sábado, 3 de outubro de 2009

O verdadeiro Cavaco

Julgo que se justifica rever e adaptar este meu texto já com algum tempo. Há uns tempos atrás, debateu-se a actual situação política portuguesa a partir dos dados das últimas eleições, à luz do estado actual das relações institucionais entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, designadamente, atendendo ao último discurso do Presidente.
José Miguel Júdice afirmou que Cavaco Silva devia surgir como uma força de poder na sociedade portuguesa, como alguém que define as regras do jogo, mas "queimou e malbaratou prestígio" e que na terça-feira começou a campanha para as eleições presidenciais, um "erro clamoroso".
José Adelino Maltez disse uma verdade incontestável: "Cavaco não é Deus, nem é Nietzsche". "O que aconteceu ... foi a vulgarização do homem. Do mundo celeste, ele desceu à Terra e tenta atabalhoadamente ser Mário Soares. Tenta politizar. E a política não é de anjinhos, não é de super-homens, é de homens concretos que têm de viver com a liberdade de imprensa. O povo percebeu que ele afinal é humano."
Baptista-Bastos já se fica pelo "mínimo de cortesia institucional", mas concorda que "o discurso de Cavaco foi uma coisa assustadora". .. não esclareceu nada: se houve uma grande manipulação pelo PS, porque despediu o Fernando Lima? E como é que o Fernando Lima tem um dossiê sobre uma pessoa (ou mais)? Quem é que lhe deu essas informações? Foi a perplexidade instalada: A Presidência tem legitimidade para ter dossiês sobre uma pessoa?
Considera que Cavaco é uma pessoa vingativa, que vai atrapalhar (eu diria que, dentro desta modernice da magistratura activa, o vai bloquear) o Governo.
Paulo Teixeira Pinto julga que "deve haver razões de parte a parte para esse sentimento de mal-estar, mas o facto de haver razões não significa que haja uma razão. Nestes cargos, o homem não é só o homem - é também o cargo, e os cargos não podem ter estados de alma." Para ele "política só é feita por pessoas, portanto só há casos pessoais e eu receio muito - e digo isto como alguém que preza muito Cavaco Silva, fui membro na sua comissão de honra - que lhe tenha aparecido uma espécie de terça-feira de Carnaval. Provavelmente podemos ter um fenómeno, que receio bem que seja a primeira situação de um presidente não ser reeleito." e sem gostar de "fazer prognósticos com vontades íntimas de ninguém. Ele já demonstrou que tem coragem para ser candidato numa situação muito difícil", não quer antecipar, mas receia que seja um fenómeno que não tenha a natureza de epifenómeno, mas que seja uma marca que fique."
Vulgar cidadã que sou, diria que, e o futuro o esclarecerá, Cavaco demonstrou sempre um egocentrismo perigoso para quem lida com poder. Às suas mãos e por sua vontade, cairam redondos no chão homens que, qualitativamente, quer ao nível das suas competencias humanas, quer ao nível das suas aptidões técnicas, lhe eram infinitamente superiores, apenas porque ousaram pensar primeiro que ele, à sua margem, de per si. Mudou cadeiras, cargos e funções sem ais nem uis. Cavaco, talvez até por causa disto, deslumbrou os portugueses, ele era a prova de que todos podiam ser presidentes e que até o homem mais humilde podia residir em Belém. Mas Cavaco nunca foi do povo - essa foi a primeira ilusão - muito menos alguma vez foi humilde - e não é cerebralmente um homem comum, é um homem culto, um académico, um estratega. Todos pensaram usá-lo na Figueira e ele provou que aguardava que o fizessem para depois se usar de todos a seu bel-prazer! No que fez muito bem, que assim muito barão e gabarola ficou pelo caminho e, tanto mais, que "barão que rouba a barão tem cem anos de perdão" (isto não me soa bem!!). E, nem Cavaco, é tão humano quanto o pintam! É implacável!
E o que o povo viu, finalmente, é que este homem desce do seu púlpito para ter uma "conversa em família" em que se confessa sob controlo, mas claramente atabalhoado, ele o tal que nunca tem dúvidas e raramente se engana - o que faz dele um ser paracelestial!
Deu uma súbita importância a Sócrates e imputou um poder ultra-secreto ao seu exército que o debilitam como Presidente! E, disso não temos dúvidas, revelou-se um homem francamente debilitado, cansado e que vive num mundo de perseguição e suspeita que o aproximam do delírio.
Um homem-Sol com dificuldade em lidar com a sua própria sombra!

A emergência de grandes mulheres e o desaparecimento do resto!

