO”
3 – E nunca, em hipótese alguma, use a palavra em questão referindo-se a espécimes humanos do gênero masculino. Exemplos: “O George Clooney é um actor maravilhoso” ou “Tu és um amigo maravilhoso” ou ainda “… um sem fim de exemplos de homens maravilhosos”.
Os homens nasceram impreparados para grandes adjectivações, ou melhor, para adjectivações sensíveis!
O mais perto que tivémos disso ultimamente foi o Mário Lino com o seu "Jamais!" e veja-se no que deu!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Adeus, Manuel (obrigado por disseres não)

"Foi uma honra ter sido deputado durante 34 anos" - disse Manuel Alegre.
A honra foi toda a nossa! E o desânimo de não ver gente que façam das palavras armas e as lancem em cruzada do púlpito de São Bento, cá para baixo.
Quando teremos de novo alguém que no Parlamento seja capaz de dizer:
"Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça, o vento nada me diz.Pergunto aos rios que levam tanto sonho à flor das águas e os rios não me sossegam levam sonhos deixam mágoas.Levam sonhos deixam mágoas. Ai rios do meu país! Minha pátria à flor das águas para onde vais? Ninguém diz. (...)
Pergunto à gente que passa por que vai de olhos no chão. Silêncio -- é tudo o que tem quem vive na servidão.Vi florir os verdes ramos direitos e ao céu voltados. E a quem gosta de ter amos vi sempre os ombros curvados.E o vento não me diz nada. Ninguém diz nada de novo.Vi minha pátria pregada nos braços em cruz do povo.Vi minha pátria na margem dos rios que vão pró mar como quem ama a viagem mas tem sempre de ficar.Vi navios a partir (minha pátria à flor das águas) vi minha pátria florir (verdes folhas verdes mágoas). Há quem te queira ignorada e fale pátria em teu nome.Eu vi-te crucificada nos braços negros da fome.E o vento não me diz nada, só o silêncio persiste.Vi minha pátria parada à beira de um rio triste.Ninguém diz nada de novo se notícias vou pedindo nas mãos vazias do povo vi minha pátria florindo. E a noite cresce por dentro dos homens do meu país. Peço notícias ao vento e o vento nada me diz. Quatro folhas tem o trevo liberdade quatro sílabas. Não sabem ler é verdade aqueles pra quem eu escrevo.Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça há sempre alguém que semeia canções no vento que passa.Mesmo na noite mais triste em tempo de servidão há sempre alguém que resiste há sempre alguém que diz não."
Quanta palavra mal dita, maldita, reina naquele convento beneditino! Porém, onde estão os poetas do meu país? Ou no meu país já não há lugar para poetas?
Juro! Sei! Sinto!
Há homens que dizem não, quando o não é para ser dito.
Ainda há poetas no meu país!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Morte e agonia em banho-maria - ou o retrato de um PSD "frito"

Terminada a sangria desatada dos abutres do PSD, liderados pelo Corvo-PSL, finalmente ouviu-se o silêncio. Façam-nos um favor: aprendam a ser oposição, aceitem com humildade a lição que o povo vos deu. Que este já não se ilude com palhaçadas, trapalhadas ... trapaças! Enfim, dos resultados eleitorais Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite devem-nos ... o silêncio. Não fossem narcisistas do mais puro sangue e pedir-lhe-íamos que nos poupassem às suas tristes figuras e dessem como findas as suas aleivosias políticas. O primeiro - tanto lhe pedimos e o avisámos! - dedique-se aos negócios, enriqueça, arranje uma loura e desapareça para uma dessas ilhas soleiras longínquas ... dê um interregno a si mesmo, que acreditamos piamente, deve estar "pelos cabelos" (quais?) consigo próprio. A segunda - goze o seu papel de avózinha babada, reformada (elevada à sexta ou sétima casa) - e escreva uns romances ... para variar ("A mulher que queria ser ministra", já leram? recomendo.
Pois, o país aliviou e Lisboa resplandesceu. Por ora, o dragão foi paralizado. Ou seria um polvo?
O "Sol e Sombra" de hoje convidam-nos a um a reflexão pós-eleitoral.
Primeiro. É um facto que a votação de domingo em Lisboa marcou irremediavelmente dois destinos políticos a prazo.
PSL, que mercantilizara uma imagem sebastiânica desde a Figueira da Foz e em Lisboa, com a graça de Deus, não pára de acrescentar derrota a derrota. Depois do desastre das legislativas de 2005; sobrou-lhe um insignificante terceiro e último lugar na corrida à liderança do PSD contra Ferreira Leite e Passos Coelho; foi derrotado em Lisboa. Assim se transforma um "temível vencedor a crónico perdedor". Sabendo que PSL, foi abençoado por artes mágicas (negras, claro!), António Costa, quando lhe perguntaram se achava que o Pedrito assumiria o seu lugar de vereador, respondeu (provavelmente fazendo figas) "Ele anda sempre por aí!" Portanto, se a criatura não se apaga, resta-lhe ser a "alma penada" da política socialité portuguesa. Uma benção!
António Costa foi condecorado no domingo com galões de homem-pós-Sócrates. Pai a curto prazo do PS, sem hipótese de sombra.
