quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Política e desemprego!

Gostei de ouvir o Ministro da Agricultura a dizer que não está «agarrado» ao lugar que ocupa no Governo, como resposta ao pedido de demissão feito na quinta-feira pelos agricultores que se manifestaram na Póvoa de Varzim.
Primeiro, porque são poucos - muito poucos! - os políticos que o ousam dizer e menos os que o ousam pensar!
Jaime Silva tem uma carreira, coisa de que outros não se podem gabar. E, goste-se ou não se goste, foi um homem que se fez a si mesmo, e que sabe de onde veio e tem para onde voltar. E isso, reconheçamos!, é raro entre os seus pares!
O deslumbramento do poder é um dos fenómenos mais tristes a que se vem assistindo na vida contemporânea. Outros que lhe apontam o dedo, como Paulo Portas, dificilmente se afastam do Poder, mesmo que estejam no Contra-Poder! E seguramente o Paulo não pode ter tal desapego, até porque, sem ser para debaixo da saia de sua mãe, não saberia para onde ir! Não sei como foi que o menino degenerou! Qué de 62, raios, do meu ano! Que até foi ano de vintage e de boa safra! Mas aquele 12 em Direito na Católica é imperdoável! Sabe que faz bem em usar o apelido Portas se usasse Sacadura Cabral era demasiado irónico! Já o mano Miguel tem um perfil - até físico! - mais pró heróico e sua irmã também tem uns ares de princesinha da Renascença que lhe ficam bem, agora o querido ficou mais pró beto, pró queque. Seja Portas, sim, é apelido de menor responsabilidade!
Quem também não tem medo do desemprego é o mano Isaltino, que na Loja onde serve, lá, na Mercúrio!, se o Grande quiser, hão-de renová-lo no cargo de mestre-de-cerimónias! O que até pode vir a revelar-se útil para o futuro! Estou a vê-lo a recibos verdes, prestando serviços como embaixador do Director-Geral dos Estabelecimentos Prisionais! Tem a posse! Fica-lhe bem! Sim senhor! Foi bem achado! É o toque de Midas! Que tudo o que este senhor faz, dizem, faz muito bem!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O elogio estatal da denúncia - Ao Rui (Pereira)

O Serviço de Informações da República (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) assinaram protocolos para infiltrar agentes não identificados em alguns serviços públicos, avança a edição de hoje do Correio da Manhã.
Caríssimos Rui e Júlio (ambos de apelido Pereira), pergunto: porquê o incómodo de colocar agentes do SIS? Saibam que há gente na Função Pública cuja frustação é tão grande que inventaria qualquer coisa para que Vossas Excelências lhes dessem um minuto de glória! Eu própria tenho todo o gosto em fornecer-lhe alguns nomes que se dedicam à arte de bem denunciar os colegas desde - toda a sua vida! - sempre.
Fico simplesmente preocupada com o seguinte: para ter acesso a tal informação onde tencionam colocar, na estrutura organizativa, tal gente? Na portaria? Na informática? Espero que estejam antes a pensar em infiltrá-los como dirigentes, chefias, nos gabinetes da Direcção. É que não será entre trabalhadores comuns com certeza que os senhores encontrarão os actores do crime financeiro e organizado, os agentes da corrupção! Para se praticar um crime dessa natureza tem de se ter acesso à "coisa" e poder para a "coisa"! Faço-me entender?
Recordo-lhes, permitam-me o à-vontade democrático, que ainda há pouco se discutia a legitimidade, legalidade e até a constitucionalidade de uma medida tida por muito "oportuna": a de obrigar quem ocupa determinados lugares ou integra certas carreiras a "dar parte" de ser membro de alguma associação cívica (querendo visar a associação cívica a que o senhor ministro pertence!)!
Entendam, pois, que é-me visceral insurgir-me contra o elogio da delação, ténue pode ser a fronteira entre esta, propriamente dita, com o objectivo que pretendeis, e a mais profunda infâmia, a maior difamação, o cruel vitupério, a vil mentira.
A tentação de "tramar a carreira" de A pode ser a escada (não de Jacó!), mas o corrimão mais breve para a ascensão de B! Essa tentação pode até apoderar-se de muito (boa) gente! que, mercê da sua mediocridade, não descortina outra forma de saltar uns degraus na escalada da promoção!
Por um prato de lentilhas, por três moedas, ou por tudo e por nada!
Haverá gente que não hesitará em fazer um pacto com o Diabo, e oferecer quantas cabeças de joão Batista conseguir, a troco de ... qualquer coisita!
