A zegalha e a acídia têm algo em comum. Podemos quase entendê-las como qualidades muito à portuguesa. Como "saudade" também podiam estar entre o património único, falado e sentido, dos portugueses. O Paulo Pinto veio esta semana dizer que "o atormentou durante anos a fio, a maldita. A zegalha; uma espécie de virose pandémica que ataca o comum dos mortais, com especial incidência nos portugueses, e que durante muito tempo causou-me incómodos, ansiedade, dores de cabeça ocasionais e dinheiro desperdiçado. Sou um sortudo, vá lá, porque é um mal que pode causar a morte, própria ou alheia ou, em certos casos, lesões físicas e psicológicas profundas. A zegalha é uma doença crónica, misto de panca, estupidez, maria-vai-com-todos, ego inflamado e bravata. Uma mistura explosiva." O que me lembrou um artigo publicado há tempos aqui neste blog sobre a acídia. A tal indiferença, abatimento, torpor, depressão. O atual Catecismo da Igreja Católica apresenta como pecados ou vícios capitais: soberba, a avareza, inveja, ira, impureza, gula e preguiça ou acídia. Embora não perceba bem porque é que a preguiça aparece metida nisto, apesar de reconhecer que a acídia nos começa a entorpecer. São Tomás lá foi dizendo que a tristeza e a acídia não resultam de uma motivação exterior. É assim como que um mal que aflige especialmente os solitários, a par dos tristes. Coisa muito portuguesa, portanto, já que não existem razões para grandes contentamentos. Estranha-se que a Igreja Católica classifique a tristeza como um considerada pecado capital. São Gregório Magno, igualmente, enumerava a tristeza entre os pecados capitais. Dela provém o desespero, a timidez, o torpor, o rancor, a malícia e a divagação da mente. Já a classificaçao de Isidoro dos efeitos da acídia e da tristeza, com base no que observou em Gregório Magno é a seguinte: A amargura provém da tristeza, advém do rancor. A ociosidade e a sonolência reduzem-se ao torpor perante o sacro dever de procurar a felicidade. Os outros casos incidem na divagação da mente é "importunitas mentis", abandonam a torre do espírito e perdem-se na inconstância; no que respeita ao conhecimento, é a "curiositas"; ao falar, "verbositas"; ao corpo "inquietudo corporis"; ao peregrinar de lugar em lugar, sem sentir algum deles como "o seu lugar" é a "instabilitas", instabilidade de objectivos, de desígnios, por desapego aos que o podem desenraizar da sua confortável tristeza e mergulhar nessa desabrida aventura humanamente arriscada, iracional e ilógica, que é a felicidade. Vejo por aqui muita gente - incluindo-me entre eles de cada vez que recebo uma carta das Finanças - que cultiva um sentimento de direito à reivindicação da acídia. E estamos cheios de razão por muitas razões. Depois da avalanche de misérias, a começar pelo saque direito e directo aos nossos bolsos com o imposto "extraordinário", qualificação que decorre da forma "extra" como devassam a nossa bolsa - que nos põe completamente em baixo e nos convida a "produzir" e não a "trabalhar", sendo que a separação entre ambos os conceitos, no caso, é a de "rendimento declarado"! - é certo que nos tornámos todos, variando a graduação, vítimas desta acídia. O que significa que andamos todos "em pecado". E ainda por cima: capital! O que ainda parece mais estranho, já que provém sobretudo do facto de nos "descapitalizarem"! Assim como assim, lembra Drummond: "Cidadezinha qualquer Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus." Tudo em pecado capital este santo povo, e logo nós que sempre fomos tão catolicozinhos!