Entre ganhos e perdas, há os desonrados, como Deus Pinheiro! Um homem cujo nome lembra o Natal (Pinheiro + Deus), lá fez o enorme frete de pensar em deixar o golf sem o seu taco um tempito, e representar o "Bom Jesus" - de Braga. Mas não é que por desgraça sua foi eleito? Há gente com um azar! Mais não lhe restou que fazer o que queria de facto fazer: estar-se nas tintas, voltar aos campos verdes e, vai daí, renunciou ao mandato. O que não teria acontecido se os seus colegas incompetentes tivessem dado a vitória do PSD e, automaticamente, um lugarzinho na presidência da AR? Pelo menos, vice-presidente! A imagem rota do PSD, créditos nulos, egoísmos ostensivos, egos sem paralelo! Que se lixe! Bruxelas sim isso é que é um país de gente séria e tão mais interessante! Agora, Braga? Tirando algumas letritas parecidas, resta o vício da boa vida e o hábito salutar de fazer o que lhe dá na real gana! À PSD!
Hoje, a seta ascendente laranja simboliza "um partido errático e em roda livre". Aguiar Branco e Paulo Mota Pinto lavam roupa suja em público disputando quem é suficientemente mau para assumir a liderança parlamentar.
Os casos António Preto e Helena Lopes da Costa foram a maior facada na suposta política de verdade e rectidão apregoada pela Manelinha.
"Politicamente ferida de morte com a severa derrota nas legislativas, que deixou o partido abaixo dos 30%, a direcção de Manuela Ferreira Leite arrasta-se sem decidir o seu fim. Entretanto, eclipsou-se do palco político e abriu um vazio de liderança que dá lugar a esta balbúrdia partidária: cada qual fala para seu lado, ninguém presta contas a ninguém, tomam-se decisões impróprias e prejudiciais, dizem-se enormidades embaraçosas e contraproducentes. É um partido que deambula à rédea solta, sem rei nem roque."
MFL diz que se está em agonia que morra, já que de nada mais lhe serve! Veja lá rica e se se quiser candidatar a PR? É que a menina, positivamente, não se enxerga! Vai de antevisão da morte até ao último respiro, que o há-de dar lá por alturas da votação do Programa do Governo e do Orçamento. "Sem perceber que ninguém ligará ao que irá dizer ou dará alguma importância à posição que tomar. Porque já ninguém lhe reconhece qualquer réstia de autoridade – a ela ou a este desacreditado PSD."
São estas pequenas coisinhas que nos fazem acreditar que, por milagre, às vezes, até na política, há justiça! Obrigado, São Pedro!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A mão de "Deus"

O artigo de Paulo Gaião no Semanário intitulado "O rei vai nu" (alegoria usada em artigos antecedentes a propósito do nosso principezinho Pedro "O Maquivel" obriga a pensar os bons de portugueses que sempre viram no PR um semi-deus.
Diz ele que:
"Ao longo dos anos muita gente se tem recusado inexplicavelmente a aprofundar quem é, realmente, Cavaco Silva." Discordo do "inexplicavelmente"! Quem critica Cavaco não te nem bom nem mau caminho, fica sem caminho!
A propósito do saneamento político de Fernando Lima, recorda como o PR sempre foi implacável. Vejam-se o "eclipse" de Eurico de Melo, Miguel Cadilhe, Fernando Nogueira, Álvaro Barreto, Santana Lopes.
Fernando Nogueira, um dos homens que provavelmente mais venerou Cavaco, n.º 2 de Cavaco no Governo, viu, no silêncio (estes silêncios estratégicos que tão bem MFL consegue seguir) do 1º sobre as presidenciais, um sinal de que Cavaco pretendia avançar para Belém, apadrinhando a sua ascensão. Engoliu o sapo. Cavaco descredibilizou-o, fê-lo perder o papel de delfim, deixando a todos a imagem de que sobre as intenções do PR nada sabia e que portanto não havia qualquer relação privilegiada entre os dois. Ao tempo, foi a antevisão de uma morte política. Ou se segredava com Cavaco, se frequentava Boliqueime, ou era-se nada. E FN ficou reduzido a pó.
"Cavaco só pensou em si e no seu interesse político ..."
Miguel Cadilhe foi Ministro das Finanças. Bastou a acusação de que teria fugido à sisa para se ver o fumo do fim de uma carreira que se adivinhava brilhante, até porque havia sido apadrinhada por Cavaco. Este dá a impressão de o apoiar e depois a reimpressão de que pensando melhor ... fez Cadilhe sair do governo, foi um "assassinato político a sangue frio".
Segue-se o raciocínio do analista com Álvaro Barreto (um dos remodelados no mesmo "arrastão" de Cadilhe). Parece que Cavaco nunca lhe sentira o devido agradecimento por tê-lo feito ministro ", ele que estava no lote de ministros com "patine", como Mira Amaral, muito longe do país profundo de Boliqueime."
Bastou Álvaro Barreto deixar cair, numa entrevista, uns alegados "recados incómodos para dentro do Governo", segundo o PR (estas manias de perseguição já vêm de trás, portanto, como se vê!).