Não dêem por certa a honra nos homens porque parecem esquecer que alguns homens tãopouco alguma vez lhe viram a face! Não profissionalizem o hobby da "queixinha"! Não confiram honrarias aos Cavaleiros Negros da Santa Ordem da Delação!
Quem vos fará o "tratamento" dessa informação? Testaram esses homens a quem confiam tal tarefa com as provas adequadas? Confiam na Sua Verdade? Descobriram polígrafo que detecte se a Sua Verdade é a Vossa Verdade também, ou se é (a pura, a real) a Verdade?
Cuidado, Rui, meu irmão, não vás tu ser o "Abre-te Sésamo!" de uma cidadela de discípulos de Judas! Ser o beatificador da Delação! O Santo Inquisidor da Maledicência! Não passes tu, Rui, de homem livre a homem do cárcere, de libertado a aprisionador! Lá fora, são poucos os homens de bem!, na verdade, são poucos os Homens! e é ainda menos o Bem! E a Caixa de Pandora que te propões abrir não contém a pérola da esperança (como a da lenda) mas sim o diamante negro da suspeição!
A intenção é boa, mas não te queria estar na pele, se um dia por acaso descobres que acusaste um inocente e premiaste um bajulador! Não te esqueças que és "de bons costumes" e que é suposto teres consciência, vírus de que muito poucos são portadores, e que, nas malhas que o Inferno (ou o Império) tece, cai, por vezes, a mais fina joía da coroa!

domingo, 23 de agosto de 2009

Mentira e política

Sabe-se que mentira e política são damas da mesma intriga.
Lembremo-nos do poema “A Implosão da Mentira” de Afonso Romano de Sant´Anna, em que os versos mentem, mentem e de tanto/mentir tão bravamente/constroem um país de mentiras. Já Maquiavel dizia "Governar é fazer crer." Daí à Teoria da Mentira.
Por isso William James, pensador norte-americano do século XIX, pregava a necessidade de a cidadania encorajar o “desejo de duvidar“: o cepticismo.
Bertrand Russel dizia que “o que precisamos não é o desejo de acreditar, mas da vontade de descobrir, que é exatamente o contrario”.
A mentira foi a ideia crucial de “1984”, de George Orwell, em que a dita Teoria é exposta pelo personagem central — funcionário do Ministério da Verdade —, ao qual competia, diariamente, alterar os factos do passado, eliminando as provas materiais que os denunciassem a ajustar o presente, de acordo com os novos factos. O objetivo: controlar o futuro.
Como diz Sant’Anna “(...) e mentem de maneira tão pungente, que acho que mentem sinceramente”.
É sabido que a mentira nas democracias contemporâneas é um fenómeno de proporções imensuráveis. Confunde-se com a razão do Estado, é a razão do Estado.
Mais que todas a s mentiras, a mentira politica "é uma construção equiparável, no valor que lhe é atribuído, pelo menos pelos políticos, à verdade. Mas, contrariamente á verdade, a mentira politica é apresenta-se não como uma conjectura refutável, mas como um facto irrefutável." Seguimos a verdade de Platão (A REPUBLICA) que defendia o uso da mentira na política e afirmava mesmo que "Se compete a alguem mentir, é aos lideres da cidade no interesse da propria cidade, em virtude dos inimigos ou dos cidadões", escreveu ele com a ressalva:- "a todas as demais pessoas, não é licito esse recurso".
Corroborando o blog do felino, "Lamentavelmente, na política a mentira compensa. (...) Sintoma de irresponsabilidade, de mão dada com a incompetência que mostra o desmerecimento para governar."
Citando Hannah Arendt "a política é o lugar privilegiado da mentira".«E se a mentira política não tem nada de novo em termos de natureza humana e de natureza da política, a mudança de escala que aconteceu nos meios de comunicação e das audiências , tornando possível a passagem da mentira política para a "política da mentira política", estrutura uma realidade nova» Joaquim Aguiar, no seu livro Fim das Ilusões/ Ilusões do Fim (citando Jean-Paul Sartre) «A mentira política não é involuntária nem é ingénua, não é um produto do desconhecimento ou da insuficiências de informação. Quem mente, sabe que mente, por que mente e para que mente» Idem.
Ao povo compete cultivar a arte de ser céptico.
A época de eleições é a época de semeio, de cultivo.
Para nós, a dúvida é de plantio permanente, que neste país, vai sendo difícil, dar-lhe tempo de pousio.

Os acidentes (com as palavras) da MFL

Folheando os periódicos deste fim-de-semana, deixo-vos as ideias mais acutilantes.