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Aos Lusitanos, abraços mais fortes ao Zé, ao Ivo e ao Eduardo
Sois o vermelho Sois a cruz Sois passageiros do mar Sois cavaleiros Sois guerreiros Sois Irmãos
Sois Estandartes Sois Homens
Nada tenho para vos dar mas dou-vos tudo o que tenho, por isso vos peço:
Ferida de morte no coração abonem-me com o vosso Vermelho
Perdida, guiem-me com a Luz da Cruz
Afogada, acolham-me na nau que ostenta a Cruz Vermelha do Redentor
Montada em alvo cavalo lusitano, qual Pégaso, ajudem-me na procura da Liberdade
Renego a guerrilha, mas sabem-me lutadora por Valores, Princípios e Causa, são batalhas
Não quero estar sozinha, anseio pelo colo dos meus irmãos
Há muito me pintei com as vossas cores
Sou uma Pessoa numa Escola de Pessoas, logo sou homem.
Por isso não vou e fico.
Por isso falo quando me mandam calar.
Por isso corro quando me recomendam que me arraste.
Por isso me exponho, quando me rogam descrição,
Sei que conhecem os passos, sigo-vos no Caminho, Que seja o Certo
Ao outro atalho, mais curto e porventura idealmente normalizado, grito aos sete ventos: Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí!
Por fim, renegada, ostracizada, peço-vos colo, amparo.
Sejam cadeia de união, corrente e nós – recebam-me!
Pudesse eu e seria Lusitana, mas vosso tenho o mesmo sangue, a mesma alma, a mesma áurea, a mesma Causa, a mesma Justiça, o mesmo peito protegido, sejam a minha malha protectora.
Sois Estandartes Sois Homens
Nada tenho para vos dar mas dou-vos tudo o que tenho, por isso vos peço:
Ferida de morte no coração abonem-me com o vosso Vermelho
Perdida, guiem-me com a Luz da Cruz
Afogada, acolham-me na nau que ostenta a Cruz Vermelha do Redentor
Montada em alvo cavalo lusitano, qual Pégaso, ajudem-me na procura da Liberdade
Renego a guerrilha, mas sabem-me lutadora por Valores, Princípios e Causa, são batalhas
Não quero estar sozinha, anseio pelo colo dos meus irmãos
Há muito me pintei com as vossas cores
Sou uma Pessoa numa Escola de Pessoas, logo sou homem.
Por isso não vou e fico.
Por isso falo quando me mandam calar.
Por isso corro quando me recomendam que me arraste.
Por isso me exponho, quando me rogam descrição,
Sei que conhecem os passos, sigo-vos no Caminho, Que seja o Certo
Ao outro atalho, mais curto e porventura idealmente normalizado, grito aos sete ventos: Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí!
Por fim, renegada, ostracizada, peço-vos colo, amparo.
Sejam cadeia de união, corrente e nós – recebam-me!
Pudesse eu e seria Lusitana, mas vosso tenho o mesmo sangue, a mesma alma, a mesma áurea, a mesma Causa, a mesma Justiça, o mesmo peito protegido, sejam a minha malha protectora.
Ao lado de Manuel Alegre "Portugal - Um sonho intergeracional"
Por ocasião do convite para entrar no grupo do Face "Um sorriso por Portugal", lançou-me a minha amiga Jesuína Ribeiro, um repto. Um texto por Portugal. Que melhor do que repor o que há tempos escrevi no meu blog? Opto por ladear uma ideia lançada por Manuel Alegre. Sobre o que somos. Somos Portugueses. A nossa Palavra é Atlântico. Nós Somos a palavra Atlântico. António Sérgio diz que uma das causas para a formação de Portugal foi a convergência dos caracteres atlânticos. Escrevia Afonso Duarte: “Há só mar no meu país.” O Atlântico é a nossa Pátria. Portugal fez-se navegando, descobrindo, ensinando o mundo, enfrentando os mares. O mar! Que tratámos como "um dos nossos". Aproximou-nos de continentes. Com ele povoámos. Com ele pusemos em marcha uma revolução. Cultural. Científica. E que esteve no coração do Renascimento. E que abriu caminho à primeira globalização. Portugal foi Europa antes de a Europa o ser.