Vem a propósito o papel crescentemente relevante que as mulheres vão assumindo por toda a parte e em vários níveis da vida e a forma solitária como algumas seguem o seu caminho.
A Revista Fortune elegeu Maria da Conceição Ramos como a 9ª mulher mais influente de todo o mundo empresarial. É a actual directora executiva do grupo bancário sul-africano ABSA.
As mulheres já podem engrossar as fileiras da Guarda Suíça - o exército, até agora exclusivamente masculino - que protege o Papa.
4 procuradoras marcam a vida judicial portuguesa: Cândida Almeida, a primeira mulher portuguesa a entrar para a magistratura e que, hoje, dirige o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que coordenou a 'Operação Furacão' e o caso Freeport; Maria José Morgado, directora do DIAP de Lisboa; Hortênsia Calçada que deixou a liderança do DIAP do Porto e foi substituída por Maria do Céu Sousa, por fim, Francisca van Dunem, à frente da procuradoria-distrital de Lisboa. Todas igualmente fortes e invulgares!
Do resto do mundo, Indra Nooyi, CEO da Pepsi Co - até aqui tida como a mulher mais poderosa do mundo pela Forbes - foi ultrapassada por Ângela Merkel, chanceller da Alemanha, que ocupa agora o número 1, e até por Sheila Bair, chairman da Federal Deposit Insurance Corp. O 4º lugar é ocupada por Cynthia Carroll, CEO da Anglo American (Reino Unido), no 5º está Ho Ching, CEO da Temasek (Singapura), e no 6º está Irene Rosenfeld, CEO da Kraft Foods (Estados Unidos).
Está no ar a pergunta: o que torna estas mulheres importantes? Fica por apurar, mas uma coisa se constata, um traço que é comum a algumas - a solidão, resultante, não tanto da força e do empenho e até do tempo que dedicam aos seus caminhos pessoais, mas mais da dificuldade que os homens parecem demonstrar em coabitar com esta tribo de matriarcas sociais.
E em Portugal? Afasto Manuela Leite que já não concorre a lugar nenhum (quero acreditar nisso, tanto mais que "correr" ao que quer que fosse ser-lhe-ia muito dificil, pelos motivos óbvios! e refiro-me somente à idade). Mas lembro mulheres como a presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, ou Elisa Ferreira, candidata à Câmara do Porto, ou Fátima Campos, presidente da Junta de Freguesia de Monte Abraão, ou Teresa Caeiro ou Edite Estrela, são já uma marca política; Maria Belo, na defesa do feminismo, foi-o também (minha madrinha do coração); no mundo empresarial, pense-se em Ana Maria Fernandes, CEO da EDP Renováveis, em Esmeralda Dourado, presidente da SAG ou em Vera Pires Coelho, presidente da Edifer, ou, a minha amiga do peito, Ana Bela Pereira da Silva, Presidente da Associação de Mulheres Empresárias.
Se os custos de uma carreira empenhada custam a solidão das guerreiras, parece que muitas estão dispostas a pagar esse preço! Mesmo que a realização profissional não chegue para aquecer as noites gélidas do Inverno e por vezes lhes reste o eco e o espelho como reflexo de outra alma humana em casa. É duro! Mas é um caminho! E, se ao longo da história houve sempre grandes mulheres dispostas a ficar "por detrás" de grandes homens, parece que a estes lhes falta a coragem para trocar de papel! E, caso sejamos tão idealistas que ainda acreditemos que homem e mulher devem caminhar lado a lado, comungando um mesmo projecto de vida, ou simplesmente, partilhando-a, somos levadas a desistir! A outra metade da laranja deve estar nos Antípodas! Somos vetadas à eterna busca do nosso Santo Graal, a força dentro de nós, sem olhar para trás, sob pena de continuarmos sozinhas, mas como a mulher de , feitas estátuas, a perder a hipótese de viver e de nos sentirmos gente!
E agora que se descobrem cada vez mais grandes mulheres, onde estão os pequenos grandes homens? Ou melhor, refaço a frase, ainda há espécimes desses por aí?

domingo, 20 de setembro de 2009

"Abrir as Portas" - de Preto (a Sésamo)