Assim, como eu concordo com Carlos Marques de Almeida, em artigo de opinião do Diário Económico, de Sábado (22 de Agosto/09), sobre o clima dos últimos dias, em preliminares eleitorais, diz o próprio " ... Despida das minúcias da consciência, a vida pública em Portugal vive numa espécie de demência precoce encerrada no labirinto dos destroços que ninguém remove ou reconstrói. A regra geral do país é a lei do canibalismo político, onde a ambição social e a promoção pessoal transformam a política numa arena de ‘hooligans' com gravatas de seda."
Pelo Sol, ficamos a saber que "De acordo com informações da DGAI, o PS, PSD, o CDS-PP, o BE, o Movimento Esperança Portugal (MEP), o Movimento Mérito e Sociedade (MMS), o PCTP-MRPP, o Partido Popular Monárquico (PPM) e o Movimento Partido da Terra (MPT) apresentaram listas aos vinte e dois círculos eleitorais, bem como a CDU (coligação que integra PCP, PEV e ID).", portanto, peças do xadrez já definidas, reduzíveis a 4, louvemos os "pequenos" sobreviventes que teimam em não tombar, e fazem muitissimo bem, o pluralismo democrático recomendaria um leque de forças mais heterógeneas e em que as ideias minoritárias não se abaixem perante aos "grandes" combatentes, de forma a reduzir o impacto bipolar PS/PSD.
Ainda pelo Sol, constatámos que Paulo Portas se acha indignado porque Sócrates viola, segundo ele, uma regra democrática fulcral que é a de "andar na rua", comenta que lhe parecia ser obrigatório ir a feiras, visitar mercados ou cumprimentar comerciantes - meu caro, se lhe tivessem dito que não era obrigatório tê-lo-ía feito? Essa é que é a questão! - Por outro lado, andasse o primeiro-ministro todo o dia pavoneando-se por Lisboa e já o menino dizia que o País estava sem primeiro-ministro! Terrivel a política, não? Mas deixe que lhe diga, que Sócrates, nesta caso, nem tem razões para fugir ao confronto: é melhor afigurado que o Paulo, um homem alto, que veste bem - dizem os críticos de moda que é o político mais elegante, destronando o Pedro (de muito boa figura, convenha-se, mas demasiado dejá vu, e com um ar agastado que o vai relegando para o plano secundário do bem parecer, e se quisermos contemplar então também o Paulo, até terciário - isto para lhe agradar!), cumprimenta bem - sabe que ser convincente num aperto de mão não é fácil? - e, portanto, se se passeia pouco melhor para o Pedro e o Paulo, ambos já com frontes pronunciadas, enquanto que Sócrates parece um modelo de meia-idade, com uma cabeleira acizentada, mas farta - que lhe dá um ar a Sean Connery, muito apreciado pelo eleitorado feminino! - Não conteste e aproveite!
Do caldeirão políticos/justiça, desde "António Preto, com o seu braço ao peito, Isaltino com a sua condenação à espera de recurso, Fátima Felgueiras com a sua fuga para o Brasil e a sua condenação em recurso, Valentim Loureiro com os casos do futebol, Helena Lopes da Costa com as casas atribuídas por critérios duvidosos, Ana Cristina Ribeiro com os seus licenciamentos em litígio, Avelino Ferreira Torres e os seus inúmeros casos", é importante reconhecer que o único líder que, até hoje, defendeu o afastamento e expurgou das listas todos os candidatos a contas com a Justiça foi Marques Mendes, quando foi presidente do PSD. Logo, Manuela Ferreira Leite não é a excepção, mas a regra!
Continuando no Sol, interrogada pelos jornalistas no final de um encontro com representantes das comunidades portuguesas sobre o facto de ter incluído nas listas alguém que está envolvido em processos judiciais, MFL respondeu que António Preto é «alguém que é deputado» - ups! deixe-me ver se a compreendo: é alguém porque é deputado?, é que a forma como diz é de uma simplicidade linguistica atroz - seja, o tratamento de lhe dar o benefício da dúvida, de o presumir inocente até prova em contrário, de aguardar pela justiça, ocorre, porque é deputado? - faça-nos um favor se não mede as palavras ou porque não o sabe fazer espontaneamente - que me parece o caso! - ou porque "lhe foge a boca para a verdade" - talvez fosse preferível, a senhora que estrategicamente opta pelo silêncio em alturas de crise, poupando-se a inconveniências políticas e a um grau de exposição que lhe não convém (nessas alturas!), fazer mais silêncios ou encontrar um bom assessor de imprensa que burile as palavras, não fiquemos nós com a ideia de que sendo lider de um partido exprime a opinião reinante, o que é grave!, depois, como se não bastasse apresenta como factor atenuante, senão excludente de culpa, o facto do António ser deputado «há mais de uma legislatura». Perfeito! Portanto, se for um deputado de há mais de uma legislatura (imagine-se, três ou quatro) é quase crime de difamação levantar-se um qualquer processo crime face ao grau de elevação que o cidadão abona! Daí que o Isaltino venha com a ideia de que o povo é que julga! Todos em alegre sintonia, portanto!