Navegando e descobrindo fez - disse Pessoa - que o mar unisse e não que separasse. Esta é a carga histórica que está dentro da palavra Atlântico. Temos pois Portugal - o Atlântico. E os homens que o povoam. Alguns alheios à essencialidade da cultura portuguesa. A de um certo universalismo. De uma certa capacidade para compreender - e até aceitar - o Outro. A diferença. Assim o exprimiu Camões nas Endechas a Bárbara Cativa. Assim o disse Pero Vaz de Caminha quando, na Carta a D. Manuel em que lhe dá a nova do achamento do Brasil, exalta a beleza das índias e dos índios, de quem diz serem eles mais amigos nossos que nós deles, o que é já uma autocrítica constatada e um elogio da diferença.
“É-se tanto mais português quanto mais universal”, disse Pessoa e disse-o quando escreveu esse verso imperecível: “Portugal, futuro do passado.”
País que rima com liberdade no respeito pelos outros. Seguindo Octávio Paz, escritor mexicano Nobel de Literatura, “a liberdade não é uma filosofia e nem sequer uma ideia: é um movimento de consciência que nos leva, em certos momentos, a pronunciar dois monossílabos: sim ou não.”
Como fazer? (O que fazer?) para que os portugueses de hoje se identifiquem com Portugal. Sintam a alma portuguesa. Tenham (como Teixeira de Pascoaes dizia), a genuína saudade portuguesa, a saudade prospectiva, a saudade do futuro.
Como se faz voltar o Sonho? Urgem causas, ideais, novas utopias. Num mundo globalizado e unipolar, marcado pela uniformidade, a economia única, o pensamento único, a cultura única e por uma etnização ou “bigbrotherização” da vida. Num mundo de hegemonia económica, política e cultural. A par com novas formas de desagregação e fragmentação. Em comum: impõe-se Um Novo Sonho. Jovens com golpes de asa. Renovados suplementos de alma. Creio que essa herança histórica é-nos reservada. Porque se há causas próprias a cada geração, acredito que Portugal é A causa comum. Transversal. Intemporal. Medalhão doirado. Carmim que jorra. Portugal. País aberto ao mundo. Nação-piloto, pioneira, missionária e sempre mãe, no encontro com outros povos e culturas. Quando as nossas naus desbravavam o mar desconhecido, a virgindade das águas deu-se às naus, aos barcos, à bandeira de Portugal. Foi a alma atlântica que avassalou mares nunca antes desflorados. No mar, nós fomos os primeiros europeus. E esquecemos que esse “estar na linha da frente” só foi possível porque enquanto os outros países da Europa se degladiavam em guerras intestinas e feudais, tinhamos já feito a nossa revolução (a de 1383-85 - a primeira revolução popular e nacional da Europa).
Como escreveu Dominique Lelièvre em “Mer et Révolution”, o povo português foi pioneiro no despertar do sentimento nacional. E é nesta era da globalização e de construção europeia que urge reavivar, ressuscitar, reperspectivar o sentimento nacional.
“É-se tanto mais português quanto mais universal”, disse Pessoa e disse-o quando escreveu esse verso imperecível: “Portugal, futuro do passado.”
País que rima com liberdade no respeito pelos outros. Seguindo Octávio Paz, escritor mexicano Nobel de Literatura, “a liberdade não é uma filosofia e nem sequer uma ideia: é um movimento de consciência que nos leva, em certos momentos, a pronunciar dois monossílabos: sim ou não.”
Como fazer? (O que fazer?) para que os portugueses de hoje se identifiquem com Portugal. Sintam a alma portuguesa. Tenham (como Teixeira de Pascoaes dizia), a genuína saudade portuguesa, a saudade prospectiva, a saudade do futuro.