Na Sábado última, para além das típicas revelações sobre Maçonaria que me escuso de comentar, porque felizmente só para quem é maçon é perceptível "o segredo", donde por muitas aleivosias que se escrevam, sendo escritas por quem não o é, não nos merecem fúrias de maior, tanto mais que a tolerância impõem-se.
Passando a coisas mais sérias ficámos a saber das compras e vendas de votos no PSD. Francamente, a mim, não me espanta. Passei em 2004 um episódio com esta "gente boa", "gente séria" que me custou um exílio na minha Quinta em Arruda dos Vinhos, o hábito de espreitar a minha própria sombra, temer pela vida dos meus, uma depressão que me fica de herança, e a minha carreira, tal como a tinha pensado e concebido. Foi uma sorte! Por isso esotericamente e até no Taror e na interpretação dos sonhos a morte significa nascimento.Por esse desencanto saí da função pública e comecei uma nova carreira em actividade liberal que muito me praz e satisfaz.
Ora, foi esta gente seríssima, que me achou "desadaptada", por me portar como uma virgem num bordel. Dito de gente com grande posição!
Portanto, se António Preto é um homem que "abre portas", não me espanta, de todo! Se há compra e venda e votos, por esta altura em saldos, por certo!, não me espanta! Não faz este senhor parte daquele grupo da senhora que também exercia idêntico cargo, que "abria portas" na Câmara de Lisboa?! Descobriu-se finalmente que esta gente se está em especilizar em portas: abrem-nas para quem lhes faz vénias!; fecham-nas para quem não é servil ou não tem o necessário perfil!; portas em esconças partes do escritório. Tudo uma questão de portas!
E ainda diz este Preto à Manelinha que há-de passar os seus 68 anos (encantadores depois daquele exercício fantástico de make-up para a entrevistinha!) no gabinete do Salazar, que ele lhe abrirá a porta! Que gabinete perfeito! O destino, às vezes, corre o risco de ser perfeito, quando escreve direito por linhas tortas! A menina no escritoriozinho do menino! Aliás, se Salazar fosse mulher seria ...? Almas gémeas respiram por fim o mesmo ar, aspiram ao endeusamento, "amam os seus inimigos", são exemplos da mais pura e amistosa coabitação com os seus opositores. Embora ao que sabe Salazar não tivesse esta preferência pelo "perfil" de "malfeitor" (embora todos acusados hiper injustamente, como a justiça (ou a falta dela!), confirmarão). Mas até nisto a nossa Manelinha é mais caridosa, misericordiosa, solidária, acho que é por ser avózinha, enquanto Salazar (numa privação divina) nunca foi pai, e por isso não sabia perdoar, não tinha esta paciência, complacência, com as travessuras dos meninos.
Nunca teríamos imaginado que o PSD tinha este dom, este talento, para "abrir portas". Já agora, por acaso, o Preto não terá - também - uma portinha só sua? numa qualquer parte de qualquer coisita esconça?, uma janelinha que seja! (que quando a alma é pequena tudo tem de ser feito em proporção!), ou terá, por esta altura, com aqueles negócios que lhe apontam (a mais cruel das mentiras, e se o tribunal o condenar recomendo que invoque a Lei nº 67/2007, e exija uma indemnização por erro judiciário!, talvez até uma acçãozinha em litisconsórcio com aquele senhor de Oeiras, sobre o qual também se dizem as mais torpes mentiras!, que diminuirá as custas judiciais e aumentará o quantum indemnizatório.
Resolvendo-se assim a velha questão do financiamento dos partidos! Proponho que todos os "alegados suspeitos" do PSD recorram a este mecanismo (de reparação de mentiras e injustiças) e, para provar o seu desinteresse por estas coisas materiais -que todos conhecemos -, já que não estou a ver a OPUS DEI a aceitá-los nem mesmo com voto de pobreza!, ofereçam depois todas as indemnizações aos cofres do seu partido (enfim, admite-se que fiquem com uma insignificância só para recordação!).
Pois continue a abrir portas, António, já que a sua honra está irremediavelmente manchada de "Preto"! A propósito, tenciona pagar os votos, espero! Mesmo que o PSD perca, ou condicionou o pagamento à Vitória/Maioria absoluta?!
Oxalá não se lhe fechem as portas ... atrás de si! Ou venha a ver um dia através de janelinhas exíguas e aos quadradinhos! Seria irónico demais!
Proponho ao António (Costa) ou ao Sócrates, ao que puder, que ceda um dos palacetes à Direcção-Geral dos Serviços Prisionais e o pinte ... de laranja, e tal qual Versalhes, construa, para gláudio dos injustiçados que lá habitem, um labirinto, não em forma de jardim (aí teria o palacete de se localizar na Madeira, sítio onde, segundo Alberto João, não há corruptos - por isso poderiam exportá-los para lá, e que bençãos seria! Humanizar a Madeira! Que ficaria com menos Céu e mais Purgatório, já para não falar que poderia tornar-se um cantinho especial do Inferno!), mas com mil portões, muitas portas, centenas de portinhas, dezenas de janelas e de postigos.
Mas numa parte esconça do edifício, por favor!
Que as portas perdem toda a graça se estiverem às claras, tudo deve estar bem ... escondidinho!
Pondere isto, senhor Ministro da Justiça, afinal assim provaria ser melhor que Carmona - não é um desafio difícil, convenhamos - que prometeu ceder um palacete para servir de Templo a "homens de bem" e depois, sabe-se lá depois de tantas portas lhe terem aberto! "os deixou na mao"!
E vivam as portas, que se estes senhores ganharem se hão-de escancarar, dando nova graça à expressão "É fartar vilanagem!"
Viva Port(as)ugal!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

De que vale um político "alto" se é "baixo"? Pode um político "baixo" ser "alto"?