Mais, diz a Manuela «Não sou a única pessoa que o incluiu como arguido, já na anterior lista isso foi feito e ninguém disse nada, isso é um aspecto fundamental», mas, minha querida, o problema é que insiste em transmitir a ideia de que Vossa Excelência é uma senhora acima da "normalidade partidária", que não permitiria, nem confiaria, em gente "suspeita", que da sua lista só fariam parte um grupo de eleite, assim como os "Intocáveis", e depois estas promiscuidades fazem desabar a suposta virtuosidade, percebe? Não conhece o ditado, "à mulher de César não basta sê-lo, também tem de parecê-lo"?.
Com todo o respeito, temos a Manuela como pessoa da maior seriedade, mas as companhias ... (E se um dia quiser dizer aos netinhos: cuidado com as companhias - diz-me com quem andas dir-te-ei quem és?!, ah! pois, isto de se ser avó e de se contarem histórias em que no fim há sempre uma lição de moral é muito sério!). Percebe agora a preocupação subjacente ao meu conselho?
Mas, prosseguindo na sua falta de jeito com as palavras, nota a presidente social-democrata que Preto «não está acusado de nada no exercício de funções públicas» e que «as leis que falam sobre a matéria são todas exclusivamente relacionadas com actos que alguém tenha praticado no exercício de funções públicas».Boa! Portanto, não critique as inconsequências políticas do caso Casa Pia, porque ficamos a saber que um crime não cometido no exercício de funções públicas (por exemplo, a gravidade (ou não) do caso Bill/Mónica dependeria de se saber se ambos estavam em horário de trabalho e, portanto, no "exercício de funções públicas" ou na hora do almoço, do café, ou em horas extraordinárias (aqui mantendo-se no exercício daquelas!)). Lição novissima para a classe política: depois de escolher o crime a praticar (contra as pessoas, contra os bens ..., há apenas que ter em conta com a hora e o local, para aferirmos se o mesmo foi praticado no "exercício de funções públicas" ou se é somente um "vício privado" ou um "crime da vida privada!". Desculpe que lhe diga, mas como jurista, a minha reacção vai da indignação ao silêncio sepulcral, tal é a ligeireza do seu discurso!
"Questionada novamente pelos jornalistas sobre se este caso poderia afectar a «política de verdade» utilizada como 'slogan' do partido Ferreira Leite foi lacónica: «Em nome da verdade eu não tomo atitudes que considero incorrectas do ponto de vista ético e político», concluiu." E pronto!
Nas palavras de um comentador político que muito prezo "Depois, há os que se queixam, com razão, de que ser político é um inferno porque as suspeitas abundam e a recompensa é baixa.", mas discordo, porque, como se vê, independentemente das suspeitas, a recompensa de ser atenuada a culpa pública, porque é deputado e há mais de uma legislatura é uma benesse considerável! Ou seja, afinal, ainda recompensa!
Continuando com MFL, comenta em artigo de opinião que "A quantidade e a qualidade legislativa é uma questão essencial para a democracia e para o exercício de uma cidadania responsável. Mas está instalada, entre nós, a prática de recorrer à produção de leis para tentar resolver os problemas e, à medida que os problemas resistem a ser resolvidos, vai-se mudando sucessivamente a lei, introduzindo excepções ou revogações parciais, criando um emaranhado tal que quase atingiu foros de calamidade. Ora isto tem implicações profundas na forma de funcionamento da sociedade, pois um quadro legislativo simples, claro e estável, traduz respeito pelos cidadãos e inspira confiança. Umas leis obscuras, confusas e instáveis são tão graves para a democracia, como um sistema de justiça ineficaz."