Na célebre "leva" dos remodelados de 1990, "uma remodelação que apanhou todos os ministros de surpresa, feita na passagem do ano," prepara a queda de Eurico de Melo -um dos poucos barões que o apoiara incondicionalmente em 1985, na Figueira da Foz, "frente a João Salgueiro, apoiado por quase todos os barões do partido." Como "paga" Cavaco levou-o para o seu governo. Anos volvidos, quando Eurico quis sair do governo por motivos pessoais, Cavaco ter-lhe-á pedido que ficasse. Ao que EM acedeu "com a grandeza de um presbítero meses depois, Eurico voltou a pedir a Cavaco para sair." Cavaco volta a pedir-lhe para esperar.
Vai que foi na tal "leva" dos remodelados, que Eurico cai como os demais, sem qualquer sinal de respeito, de diferença, especial.
Segue-se Santana Lopes, "o caso ainda é fresco, nos célebres tiros de dentro da trincheira. A 27 de Novembro de 2004, Cavaco Silva escreveu no "Expresso" um artigo sobre a má moeda, atacando directamente o governo do seu próprio partido. Três dias depois, e muitas intentonas de vários sectores à mistura, Santana Lopes tinha perdido o lugar de primeiro-ministro." Reconheça-se que a PSL nem Cavaco chegou para o "assassinar politicamente"!
Por fim, abriu-se a porta ao PS e à candidatura presidencial do próprio Cavaco.
O que se passou com Fernando Lima poderá parecer uma incógnita. Mas se o parece não o é, com certeza.
Trata-se de mais um soldado que obedeceu a ordens cegamente sem as refutar e depois foi ostracizado para mostrar a discordância do chefe quanto às ditas!
E se Cavaco tem sido um padrinho para algumas das almas gémeas (como MFL) também tem estado muito bem na pele de carrasco quando os seus mais fiéis seguidores mostram que afinal vêm para além da sua própria sombra!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cientificamente apaixonada!

Que bom que era trocar esta fobia eleitoral com um pouco de folia passional. Algo que me fizesse saír do sério e passar à loucura da insanidade de uma grande paixão!
Ora, romântica como sou, recuso-me a pensar que é este terrível mau feitio, ser um rato de biblioteca, um fanático do trabalho, que me afasta de uma grande paixão!
Explicam-me então que O AMOR É QUÍMICA! NADA MAIS!
Fluxo e refluxo de substâncias químicas fabricadas no corpo da "vítima" - o apaixonado! As deusas adrenalina, noradrenalina, feniletilamina, dopamina, oxitocina, a serotonina e as endorfinas em plena orgia. Madame dopamina é a responsável pela sensação de felicidade, já Madame adrenalina aceleração o coração e causa excitação. A noradrenalina é a Senhora que gere o desejo sexual no casal. Está provocada a alquimia, o santo graal dos sentidos, explosão, ficção e pura química!
E uma grande ilusão, que isso mais não é que excesso de oxitocina no sangue.Nada espiritual, poético, sublime!
A impressão de se ter um vazio na ausência do outro não passa de uma gigante fraude!
A vontade de ficar perto do outro não passa de um desequilíbrio hormonal!
A activação dos córtices insular e cingular anterior e do núcleo paraventricular é a verdadeira precursora da produção de oxitocina no hipotálamo e sua conseqüente liberação pela hipófise posterior. E esta hormona é a que me dá o prazer de um simples beijo (que aliás de simples não tem nada e até hoje embora seja - infelizmente - moça de recato e privada de devaneios - só encontrei um homem que soubesse beijar! E Deus, beijava maravilhosamente!
Trata-se de um vício, Pura droga. Maldita Cocaína.
Esse aperto no meu peito porque não te vejo, nem te revejo, essa ... saudade, fatídico excesso de dopamina. Em doses baixas (0,5-2 mcg/Kg/min.) a dopamina actua sobre os receptores dopaminérgicos, produzindo vasodilatação mesentérica e renal. Tudo tem explicação!
Ora, eu que sempre fui de letras e nada de ciências, não sou caso de espantar, Daí que nem seja dada a ter nem a suscitar paixões.
Diz-se que o sexo tântrico recebe uma superdose de dopamina (10mcg/Kg/min.), estimula os receptores alfa adrenérgicos e produzindo um aumento da resistência periférica e vasoconstricção renal. Ambas as pressões, a sitólica e a diastólica, aumentam profusamente e resultam no incremento do gasto cardíaco e da resistência periférica. Mas o que me encanta é quando, por fim, as hormonas ocitocina e vasopressina entram na dança, e tratam de fazer evoluir a pura atracção - a paixão - para uma relação calma, duradoura e segura - o amor. Que só pode ser eterno!
Aí resta a resignação de se estar preso no mesmo elo, partilhar o laço, viver o resto da vida a dois, com o Outro! Mas, até lá, ou controlo os níveis de noradrenalina e vasopressina no sangue, ou morro de paixão por ti! Porque, ao contrário do teu, o meu coração não é de pedra é do mais fino cristal.
Maldita Ciência! Deitou por terra as Letras!