Como se faz voltar o Sonho? Urgem causas, ideais, novas utopias. Num mundo globalizado e unipolar, marcado pela uniformidade, a economia única, o pensamento único, a cultura única e por uma etnização ou “bigbrotherização” da vida. Num mundo de hegemonia económica, política e cultural. A par com novas formas de desagregação e fragmentação. Em comum: impõe-se Um Novo Sonho. Jovens com golpes de asa. Renovados suplementos de alma. Creio que essa herança histórica é-nos reservada. Porque se há causas próprias a cada geração, acredito que Portugal é A causa comum. Transversal. Intemporal. Medalhão doirado. Carmim que jorra. Portugal. País aberto ao mundo. Nação-piloto, pioneira, missionária e sempre mãe, no encontro com outros povos e culturas. Quando as nossas naus desbravavam o mar desconhecido, a virgindade das águas deu-se às naus, aos barcos, à bandeira de Portugal. Foi a alma atlântica que avassalou mares nunca antes desflorados. No mar, nós fomos os primeiros europeus. E esquecemos que esse “estar na linha da frente” só foi possível porque enquanto os outros países da Europa se degladiavam em guerras intestinas e feudais, tinhamos já feito a nossa revolução (a de 1383-85 - a primeira revolução popular e nacional da Europa).
Como escreveu Dominique Lelièvre em “Mer et Révolution”, o povo português foi pioneiro no despertar do sentimento nacional. E é nesta era da globalização e de construção europeia que urge reavivar, ressuscitar, reperspectivar o sentimento nacional.
Entender que fazer parte da Europa não significa a diluição do espírito português, a perda do Atlântico. Mais do que nunca é necessário sonhar um projecto nacional.
Reivindicar o direito a sermos europeus de primeira, num imenso abraço à nossa identidade - à nossa atlanticidade.
A nossa força na Europa e no Mundo depende da forma como projectamos a nossa vocação e tradição atlântica. É essa a nossa singularidade, a nossa primeira e permanente utopia.
As gerações, todas as gerações, têm de lembrar a origem do sonho. Que a palavra Utopia tem raiz portuguesa.
As gerações, todas as gerações, têm de lembrar a origem do sonho. Que a palavra Utopia tem raiz portuguesa.
Conta Thomas More que foi um marinheiro português, Rafael, que, num bar de Amsterdão, lhe falou da ilha perfeita. Onde ficava a ilha não o disse. More chamou-lhe Nusquama (Em Parte Alguma) e foi Erasmo quem fez com que a substituísse pela palavra grega Utopos (também, Em Parte Alguma). Talvez a ilha só tenha existido na imaginação daqueles que a procuraram. Talvez ela seja um pouco de todas as ilhas. Talvez ela não seja mais do que a própria demanda. Ou talvez, como insinuava Torga, ao falar da “índias de dentro”, ela só exista, afinal, dentro de cada um de nós. Está aqui e não está. É toda a parte e nenhures. E talvez Rafael seja todos os marinheiros portugueses e nenhum. Talvez seja afinal um pouco de todos nós. Talvez mais do que nunca precisemos de encontrar um novo Rafael, que nos fale de uma nova ilha, mesmo que essa ilha não exista em parte alguma ou só exista dentro de nós e mesmo que ela se chame Utopia. Porque a verdade é que a História, como disse Joyce, se tornou um pesadelo.
Bárbaros, para os gregos antigos, eram os que não falavam a mesma língua e não adoravam os mesmos deuses. Hoje, bárbaros são os que não falam qualquer outra linguagem que não a do cifrão, a fria linguagem do cifrão. Hoje há os que substituíram os antigos deuses pelos sacrossantos mercados financeiros. E quão poderosos são os seus oráculos! Já não são lengalengas nem labirintos inofensivos. São variáveis determinantes, avassaladoras. São proprietários da alegria e da tristeza. Os oráculos hoje são cotados na bolsa. Orações gritadas e agitadas. Ordens de compra e venda dos corretores. Das suas indicações depende a vida das empresas, das famílias, das economias, e também, se nada pudermos contra a corrente, da nossa cultura, da nossa língua, da nossa identidade.
Bárbaros, para os gregos antigos, eram os que não falavam a mesma língua e não adoravam os mesmos deuses. Hoje, bárbaros são os que não falam qualquer outra linguagem que não a do cifrão, a fria linguagem do cifrão. Hoje há os que substituíram os antigos deuses pelos sacrossantos mercados financeiros. E quão poderosos são os seus oráculos! Já não são lengalengas nem labirintos inofensivos. São variáveis determinantes, avassaladoras. São proprietários da alegria e da tristeza. Os oráculos hoje são cotados na bolsa. Orações gritadas e agitadas. Ordens de compra e venda dos corretores. Das suas indicações depende a vida das empresas, das famílias, das economias, e também, se nada pudermos contra a corrente, da nossa cultura, da nossa língua, da nossa identidade.