Vê, como quando escreve as suas palavras são muito mais reflectidas e vêm ao encontro das nossas: Se já se tivesse legislado de forma a que os titulares de cargos politicos ficassem suspensos logo após a pronúncia, não teria esses meninos mal-comportados nas suas listas. O que vai ter de acontecer? Provavelmente, respegar no projecto de Paula Teixeira da Cruz que vai neste sentido por se temer que outros políticos no futuro possam ter a liberdade de cometer os erros que a Manuela agora está a cometer! Isto é, nesta situação concreta, é o seu excesso de confiança que vai obrigar o legislador a produzir mais legislação "feita à medida", erro crasso que a doutora aponta no seu editorial.
Faz-me lembrar o programa do Engº Sousa Veloso "TV Rural", em que a família Prudêncio se acautelava dos maiores cuidados para não morrer com o seu próprio veneno (que usava nas culturas, naturalmente!). Siga o pai Prudêncio, - seja prudente, evite o acidente! (com as palavras, claro!).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Manuela, os impostos, e a nossa solidariedade pelo seu calvário!

Há uma clara confusão nas palavras de Manuela Ferreira Leite.
E se de palavras a senhora não entende muito - que é mulher de ciências e não de letras! - por certo que fiscalidade é a água em que se move qual peixe de água doce! - estranho, pois, é observar que conforme a proximidade das eleições se faz sentir percebe-se que a diferença entre o copo meio cheio e/ou meio vazio, é uma analogia que transfere para a política fiscal com grande habilidade (não se sabe se António Preto, tendo em conta o tipo de crimes de que é acusado, lhe terá dado algumas ideias ou se a sua idade (que a bem da verdade, com a longa carreira que tem a doutora já dispensava estar metida numa carga de trabalhos como isto de ser lider de um partido com um rol de suspeitos maior que o do enxoval de uma noiva em pleno século XIV) lhe faz ter algumas "brancas" (que dão "broncas") ou se, pura e simplemente, é estratégia política!
Reconheçamos, até para não ficarmos preocupados com as restantes duas hipóteses, que é estratégia, sim senhor!
O problema é que estas coisas ficam escritas e há pessoas com um espírito de peregrinação nisto de acompanhar as promessas dos candidatos.
Um pequeno esboço (e olhe que a senhora é católica e mentira é pecado!) cronológico:
Hoje, compromete-se "com pouco" - em "criar condições para baixar impostos", e acrescenta que "o seu Programa Eleitoral não terá "novidades" face ao discurso que anda a fazer há mais de um ano."
Mas veja Manuela, em Maio do ano passado, afirmou estar contra a descida dos impostos sobre os combustíveis e, mais, disse que "ao invés de esperar que um novo contexto governativo permita baixar os preços." Refira-se ao "seu" contexto?! Parece que sim pois se confessa que "vai criar condições"! Minha boa amiga, sabêmo-la cristã mas não se convença que Deus a ouve particularmente a si, mais do que aos dirigentes, nacionais e internacionais, das instituições em cuja mão está "criar" as tais condições que menciona!
Recordo-lhe que a 24 de Junho, já deste ano, se comprometeu (não a descer os impostos) mas a "não aumentar os impostos" se vencer as eleições legislativas e o que apenas disse, em complemento, foi que se formar Governo reiterava a "intenção de baixar a carga fiscal" (muito embora de boas intenções esteja o Inferno cheio!, o que naturalmente Vossa Excelência não pode saber porque é viagem que não tenciona fazer, pese contudo, provavelmente, pelo céu, também se passearem, aliás só se passear, quem as tem! ou então fiquemo-nos pelo Purgatório e aceitemos a ideia de que, depende dos dias!), tendo o cuidado de acrescentar "quando isso for possível".
Minha cara, deixe que lhe diga quando lhe for possível a si baixar os impostos, estou em crer, também será possível aos outros, a quaisquer outros, porque insisto em pensar que Deus não privilegia as preces da sua comarca política, aliás com grande parte do partido com um pé mais p'rá zona daquela zona tórrida a que me referi do que para os lados da zona do cume das nuvens.
De forma que peço-lhe mantenha o "perfil" que adoptou para si quando optou pela carreira política, onde aliás convém que se mantenha dado que o seu dirigente laboral (o governador do Banco de Portugal) não ficou nada feliz por ter (finalmente!) falado (mal!) sobre o seu desempenho. Deixem-me pintar-lhe um quadro: conhece o novo Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores que exercem Funções Públicas? Olhe se o Dr. Vitor Constâncio se lembra de lhe pôr um processo disciplinar por falta de lealdade? Vai a senhora a ver-se ainda em apuros (se bem que não lhe falta gente com experiência em defesa penal (direito subsidiário àquele), sei lá! o Isaltino, o António, a Helena, ou até mesmo o Pedro ou o Miguel que já se viram metidos, injustamente, estou em acreditar, nestes engulhos judiciários, e, in extremis, caso se aposente, pode até, por força de uma eventual sanção disciplinar, ver coarctada a sua pensão (se bem que como acumula com mais umas quantas, não lhe fará grande diferença!).