Respegando num texto publicado na edição do Expresso de 28.Fev, e na foto acima, que legendo; da esquerda para a direita: Nicolas Sarkozy, Presidente da França, 1,65m; Maria de Belém, deputada do PS, 1,48m; Silvio Berlusconi, Primeiro-ministro italiano, 1,65m; Marques Mendes, ex-líder do PSD, 1,61m; Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, 1,57m e António Vitorino, ex-ministro da Defesa, 1,62m, e a propósito da Visão desta semana.
Ironiza a Visão com as "preocupações" da sua baixa estatura.
Para um homem que ultrapasse 1,70 m, este é um assunto descabido. Para o que se fique áquem da medida é uma "carga de trabalhos" e esta demanda tem motivado conturbadas discussões.
Sou admiradora ferverosa de Napoléão e releio frequentemente as suas "Memórias" ou "O Dia em que Napoleão Fugiu de Santa Helena", de Fernando G. Sampaio. Sobre ele 13 cm dividem os historiadores: 1,57 ou 1,70?
A altura de Kim Jong-il, o líder norte-coreano, é segredo de Estado.
Putin recorre aos mais insólitos expedientes e artifícios para iludir a sua baixa estatura.
Berlusconi (a quem Prodi recomendou que que subisse a uma cadeira para ter "um ar mais imponente") diz-se mais alto do que Sarkozy e este usa um salto-tacão de 7 cm, para minimizar o impacto provocado por Carla Bruni, que, mesmo com sapatos rasos, o ofusca do alto do seu 1,70 m.
Com o seu 1,57 m (menos 10 cm do que o seu antecessor, Vladimir Putin), o homem à frente da Rússia desde Maio de 2008, Dmitry Medvedev parece ter mais 10 cm ... porque usa sapatos de plataforma.
O primeiro-ministro italiano afirma que mede 1,70 m, mas tem menos 5 cm.
"Portugal tem também os seus "baixinhos", "baixotes", "rodinhas baixas"".
António Vitorino, um daqueles baixinhos que me convenceria de que não gosto de homens altos, disse, há uns anos, que o "Ministro da Defesa não tem que ser Schwarzenegger", o que sendo verdade, convenhamos, pode ter sido o bilhete de entrada para esse na família Kennedy!. Mas o António, admita-se, é massa de outro alguidar, farinha de outro saco. Trata-se de um ser humano dotado de "grande inteligência", de um "grande sentido de humor", de modo que o seu "grande" Q.I. compensa o "petit quoi" físico. E até ficava bem a passar revista às tropas.
Com o seu humor, ironizava acerca de Marques Mendes "Tem a proeza de ter menos um centímetro do que eu."
Ora, Marques Mendes, nos antípodas das qualidades tecidas a propósito de Vitorino e com aquela (falsa) modéstia que lhe é peculiar, respondia "Sou uma das provas eloquentes de que uma baixa estatura não prejudica minimamente uma carreira profissional ou política." Vocábulos de vaidade: "eloquente" e "carreira". Tudo o pequeno acha que tem! Enfurece-se com a vil e torpe mentira torpe de que teria mandado fazer um palanquinho para si (não sei porquê, também tenho um em casa para arrumar as prateleiras mais altas!) e diz achar ternurenta o tio Alberto João quando um dia se referiu ao seu pai como "o pai da criança". "Brinco com o assunto. Digo até que não sou baixinho, sou ajeitadinho, arrumadinho..."
E se não falássemos apenas de homens, teríamos de citar Maria de Belém Roseira.