Que podemos nós contra a nova barbárie? Que podemos nós contra uma lógica económica que exclui dois terços da humanidade?
É preciso revelar este mundo aos que olham mas não vêm. Denunciar injustiças e violências. E semear um outro mundo. Adubar um outro mundo. Já não é, nunca foi, um problema de geração. É hoje uma responsabilidade de todos. Criar um outro mundo. Iniciar uma nova demanda. Por isso falei de Rafael e da Utopia. Porque não temos outra navegação senão essa: a busca de um mundo mais livre, mais justo e mais fraterno. Em toda a parte, e primeiro, dentro de nós. A nossa bandeira só pode ser a da liberdade livre. A liberdade que cantada Artur Rimbaud. A nossa arma é aquele “terrível poder de recusar,” de que fala Miguel Torga. Há que reaprender a pensar livre. A criticar o reino cadaveroso do dogmatismo e do sectarismo. Sou da geração que entendeu a magia da canção. Que não há machado que corte a raiz ao pensamento. Talvez por isso, não acredite em lições, em saberes privilegiados, em verdades impostas. E se não sei para onde vou, sei, com certeza, que por aí não vou. E sei que avanço nos desafios. Que devemos lançar novos desafios. A todas as gerações. Um desafio aos jovens. Construir um novo Portugal é um desafio intergeracional, suprageracional.
Urge indagar, debater, criticar, e dizer não, quando é o não que tem de ser dito. Sem instrumentalizações impostas sem manipulações aceites. Parafraseando Sartre, dizer aos jovens: “Não tenham vergonha de agarrar a lua, porque nós precisamos dela.” E de tudo o que temos para lhes dizer é que não tenham medo de ousar o impossível. Foi sempre com os que ousaram o impossível que se obrigou o Poder a ousar pelo menos um pouco do que é possível.
“Que vivam a vossa vida, ousem a vossa vida - ou, como queria o filósofo - dancem a vossa vida. E que sejam o inconformismo, a irreverência, a rebeldia e o contra-poder de que todos os poderes precisam. Disso depende a proporcionalidade, a razoabilidade do poder, a limitação dos que o detém.”
Tudo o que lhes podemos mostrar é o que já têm - o que já é tão seu - e, porém, não o sabem, não o vêm, não o sentem. Estás-lhe nas mãos – e é o mais fantástico dos poderes: o poder da juventude! Que levem de nós o mapa genético do sonho! Que tomem de herança aquela que foi a nossa herança também! Que partilhem connosco a força do não que fizemos nosso! Que o nosso não seja o não deles também! É tudo o que lhes podemos pedir e é tudo o que temos de dar. Que o Poder que é deles se embale nos dias nossos passados. Juntos num abraço. Num mesmo sonho, que é Portugal, e que nos valha a antiqua força atlântica! A sabedoria dos poderes partilhados. Dos poderes juntos. Juntas as gerações.
Só o poder do sonho, a emergência da força e a pujança desse velho mar, conseguirá novas aventuras, renovados Descobrimentos. O do que fomos. O do que somos. E, por fim, esse Novo e Redescoberto Poder há-de emergir. Uno. Coeso. E da congregação de todos os poderes – uma Cadeia de União entre todas as Gerações – nascerá a mudança. O milagre da evocação de todas as consciências atlânticas surge como a semente de uma nova consciência, a primeira pedra de uma nova cidadela! A prova de que somos capaz. De mudar. De os ajudar a mudar. Pé ante pé. Forças em braços cruzados. Pés num só caminho. Em sintonia. Elos de uma só corrente. Microcosmos fundidos até se alterar o status quo. Até voltar ao Atlântico. E recuperar o sonho de ser Português. E mudar Portugal. Juntos. Transformar Portugal, primeiro. Reencontrar a Utopia, por fim.