Acredite, queria tanto vê-la sossegada no seu papel de avozinha!
Deixe a política para os outros, mais novos, rapazolas, e goze em amena tranquilidade as tais reformas que colecciona!, assegurando, com a sua distância deste mundo vil, o caminho para a Luz!
Olhe que até Eça de Queiroz dizia que "políticos e fraldas tem que ser trocadas constantemente e sempre pelo mesmo motivo"!

No dia 4 - Revivemos "O" Hino

Já várias vezes vos falei da Academia de Estudos Laicos e Republicanos, de que me orgulho de ser um dos fundadores. O meu amigo Joffre Justino é um dos fundadores mais empenhados e brinda-nos frequentemente com autênticas pérolas de conhecimento.
Dia 4 de Outubro, pela primeira vez a Academia festejará condignamente, juntos no mesmo ideal, envoltos nos princípios em que acreditamos e pelos quais estamos prontos a dar voz.
Assim, partilho convosco o mail que o Joffre me enviou:
"Do Hino A Portuguesa
Por forma a ficar mais conhecida ainda a evolução do Hino A Portuguesa, hoje o Hino Nacional, deixo-vos abaixo a versão de 1890, com letra de Henrique Lopes Mendonça e com Música de Alfredo Keil. Na verdade, já houve quem tivesse duvidado da existência das, não duas mas várias versões deste Hino, anti britânico na sua primeira versão, e resultante da revolta em Portugal contra a imposição do Ultimatum de 1890.
Dada a importância, histórica, da envolvente que fez nascer o Hino Nacional, vale a pena relatar alguns aspectos desta envolvência que levou ao surgimento do mesmo.
Na verdade, o Ultimatum foi, sem dúvida, dada a resposta que o rei e o governo monárquico lhe deram, o motivo central para o reforçar e generalizar dos Ideais Republicanos em Portugal. Regressarei, assim, ao livro de F. Keil do Amaral, neto de Alfredo Keil do Amaral, “Histórias À Margem de Um Século de História”, que já utilizei nestes textos “Enquanto Republicano e Laico”.
“São velhas edições, mandadas imprimir por particulares para distribuir gratuitamente, da “marcha patriótica” composta pelo meu avô Alfredo Keil em 1890…são tampas de caixas de bolachas, ou de sardinha, ou de massas alimentícias, ou de cigarros, …cujos fabricantes decidiram, com alusões e homenagens à “Portuguesa”, dar realce ao seu patriotismo em chaga…estampas e postais alegóricos, ….prospectos, anúncios, leques,…programas de concertos e de espectáculos…”, eis a panóplia de instrumentos que foram a base da propaganda antibritânica tomando sempre como elemento central, a “Portuguesa” e que, por tal, se foi transformando no Hino Patriótico definitivamente ligado à República!
Relata F. Keil do Amaral que foram distribuídos, também, gratuitamente, 40 000 exemplares desta “marcha patriótica”, como recorda ainda que se fizeram “orquestrações especiais para “piano só, piano e canto, canto só, grande orquestra, banda marcial, fanfarra, pequena orquestra, charanga, sol e dó, e estudantina”. Diz ainda F. Keil do Amaral, “Meu avô comungava nessa onda de indignação. Filho de alemães, mas português de nascimento, de hábitos e de coração, vibrava de patriotismo magoado. E logo no dia 12, numa roda de amigos, com ele a sangrar, surgiu-lhe a ideia de uma marcha, ou hino, capaz de exprimir a revolta da Pátrio oprimida e de incutir ânimo para o ressurgimento nacional.”
Henrique Lopes de Mendonça, o poeta de A Portuguesa, escreveu no Comércio do Porto sobre o encontro que teve com Alfredo Keil como segue, “…Junto à porta da rua esperava-me o maestro, exaltado e exuberante de gestos, agitando na mão um rolo de papel de música…sentado no modesto piano que ainda conservo, é que Keil se explicou melhor. Tratava-se de uma música, hino ou marcha, em que a alma portuguesa desabafasse a sua revolta perante a afronta recebida e orgulhosamente marcasse, perante o mundo, a sua vitalidade”.