Os académicos defendem que quem não encaixa na média pode desenvolver um complexo de inferioridade (o síndrome de Napoleão ou Síndrome do Homem Baixo ou do Pequeno), responsável por uma maior agressividade, como mecanismo de sobrevivência (Mike Elsea, Universidade de Central Lancashire). - Excepção feita a Saddam Hussein (com 1,87 m) e a Bin Laden, líder da Al-Qaeda.
Ora, cuidem-se os académicos que, no caso nacional, ou nos acautelamos, ou passaremos a ser o protótipo do país com uns políticos que até são "normalzinhos" mas que escondem, seja atrás de palanques, de saltos, de contas bancárias no estrangeiro, uma estatura muito baixinha, mas essa é a estatura moral, senhores. Este país ainda há-de deitar por terra, ou por água abaixo, as teorias americanas!
Vejam-se os posters publicitários para as próximas eleições.
Salvando-se aquele senhor(!?) cujos assessores de imagem optaram por colocar em evidência tão-somente a sua cabecinha e respectiva carinha laroca, planície esbranquiçada que antes nada continha, mas ostentava, e agora, continuando a nada conter nem sequer já nada ostenta, antevê-se talvez um corte à "feijáo verde" (sempre imaginativo, julga-se já a passar revista às tropas, nem que seja à "tropa macaca", muito do seu gosto, ou melhor seria à polícia municipal), todos os demais políticos não se fazem rogados e, bustos em evidência, apelam ao voto na virilidade, na masculinidade.
Devem os votantes portugueses ou as votantes, concretamente, ser muito menos entendidos na matéria que as actrizes de Hollywood, que descobriram nos baixinhos o Elixir da Juventude!
Também a coisa nao tem muito que se diga, a acreditar no ditado de que "Homem pequenino ou velhaco ou dançarino", basta perguntar a cada baixinho a que categoria pertence!
E aos outros? Aos altos, perguntamos o quê? Ou não perguntamos nada porque lhes basta ter "ares" ou darem-se "ares"?
"Ar" de serem homens q.b. de serem políticos q.b. Que esquecem o conselho dado à mulher de César, já nem parecem, quanto mais querer que o sejam!
Muitos dos políticos que assaltaram o poder nos últimos anos, vindos do partido da setinha, de tantos anos a seguir o sentido ascensional, viram favorecido o seu crescimento físico, e tem sido um gosto vê-los a acabarem homens de "grande" visão, atrás de um número de uma conta bancária na Suiça ou de uma portinha numa parte "esconsa" de um escritório!
Não se iludam os portugueses pela aparência, que esta gente é sabedora, depressa aprendeu a dar-se "ares"! Têm "ar", muito, só "ar"! Quem dera que os seus abdómens de homens bens sucedidos por um minuto fossem balões (alguns são!), e, como no poema, picaríamos leve, levemente, com a ponta de um alfinete-de-dama, e que espectacular folia de cores, de feitos (e defeitos!), de bonequinhos altos e gorduchinhos (os sempre-em-pé!) , de gentinha de bom porte, baixinhos e mais altitos, a subir, como na canção (sobe sobe balão sobe), seguindo o sentido da velha e amada setinha: que bom que seria que voassem alto e mais alto, e voltando à canção, fossem para longe, muito longe, viver e sonhar (que a conta chega para isso, com certeza!), logo depois do fiasco das eleições, direitinhos aos países "altos" - para eles tudo tem de ser em grande! - sugiro ... Alpes Suiços, acham bem?)