Só o poder do sonho, a emergência da força e a pujança desse velho mar, conseguirá novas aventuras, renovados Descobrimentos. O do que fomos. O do que somos. E, por fim, esse Novo e Redescoberto Poder há-de emergir. Uno. Coeso. E da congregação de todos os poderes – uma Cadeia de União entre todas as Gerações – nascerá a mudança. O milagre da evocação de todas as consciências atlânticas surge como a semente de uma nova consciência, a primeira pedra de uma nova cidadela! A prova de que somos capaz. De mudar. De os ajudar a mudar. Pé ante pé. Forças em braços cruzados. Pés num só caminho. Em sintonia. Elos de uma só corrente. Microcosmos fundidos até se alterar o status quo. Até voltar ao Atlântico. E recuperar o sonho de ser Português. E mudar Portugal. Juntos. Transformar Portugal, primeiro. Reencontrar a Utopia, por fim.
Aqui d'El Rei
Portugal parece ter um eterno e incurável complexo de órfão!
Discutiu-se ainda há pouco a construção de um Museu em homenagem a esse … homem que foi Oliveira Salazar. Santa Comba Dão deu por si arvorada em nova Belém, terra pátria de um Salvador!
Por mais que respeite a história, está-me ainda na alma as almas dos que faleceram às mãos de uma polícia, filha querida de um déspota, que erigido a herói, ainda faz despertar alentos fantasmagóricos de saudosos cidadãos, desconhece-se se apoderados de maleitas próprias da velhice, no caso dos mais idosos, se herdeiros de contadores de histórias cujos fins se orquestravam em uníssono, no caso das gerações mais novas!
Eis senão quando …
Surge tal epopeia a propósito de um peculiar hastear de bandeira em Paços do Concelho, quando cai sobre terra a canção republicana, verde esperança, escarlate furor revolucionário, brazões dourados saídos do sonho de um guerreiro, e se ergue o azul e branco, símbolo de uma monarquia que expirou aos braços de um povo ébrio de revolta ante a prepotência do sangue azul, privilegiados em poses de divindades, coroas, jóias e vestes em antagonia aos palcos de miserabilismo que fazia do homem comum actor de um cinema mudo, enfraquecido pela escassez do pão que não lhe chegava à mesa, fragilizado pela vidas em segunda mão a que estava perpetuamente condenado.
Mas que é d’El Rei?
Se a Constituição Portuguesa impede associações que exaltem o fascismo como forma de poder, é igualmente certo que a Monarquia é um sistema de governo completamente afastado e inequacionável, ambos violam os valores constitucionais que perfilhamos e sequer mereceram cláusula de salvaguarda de modo a que uma eventual revisão possibilite o retrocesso histórico a tais cenários fúnebres e coreografias de desigualdades sociais e quadros desumanitários que o mero facto de vivermos em Democracia repugna.
A Coroa Portuguesa é alvo de querelas jurídicas, reclamando as figuras mais heterogéneas o poder de a erguer sobre as suas cabeças. Não pode sequer Duarte de Bragança armar-se rei, quando tal pretensão á apenas apoiada por uma facção: a Casa de Bragança.
Mas o teatro a que acabámos de assistir suscita algumas reflexões.
Deixo-vos com uma: a de que continuar a lutar pela República, tal como lutar pela Democracia, é uma luta intemporal, de ontem, de hoje e de sempre! Sabe-se lá se um dia adormecemos e a bandeira azul e branca ainda surge no pino da janela-mor do Palácio de Belém, coabitando rei e presidente, ou o segundo servindo de escudeiro ao primeiro, para o ensinar na arte de bem presidenciar “toda a corte”! Tão possível quanto Santa Comba Dão, tendo até nome de santa, se acha a nova Belém, mãe de um homem que salvou Portugal. Salvou-o do progresso, da industrialização, de maior riqueza, de acrescida qualidade de vida! Salvou-o do Sonho! E assim nos apequenámos, nos rebaixámos, nos reduzimos …. E como povo de bons e brandos costumes, esperámos Abril, que nos arrebatou, reergueu. Devolveu-nos o Sonho Perdido!