“…E “A Portuguesa” caiu como petróleo sobre o braseiro da revolta…No dia 1 de Fevereiro realizou-se um grande sarau em S. Carlos e ali foi ouvida a obra de meu avô e de Henrique Lopes de Mendonça, com enorme entusiasmo”.
De S. Carlos, A Portuguesa passou para o teatro Alegira, depois para o teatro Avenida, a 10 de Março os aspirantes de Marinha realizaram um Sarau a favor de uma Subscrição nacional e de novo o elemento central do Sarau era A Portuguesa que já era considerado o Hino do Povo.
Entretanto, rei e governo, novo que o anterior já tinha sido afastado, começaram a tudo fazer para reprimir o ímpeto de revolta nacional e começaram a reprimir os comícios, a dispersar violentamente as manifestações patrióticas e”…abafaram as vozes que entoaram A Portuguesa”, sendo que os jornais monárquicos a assumiam como o “hino da canalha”.
Mas, apesar de toda a repressão e maledicência os Cidadãos “Tocavam-na e cantavam-na com mais fervor, quando podiam; quando os governantes não tinham forças para os impedir. Cantavam-na contra os ingleses, contra “os cobardes” e contra o governo…Cantavam-na com um desespero esperançoso”.
Depois de falhado o 31 de Janeiro de 1891, começaram a surgir então exemplares “que têm uma sobreimpressão cujo propósito e cuja sobriedade impressionam: em grandes letras negras, atravessadas na capa azul e branca, a recomendação “LEMBRA-TE”; mas era desnecessária. O Povo não esquecia o seu hino – o hino da esperança no ressurgimento nacional”.
A 5 de Outubro de 1910, com a implantação da República, A Portuguesa só podia transformar-se no Hino Nacional de Portugal…
"Mas para que conheçam a sua História e a sua evolução eu, luso angolano, entendi escrever e divulgar este texto junto de Vós, pois, tudo o que fica na História tem razões fortes para que tal aconteça. Infelizmente, alguns esforçam-se por esconder as razões pensando que, com tal, se pode modificar a História." Joffre Justino
Data: 1890 (com alterações de 1957), Letra: Henrique Lopes de Mendonça, Música: Alfredo Keil
I
Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal, Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória, Ó Pátria sente-se a voz Dos teus egrégios avós, Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta Bandeira, À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira: Portugal não pereceu Beija o solo teu jucundo O oceano, a rugir d'amor, E o teu braço vencedor Deu mundos novos ao Mundo! Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta Sobre um ridente porvir; Seja o eco de uma afronta O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte São como beijos de mãe, Que nos guardam, nos sustêm, Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar, Ás armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
Data: 1890 (versão original), Letra: Henrique Lopes de Mendonça, Música: Alfredo Keil
I
Herois do mar, nobre povo, Nação valente, imortal, Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memoria, Oh patria sente-se a voz Dos teus egrégios avós, Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela patria lutar! Contra os Bretões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta bandeira, À luz viva do teu céo!
Brade a Europa á terra inteira: Portugal não pereceu!
Beija o teu sólo jucundo O Oceano, a rugir de amor; E o teu braço vencedor Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela patria lutar! Contra os Bretões marchar!
III
Saudai o sol que desponta Sobre um ridente porvir; Seja o eco de uma afronta O sinal do resurgir.
Raios dessa aurora forte São como beijos de mãe, Que nos guardam, nos sustêm, Contra as injurias da sorte.
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela patria lutar! Contra os Bretões marchar!!"
Pelas vielas redescobertas de um passado recente que nos quis, outrora, quais cavaleiros de peito desnudado e espada em riste, depois, cidadãos, feitos poetas, palavras feitas armas, ou soldados, armas em lide, coragem em corpo de bala, percebe-se a alma por detrás do Hino, o Sonho na frente de cada estrofe, a Força por entre cada rima, como raio não nos sentirmos portadores desta nobre mensagem, irmãos da mesma batalha, herdeiros da Glória, desenhada bandeira, da Mensagem, feita música.
Sem dúvida, um texto a reflectir, para acompanharmos os alunos da EPAR, que o meu querido Joffre, majestosamente envolve nestes projectos e que tao bem se saem, a recordar o que vi (e ouvi, porque a Severa impôs e bem! a sua presença) no Panteão.
Aguardamos a noite de 4, e lá estaremos, imbuídos do mesmo espírito, partilhando os valores da República, comungando das mesmas ideias, entrecruzando as mãos na mesma canção, e oferecendo, nesta luta, o que de mais sagrado nos foi dado - o coração de verdadeiros portugueses!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ainda na ementa da Cultura!