domingo, 6 de setembro de 2009

O Conselho de Corrupção e o Código dos Contratos Públicos

Um texto publicado no O Correio da Manhã de 4 de Setembro serve de mote a esta reflexão.
"A aplicação da lei em Portugal é rápida e inexorável para os pobres, modificando-se sensivelmente quando se trata de burgueses abastados; e completamente, a ponto de não exercer o seu predomínio (...) quando se dirige a pessoas de elevada condição.”, frase de Maria Rattazzi que traçava a justiça do nosso país em finais do século XIX, e que Euclides Dâmaso, director do DIAP/Coimbra, rebuscou para descrever o quadro actual.
Por outro lado, Maria José Morgado diz que se precisa de ferramentas de trabalho, de informatização a sério, de bases de dados que não têm e realça a necessidade de se criar um tribunal especializado para o combate ao crime económico. Foca precisamnete como área de risco "A aquisição de bens e serviço para a administração central e local, as obras públicas, a concessão sem concurso público, as decisões sobre gestão do território e do ambiente”.
O mesmo artigo cita nomes de políticos a braços ou nos braços da justiça, como VALENTIM LOUREIRO, FERREIRA TORRES, FÁTIMA FELGUEIRAS, menciona os € 34 MILHÕES já recuperados em impostos pela ‘Operação Furacão’, as 3185 DENÚNCIAS DE CRIME ECONÓMICO recebidas, os 426 INQUÉRITOS DE CORRUPÇÃO levantados e o Éden das OFFSHORES.
Esta parece-me uma visão clara do problema.
João Cravinho já a tinha e a recompensa pelo esforço foi ... Bruxelas.
Fui inspectora da Inspecção-Geral de Finanças, subinspectora das Obras Públicas, auditora do Tribunal de Contas e sei que esta é uma realidade muito incómoda. Eu própria, não sendo um Cravinho, mas quando muito apenas uma cravina, já me vi metida em alhadas e comportei-me, qual virgem num bordel!, o que me custou ... demais.
Daí que conhecendo o "meio" fique estupefacta com a solução encontrada, que não vai ao encontro da visão realista dos especialistas "do terreno" citados, mas mais parece satisfazer visões idealistas e irreais.
Dou com a notícia de que o Conselho de Prevenção da Corrupção, que funciona junto do Tribunal de Contas, para avaliar o estado actual da luta contra a corrupção, "pediu" a meio milhar de gestores públicos que, em 30 dias - a contar de Março, data da deliberação - respondam a um inquérito sobre prevenção da corrupção, que os responsabilizará no futuro por eventuais ilícitos, disse o secretário-geral do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC), José Tavares, por inerência do cargo de Director-Geral, aliás também Juiz Conselheiro do mesmo Tribunal.
"O CPC aprovou uma deliberação estrutural que reconhece e recomenda que todos os gestores de dinheiros e de património públicos devem analisar as suas organizações, identificar os eventuais riscos de corrupção e prever medidas que possam reduzir ou eliminar a sua ocorrência», afirmou. Igualmente, como o fez Maria José Morgado, definiu como uma das «áreas» de maior risco de corrupção - a contratação pública.
Acompanhei a elaboração do novo Código dos Contratos Públicos, acompanho a sua implantação, como formadora e consultora, e pergunto-me: se esta foi sempre uma área de risco, porque se constata que esta é uma peça técnica altamente permissiva para o alastramento do dito fenómeno?
Não foi o Tribunal de Contas consultado, na fase de discussão pública, sobre os textos prévios?
Sendo o Código elaborado por um/dois dos maiores gabinetes de advogados de Direito Público, usualmente do outro lado da bancada, porque não se muniu e não difundiu o Governo os textos preparatórios, que materializam a mens legis? Ou melhor, reformulando, existem? Por certo o Estado não ignora que, existindo uma divergência um litígio entre si e o adjudicatário/fornecedor/empreiteiro, são estes os Golias que enfrentarão os seus representantes: os david's. Espera milagres?
Mas voltando ao que parece ser algo simples para o Conselho e para o Tribunal assalta-me a curiosidade: passados 30 x ... 30 dias, qual é o resultado de tão arrojada ideia: perguntar aos gestores se há, onde há, e o que estão a fazer para que deixe de haver corrupção. Quantos responderam? Como responderam? E o que se propõe fazer o Conselho? Desatar a enviar milícias (para além dos espiões do SIS/SIED que pretendem fazer rigorosamente o mesmo), técnicos/auditores+agentes infiltrados?
Voltemos ao caso.
Passados meses, os resultados - a existirem - estão no segredo dos Deuses, para que nós, comuns dos mortais, não caiamos na tentação de olhar para Deus e, como Moisés, acabarmos cegos, ou olharmos para trás, como a mulher de Jó!
Que a Maria José tinha razão, sim! Tribunais especializados!
Criarem-se Conselhos de isto e daquilo, sendo jovem a Democracia, já se provou que de pouco serve, se é que serve para coisa alguma! Vá-se lá exigir que um exército de iluminados desvende, através de confissões voluntárias, quem usa colarinho branco neste país! Se é naif não sei, mas seguramente, perdoeem-me, é ingénuo! E até estou inclinada a comparar tudo isto com Daniel na cova dos leões!
Felizmente que Guilherme Oliveira Martins é O Homem Culto daquelas paragens e bem conhece tais "passagens biblicas". Oxalá saiba dar ao Conselho um conselho: o povo está de olho em vós, não o decepcionem! Que ateus já temos que baste! E isto é um caso de Deus e só acabará bem se houver um milagre!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Velhos, Jovens e Novos Políticos - Precisam-se!