Mas que é d’El Rei?
Saiba Duarte de Bragança, a quem se desconhece qualquer dom, que o Rei Morreu! Viva a Rainha! Ei-la deslumbrante, gloriosa! Colo de garça e busto! Linda, a República! Foi ela a Rainha Eleita! E a Rei morto, Rainha posta!
Quanto aos aclamados, proclamados, controversos reizinhos, saiba que cada cidadão português foi feito rei, porque é pertença de uma cidadela, proprietário de uma Urbe, que se chama Europa, onde deixou de haver espaço para a regressão, voltas ao passado, e onde o futuro depende da vontade de cada um e de todos, sem hierarquias metafísicas e privilégios divinos pré-aceites e inculcados.
Na verdade, Duarte, basta leres atenciosamente os textos oficiais com que te brindamos, para entenderes que não há verdades encobertas nem adamastores por detrás desta Pátria.
Há uma Constituição, que te chama, como a todos nós, cidadão.
Há uma Democracia, cujo poder se vai adensando!
Há a Rainha, a República, essa “res”, que é coisa, “publica”, porque é de todos nós!
E, por fim, vislumbra esta cruel verdade: está viva e unida a prole que nelas crê, como se fossem a Santíssima Trindade de uma nova Era, e que por elas se predispõe a lutar.
Hão-de ir e vir pretensos herdeiros de coisa nenhuma!
Por cá estamos e aqui ficamos, soldados de alguma coisa, defensores das Três Damas Escolhidas, cada um rei e senhor de si, príncipes e princesas de um feudo conquistado, um jardim à beira-mar plantado, que é nosso Portugal!
Discutiu-se ainda há pouco a construção de um Museu em homenagem a esse … homem que foi Oliveira Salazar. Santa Comba Dão deu por si arvorada em nova Belém, terra pátria de um Salvador!
Por mais que respeite a história, está-me ainda na alma as almas dos que faleceram às mãos de uma polícia, filha querida de um déspota, que erigido a herói, ainda faz despertar alentos fantasmagóricos de saudosos cidadãos, desconhece-se se apoderados de maleitas próprias da velhice, no caso dos mais idosos, se herdeiros de contadores de histórias cujos fins se orquestravam em uníssono, no caso das gerações mais novas!
Eis senão quando …
Surge tal epopeia a propósito de um peculiar hastear de bandeira em Paços do Concelho, quando cai sobre terra a canção republicana, verde esperança, escarlate furor revolucionário, brazões dourados saídos do sonho de um guerreiro, e se ergue o azul e branco, símbolo de uma monarquia que expirou aos braços de um povo ébrio de revolta ante a prepotência do sangue azul, privilegiados em poses de divindades, coroas, jóias e vestes em antagonia aos palcos de miserabilismo que fazia do homem comum actor de um cinema mudo, enfraquecido pela escassez do pão que não lhe chegava à mesa, fragilizado pela vidas em segunda mão a que estava perpetuamente condenado.
Mas que é d’El Rei?
Se a Constituição Portuguesa impede associações que exaltem o fascismo como forma de poder, é igualmente certo que a Monarquia é um sistema de governo completamente afastado e inequacionável, ambos violam os valores constitucionais que perfilhamos e sequer mereceram cláusula de salvaguarda de modo a que uma eventual revisão possibilite o retrocesso histórico a tais cenários fúnebres e coreografias de desigualdades sociais e quadros desumanitários que o mero facto de vivermos em Democracia repugna.
A Coroa Portuguesa é alvo de querelas jurídicas, reclamando as figuras mais heterogéneas o poder de a erguer sobre as suas cabeças. Não pode sequer Duarte de Bragança armar-se rei, quando tal pretensão á apenas apoiada por uma facção: a Casa de Bragança.
Mas o teatro a que acabámos de assistir suscita algumas reflexões.