Aproveitando a maré de cultura, da ementa constam outras tantas obras de arte, que apaladam os sentidos, despertam-nos, invocam-nos.
Vejamos.
Ainda o São Carlos, aguardem por Janeiro, e não percam a versão concerto de "Dona Branca" de Alfredo Keil, um drama lírico em quatro partes com libreto de César Ferreal sobre o poema homónimo de Almeida Garrett.
Antes, em Outubro, soltam-se os corpos, imaginando que os pés tocam de perto as estrelas, é pelo sonho que vamos!, arrebatemo-nos pela magia da dança contemporânea, e, de preferência, bem acompanhados, vamos até ao Centro Cultural de Belém - por certo dos poucos momentos em que esquecemos a megalomania do político que o mandou construir - onde o artista residente na temporada 2009/10, o coreógrafo e bailarino Rui Horta, apresenta uma trilogia, que começa a 15 de Outubro, com o "Talk Show/Até se Apagar o Corpo", coreografia inspirada na relação corpo/amor. Até ao final da temporada, Rui Horta estreia ainda "As Lágrimas de Saladino" e "Local Geographic", as outras coreografias da trilogia.
O CCB apresenta também uma nova criação de Olga Roriz - imperdível - , em Maio de 2010: uma versão de "A Sagração da Primavera", com música de Igor Stravinsky.
A "rentrée" da Companhia Nacional de Bailado (CNB) irá dar-se espaço fora da capital, a 26 de Setembro, no Teatro Micaelense de Ponta Delgada - que altura fantástiva para ver ou rever os Açores - oferecendo três coreografias: "Strokes through the Tail", de Marguerite Donlon, "Fauno", de Vasco Wellenkamp, e "Cantata", de Mauro Bigonzetti. Já em Maio de 2010, a CNB interpretará em estreia mundial, em Faro, uma nova coreografia de "A Sagração da Primavera", encomendada pela instituição ao coreógrafo espanhol Cayetano de Soto para a temporada de dança 2009/10.
É a descentralização da cultura ao rubro. Parabéns ainda à OPART!
Na música clássica, a Orquestra Metropolitana de Lisboa abre a temporada a 4 de Setembro com a estreia da peça musical "Abertura Rompante", de Tiago Derriça, num concerto da orquestra dirigido pelo maestro Josep Caballé-Domenech, com Teresa Valente Pereira no violoncelo - por mim, já me chegava!. E, logo a 1 de Outubro, de festa com o Dia da Música, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a orquestra brinda-nos com o concerto "Maravilhas da Música" dirigido pelo maestro Pedro Neves.
Ao CCB regressa, a 16 de Janeiro, Maria João Pires, para interpretar, acompanhada por Rufus Müller, um concerto dedicado ao 'lied' do compositor Franz Schubert.
Num estilo bem diferente, o grupo Xutos & Pontapés dá um concerto a 26 de Setembro, no Estádio do Restelo, e dois dias depois actuam os Green Day no Pavilhão Atlântico.
Diana Krall actua para nós a 10 de Outubro no Campo Pequeno, e a 11 está no Porto.
Na arte de Garrett, regressa ao Teatro Aberto, em Lisboa, a peça "O Deus da Matança", de Yasmina Reza, com encenação de João Lourenço, a 4 de Setembro.
No Teatro Nacional D. Maria II, na nova temporada estarão em cena, entre outras, peças de Gil Vicente, Marquerite Duras e Abel Neves.
O auto "Breve Sumário da História de Deus" de Gil Vicente será encenado pelo director do Teatro Nacional São João, Nuno Carinhas, e subirá ao palco do teatro nacional a 08 de Janeiro de 2010.
Pelo poeta e dramaturgo Abel Neves, o monólogo “O Vulcão” será apresentado a partir 26 de Novembro na sala estúdio, com interpretação de Custódia Gallego, e a companhia estrangeira Les Visiteurs du Soir irá apresentar "La Douleur", de Marguerite Duras, numa encenação do cineasta francês Patrice Chéreau.
Nem só de pão vive o homem! E as mulheres (que quem inventou o provérbio era homem, com certeza) seguramente, muito menos (e também não me refiro aos diamantes!). O que explica que ambos se esforçem por se elevar e recordando (ou acreditando ...) que fomos feitos à imagem de Deus, não percam dos poucos momentos - essa é a magia da cultura - em que, sugerindo o quadro do Início do Mundo, esquecemos que somos homens e nos sentimos Deuses (ou mais perto deles!)!