O problema da política, sabemo-lo, é estar cheia de políticos!
Desde a criação da Democracia, na Grécia Antiga, ser político não é profissão, é um serviço público. Ora, a próxima competição eleitoral vai constituir uma espécie de “laboratório político”. O politólogo Carlos Jalali no livro "Partidos e Democracia em Portugal – 1974/2005" discorda do politólogo Pedro Magalhães que diz que os portugueses são democratas, descontentes e desafectos.
Porquê?
Os pensamentos extrapolados por ambos não chegam para afastar a ideia de que há três tipos de políticos: Os eminentes políticos; Os eminentes técnicos; E os traíras (sinónimo de Judas).
São os últimos que detém o maior poder. Explico porquê. Os primeiros, traiem acordos, porque se julgam eminentes políticos; os segundos, traem a razão, porque pensam que a "preparação" e a experiência" lhes chega para resolver os problemas dos seus liderados; Sobram os traíras, que se mantém no equilíbrio precário acordo/conveniência. Traiem para não serem devorados pelos dois primeiros, nem engolido pelo político nem escorraçado pelo técnico.
Compreende-se porque Mega Ferreira disse: "Se queres ser político faz-te de morto".
Alguns dos jornais internacionais afirmam ironicamente que as "Qualidades essenciais para presidir à Comissão Europeia estarão asseguradas", porque Durão Barroso continua a ser o político mais irrelevante e inofensivo da Europa.
Consta que existe uma condição para ser político. E que é inerente aos que têm a capacidade de defender qualquer ideia, tal como o seu contrário com a mesma convicção.
Há vidas atrás, acalentei a ideia, e, na altura era quase um sonho, de "seguir" a política. Trabalhei com um homem maravilhoso, Luis Madureira, primeiro como sua assessora, enquanto Secretário de Estado da Administração Interna, e depois como sua adjunta, enquanto Secretário-Geral da Assembleia da República. Digo-o sem bajular, porque infelizmente, Deus chamou-o para si, e digo-o com a certeza possível porque era um homem que acreditava na sua existência e dignificava a espécie humana. Tinha, pois, o espírito de missão, do serviço público.
Trabalhei em várias instituições e jamais, a não ser muito recentemente, voltei a ver a mostra (genuína, claro!) de um homem como este! Vi homens-ratos, homens-toupeiras, homens-sabugos, homens-rãs! Mas não voltei a ver, senão há pouco, um homem com o carácter de missionário. E tive pena! Os poucos homens que vi que, pelo menos, pareciam sérios, eram ingénuos, diletantes, posicionavam-se como semi-deuses nas suas organizações, nada sabendo, nada governando, deixaram-se "governamentalizar"! São sérios, mas ineficientes, porque os homens-sabugos lhes sonegam o poder e lhes esvaziam as funções! Depois, para me maravilhar, conheci homens que revelavam o "golpe de asa" que, quando acresce ao tal espírito de missão, transforma alguém num animal político. Infelizmente, aquele homem com quem trabalhei, confesso e reconheço, não o tinha. Limitava-se a ser obediente, ordeiro, um homem do sistema, para o sistema, pelo sistema. Mas competente, na medida em que o deixavam ser!
Tenho pena que a política, ou melhor, a elite política estrangule quem tem rasgo, golpe de asa, mas compreendo que o faça. É pura sobrevivência! Que pena!! Que grandes políticos teriam estes homens conseguido ser! E, contudo, nunca o quiseram ser, ou nunca deixaram que o fizessem, afastam-nos do Poder Maior, obrigam-nos a ficar por posições intermediárias e menores, mantêm-nas em resguardo, acobertam-nos à sombra. Dão-lhes guarida na patamar da insignificância! Continuo a ter pena! Há gente com uma capacidade interiorizada de estar na política e há outros que acumulam com uma capacidade exterior de estar nela! Existem homens que seguiria até ao fim do mundo! Pena é que se tenham deixado perder pela forçada "deslocação" pela dita elite política, que tanto luta para manter o status quo da mediocridade, que se alimenta das manobras populistas, e, convenientemente servis, oportunistas dos seus pares! Preservam-se!
Uma ou outra esperança, ao fundo do túnel, mantém-me viva a ideia de que tudo é possível, de que a Democracia tem de ser possível, e de que outros novos grandes homens se hão-de revelar. Porventura, precisam de espaço, de alguém que lhes dê a mão, de uma equipa em que confiem a sua alma, e em que os ventos rumem a seu favor. Tenho esta como uma missão, talvez até uma aventura: saibamo-los descobrir, criar, potenciar, agigantar, criar trampolins de motivação, lançá-los na nossa salvação, envolvê-los na nossa demanda! Sejam esses novos homens velhos por revelar, jovens a incentivar, crianças por nascer! Porque urge a Esperança! Porque o País precisa desesperadamente deles!