Deixo-vos com uma: a de que continuar a lutar pela República, tal como lutar pela Democracia, é uma luta intemporal, de ontem, de hoje e de sempre! Sabe-se lá se um dia adormecemos e a bandeira azul e branca ainda surge no pino da janela-mor do Palácio de Belém, coabitando rei e presidente, ou o segundo servindo de escudeiro ao primeiro, para o ensinar na arte de bem presidenciar “toda a corte”! Tão possível quanto Santa Comba Dão, tendo até nome de santa, se acha a nova Belém, mãe de um homem que salvou Portugal. Salvou-o do progresso, da industrialização, de maior riqueza, de acrescida qualidade de vida! Salvou-o do Sonho! E assim nos apequenámos, nos rebaixámos, nos reduzimos …. E como povo de bons e brandos costumes, esperámos Abril, que nos arrebatou, reergueu. Devolveu-nos o Sonho Perdido!
Mas que é d’El Rei?
Saiba Duarte de Bragança, a quem se desconhece qualquer dom, que o Rei Morreu! Viva a Rainha! Ei-la deslumbrante, gloriosa! Colo de garça e busto! Linda, a República! Foi ela a Rainha Eleita! E a Rei morto, Rainha posta!
Quanto aos aclamados, proclamados, controversos reizinhos, saiba que cada cidadão português foi feito rei, porque é pertença de uma cidadela, proprietário de uma Urbe, que se chama Europa, onde deixou de haver espaço para a regressão, voltas ao passado, e onde o futuro depende da vontade de cada um e de todos, sem hierarquias metafísicas e privilégios divinos pré-aceites e inculcados.
Na verdade, Duarte, basta leres atenciosamente os textos oficiais com que te brindamos, para entenderes que não há verdades encobertas nem adamastores por detrás desta Pátria.
Há uma Constituição, que te chama, como a todos nós, cidadão.
Há uma Democracia, cujo poder se vai adensando!
Há a Rainha, a República, essa “res”, que é coisa, “publica”, porque é de todos nós!
E, por fim, vislumbra esta cruel verdade: está viva e unida a prole que nelas crê, como se fossem a Santíssima Trindade de uma nova Era, e que por elas se predispõe a lutar.
Hão-de ir e vir pretensos herdeiros de coisa nenhuma!
Por cá estamos e aqui ficamos, soldados de alguma coisa, defensores das Três Damas Escolhidas, cada um rei e senhor de si, príncipes e princesas de um feudo conquistado, um jardim à beira-mar plantado, que é nosso Portugal!
Às minhas meninas e aos meninos, também!

Dedico o meu primeiro blog às minhas duas queridas meninas, feitiços de uma Lua que dá Luz às minhas noites, raios de um Sol que aquece as minhas manhãs, coração, alma e peito que guardo dentro do meu. A Lua diz-se Lisa, o Sol fez-se Vera. Comigo, somos triunvirato de damas que tudo enfrentou e venceu. Destinos que o Adamastor quis separar e uniu.
A elas vão juntas dois pequenos, o de sangue, o que criei, o que há-de estar sempre comigo, o Bruno, o de adopção, que comigo cresceu já depois de feito menino, o Pedro.
Quatro, comigo, cinco corações (que cinco é o que é sagrado!) que hão-de sempre estar juntos, unidos no mesmo peito, cruzados no mesmo destino, damas e cavaleiros de um exército privado - o que luta e lutará por ser uma família - enquanto houver alma e corpo, enquanto por esta Terra andar, e mesmo depois de sair dela, quando, sabe-se lá!, ao Céu suba ou ao Hades desça.
Obrigado por existirem!
A elas vão juntas dois pequenos, o de sangue, o que criei, o que há-de estar sempre comigo, o Bruno, o de adopção, que comigo cresceu já depois de feito menino, o Pedro.
Quatro, comigo, cinco corações (que cinco é o que é sagrado!) que hão-de sempre estar juntos, unidos no mesmo peito, cruzados no mesmo destino, damas e cavaleiros de um exército privado - o que luta e lutará por ser uma família - enquanto houver alma e corpo, enquanto por esta Terra andar, e mesmo depois de sair dela, quando, sabe-se lá!, ao Céu suba ou ao Hades desça.
Obrigado por existirem!
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