A casa de banho do Manuel

A política tem o malfadado condão de reduzir a mais séria das conversas ao nível rasca da galhofa. Não que o façam deliberadamente os seus protagonistas, mas porque as artimanhas e expedientes a que alguns deles recorrem, não viriam à memória do comum dos mortais.
É o que acontece com "a casa de banho" de Dias Loureiro!
Tirando o peculiar e curioso pormenor de que, ao que se sabe, a descoberta da portinha da dita (qual Abre-te Sésamo, ficando na boa-fé de cada um julgar Ali-Bábá e o resto da rapaziada - 40 ladrões, ao que sabe!) se dever a um zeloso agente (um dos investigadores do caso BPN) cumpridor pontual das suas necessidades fisiológicas (que será louvado por ... competência? ou punido por ... excesso de zelo? - o tempo o dirá). Ou seja, descobriu-se por mera ... necessidade.!
De volta ao WC, imagine-se o nosso agente sentadinho do alto da sua retrete a olhar à volta, procurando uma revistita que o descontraísse, e vai daí dá com os olhos na maldita porta (coscovilhice pura!), pensa: esconder-se-á ali uma camâra video, erguer-se-á ali uma mini-biblioteca, guardará ali o proprietário os seus brinquedos sexuais, e, sem demais, toca a bisbilhotar propriedade alheia ... alerta senhores muitissimo bem pagos advogados do Manuel: esta busca é legal!? (de notar que a "portinha" equivale a um cofre e para efectuar uma busca a este tipo de lugares, os senhores investigadores teriam de estar munidos do respectivo mandato judicial autónomo!) - apelo para que "trabalhem" esta hipótese, não perdoem tal invasão de propriedade - trata-se de um direito constitucional, no âmbito dos direitos, liberdades e garantias, minha Nossa Senhora! - aonda vai isto parar? A um diário da ex, calculem! Haja contenção e limites nisto das procuras! Peça-se a anulação da busca! já! Ou prepare-se uma linha de defesa do género: o dossier era o resumo do monopólio versão familiar que, no período de noivado, ocupou as longas noites dos noivos e agora se destinava, consumado o casamento e ocupando estes aquelas com outros jogos, a uso higiénico. Quero acreditar nesta versão, é bonita, faz-me lembrar os filmes indianos do pós-25, em que os actores enamorados só ... cantavam. e eu achava que namorar era mesmo assim .... Mas, apesar das suas humildes raízes, nem mesmo em Aguiar da Beira se limpa o traseiro a informações "relevantes".
Manuel, és uma personagem de Hitchcock. Esqueceste-te do "Vertigo", da famosa frase “You shouldn’t keep souvenirs of a killing. You shouldn’t have been that sentimental.“. Meu caro, como foi que não se lembrou de acabar com tal vestígio?
Entradas secretas? Num WC, convenhamos! nem os bunkers de Hitler se muniram de tão impensável esconderijo! Diria eu que se fez assessorar de engenheiros muito competentes na arrumação logística da sua casinha! Mas devia ter-se prevenido e mandado tapar a dita, ou será que a lua-de-mel em Miami o deixou financeiramente de rastos (mas já o estava antes, não estava? então não é verdade que o senhor não tem nada em seu nome?, indago-me sobre quem terá sido a pessoa amiga que lhe financiou a viagemzinha, deixe-me adivinhar ... a sua ex ou os seus filhos!? isto há famílias unidas que dá gosto ver, sim senhor!)!
Ora, diz o Manuel, minimizando a descoberta dos papéis, que esta era apenas “uma parte esconsa do escritório”, - e nós acrescentamos: diga-nos então onde são as partes nobres do mesmo e imagino que por lá se descobrirá a identidade dos restantes 40 ladrões! Onde são elas Ali-Bábá?
Meu caro, nem casa do Damásio (a mais cara do país: €15M), ou a Quinta da Gramela (a 2ªa mais cara: €14M), possuem uma "porta-forte" semelhante! Está de parabéns. Querendo vender, esta "portinha" pode valer-lhe umas boas mais valias!
Voltando a engenheiros e a WC, quem não recorda a discussão Carmona/Carrilho sobre uma outra casa de banho, esta sita no Ministério da Cultura? Discutiam o Prof. Engº e o Filósofo a veracidade do custo - na altura muito falado - da própria.
Mal sabia o Engº que outro WC - este - se viria a tornar famoso - não pelo luxo dos materiais, mas pelas matérias de luxo! Documentos escondidinhos conexados com os negócios do BPN em Porto Rico e Marrocos (terá sido coincidência a lua-de-mel em Miami, oxalá que sim, Manuel, que era tão pouco romântico gastar tempo precioso a visitar locais de culto ou velhos amigos). Santo Deus, juramos que não! (Um Conselheiro de Estado jamais se lembraria de tal!) e ali se achou também (felizmente! que era tido por perdido pelo autor e tamanha era a sua dor que desatou em pranto quando o soube recuperado!) um livrinho com um "apanhado" da sua actividade empresarial). Bem dito São Judas! Padroeiro dos perdidos e achados!
Afinal ao Manuel, que não estava nos seus "Dias", mais vale fustigar-se com ramos de "Loureiro"!
É que falhou-lhe à memória o lema que dizia seu (Age quod agis ("faz bem o que fizeres"), pequenina frase escrita ditada num papel que seu tio-avô padre, lá em Aguiar da Beira, e, segundo ele, "uma das pessoas que mais o influenciou na vida", de que terá copiado o estilo "um pregador exímio", mas esquecido o bom recado!.
Muito mal pensado! Muito mal feito! Absolutamente condenável vindo da parte de um político experiente como o Manuel!
Em época tão crítica para o mercado da construção, assistiremos a uma chuva de pedidos de redecorações, recuperações, alterações nos WC? Que bom! Deu azo, afinal, o Manuel à recuperação da economia no sector. Mesmo na maior das desgraças gente positiva, como nós, consegue perceber alguma graça, em conclusão.